Mercadores da Noite #65 - Minhas 18 Copas do Mundo

Ivan Sant'Anna Publicado em 11/06/2018
7 min
Meu mundo volta a ser o da bola, tal como acontece de quatro em quatro anos desde 1950.

Mercadores da Noite

Caro leitor,

Dando prosseguimento à série de crônicas sobre futebol que escreverei para a Inversa antes e durante a Copa do Mundo da Rússia, hoje vou falar sobre minha relação com o torneio. São ao todo 18 Copas, contando a que começa na próxima quinta-feira (14). Por ocasião das outras três, eu não havia nascido.

Em 1950 tinha 10 anos de idade. Assisti a todos os jogos do Brasil, com exceção daquele que terminou em empate (2 a 2) contra a Suíça, realizado em São Paulo. Os demais aconteceram no Maracanã.

Como não podia deixar de ser, não me lembro de muita coisa. Mas alguns acontecimentos foram tão marcantes que ficaram gravados na minha mente de criança, entre eles a torcida cantando Touradas em Madri, por ocasião da vitória do Brasil sobre a Espanha por 6 a 1. 

Supõe-se que esse tenha sido o jogo de futebol com o maior público de todos os tempos, já que os tapumes provisórios que cercavam o estádio foram derrubados pelos torcedores. Algo acima de 200 mil.


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Da final contra o Uruguai, o Maracanazo, me recordo da pequena torcida deles comemorando o gol de Ghiggia que deu o título à Celeste Olímpica.

Já em 1954, “assisti” à Copa da Suíça pelo rádio. Fomos eliminados pela Hungria, uma das melhores equipes de futebol de todos os tempos, por 4 a 2, placar esse que os locutores brasileiros atribuíram ao juiz inglês Mr. Ellis. “Comunista" foi o mínimo que disse dele o dublê de juiz e comentarista Mário Vianna. A final, Alemanha 3 x 2 Hungria, de virada, é considerada uma das maiores zebras de todas as Copas.

Suécia, 1958: “Ouvi” os jogos pela televisão. Como não havia transmissões internacionais, a TV Tupi narrava o jogo exibindo slides dos jogadores enquanto falava deles.

Foi a primeira Copa de Pelé e Garrincha que, ao longo de suas vidas, jamais perderam um jogo atuando juntos.

Para mim, o placar da final foi Brasil 4 x 2 Suécia. Explico: a algazarra lá em casa era tanta que não ouvi o 5º gol brasileiro. Só fiquei sabendo dele horas mais tarde.

O Mundial de 1962 foi um dos grandes momentos de minha vida. Primeiro porque o Brasil ganhou. Segundo porque eu estava lá, no Chile. Viña del Mar, onde disputamos os primeiros quatro jogos, era uma cidade pequena. Os jogadores dos quatro times que jogavam na nossa chave, Brasil, Espanha, México e Tchecoslováquia, podiam ser encontrados numa casa de fliperama todas as noites.

Como eu dividia um quarto de hotel com o Ademir Menezes, artilheiro da Copa de 1950 e então comentarista de rádio, pude conhecer pessoalmente, além dos jogadores brasileiros, supercraques como Alfredo Di Stéfano e Puskas. O primeiro era argentino; o segundo, húngaro. Mas ambos jogavam pela Espanha.

Pelé se machucou no início do segundo jogo, contra a Tchecoslováquia, e Garrincha ganhou a Copa sozinho.


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Após a partida final, quando ganhamos da Tchecoslováquia (jogamos contra eles duas vezes no torneio) por 3 a 1, eu estava parado numa praça de Santiago quando uma Kombi encostou ao meu lado. Garrincha se debruçou para o lado de fora e me disse: “E aí, gente boa, gostou?”. Ele sempre me chamava de “gente boa”. Só mais tarde, lendo o livro Estrela Solitária, do Ruy Castro, fiquei sabendo que Garrincha chamava todo mundo de “gente boa”.

Da Copa de 1966, tenho poucas recordações. Morava em Nova York, onde estudava mercado de capitais na NYU, e ouvi os três jogos do Brasil (fomos eliminados na primeira fase) através de um rádio de ondas curtas.

Consegui ver a final pela TV, oportunidade em que a Inglaterra bateu a Alemanha por 4 a 2, sendo que a bola do terceiro gol, já na prorrogação, não entrou.

Sobre a Copa de 1970, no México, eu poderia escrever não só uma crônica, mas um livro inteiro. Cheguei lá na manhã de 31 de maio, a tempo de ver o jogo de abertura, México 0 x 0 União Soviética. Boa parte das amizades que tenho até hoje, pessoal que iria se projetar no mercado financeiro, foi feita na Copa do México. Fora o Carlos Alberto Parreira, um dos preparadores físicos da seleção, e o técnico Zagallo.

Vou me limitar a contar um episódio. Para ver Brasil x Inglaterra, fui de trem da Cidade do México para Guadalajara. Pois bem, no vagão-restaurante, o sambista Blecaute e eu apostamos quem bebia mais tequila com um grupo de jornalistas mexicanos. Um Brasil x México alcoólico.

Lá pela enésima dose, só restavam o Blecaute e eu. Os mexicanos, derribados. O Blecaute caiu antes de eu tomar minha última dose, após a qual desmaiei também. Fui levado, acreditem, para o meu carro-leito, pelo embaixador brasileiro no México, João Batista Pinheiro, e pela embaixatriz, Céu Azul Pinheiro.

A partir de 1974, com a televisão a cores transmitindo os jogos, nunca mais vi um jogo de Copa no estádio. Por outro lado, passei a ver todas as partidas.

Nesse ano, traí miseravelmente nossa seleção. Como achava a Holanda uma barbada, apostei 50 mil dólares neles no jogo contra o Brasil. Torci pela Laranja Mecânica e faturei minha grana.


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Na Copa de 1978, tive uma das grandes decepções futebolísticas. E não foi em jogo do Brasil. Estou falando da vitória da Argentina contra o Peru, por 6 a 0, em jogo que os peruanos foram subornados (precisavam ganhar por uma diferença de pelo menos quatro gols). Quem quiser saber mais a respeito disso, leia How They Stole the Game, de David A. Yallop, ou El Hijo del Ajedrecista,de Fernando Rodriguez Mondragon.

Além dessa vitória garfada contra o Peru, e de uma derrota para a Itália, a Argentina foi favorecida pelos juízes em todos os demais jogos.

Em 1982, o Brasil levou um timaço: Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e cia. Mas perdeu. Foi outra frustração. Quatro anos mais tarde, em 1986, no México, após a eliminação do Brasil pela França na disputa de pênaltis, torci pela Argentina, por causa de Maradona que, tal como Garrincha em 1962, ganhou o caneco sozinho.

Assisti a boa parte do torneio internado num hospital, vítima de infecção renal.

Um mil novecentos e noventa foi o ponto de virada do futebol mundial. Após um torneio cheio de 0 x 0, prorrogações e disputas de pênaltis, a FIFA mudou as regras do jogo.

A partir daquela Copa, ficou proibido atrasar bolas com os pés para os goleiros, vitória passou a valer três pontos, "na mesma linha" deixou de ser impedimento e outras mudanças foram implementadas. O futebol agradeceu e os placares tornaram-se mais elásticos.

O Brasil foi eliminado pela Argentina, num lance genial de Maradona, em uma partida na qual jogamos bem mais.

Após 24 anos sem vencer, a Copa voltou para o Brasil em 1994, nos Estados Unidos. Não tínhamos um grande time e vencemos a final nos pênaltis, após um jogo lento sob um calor de 40 graus.

Veio a Copa seguinte, na França. Chegamos à final contra os donos da casa. Perdemos por 3 a 0 depois que o Ronaldo sofreu convulsões, assustando os demais jogadores.


Creio que multiplicar patrimônio é um desejo legítimo de todos os que se preocupam em construir um futuro promissor. Não há nada de errado nisso. Mas reconheço que não é fácil. No mercado de ações, desde os anos 90 que os investidores vivem da emoção do dia, sem um alicerce capaz de direcioná-los neste mar incerto. Acontece que os tempos mudaram, ainda bem: é possível ganhar sempre, na alta e na baixa.


Em 2002, no torneio disputado na Coreia e no Japão, troquei a noite pelo dia. Não perdi nenhum jogo. Valeu a pena ver o Fenômeno de volta, após longa contusão, ao lado de Rivaldo e de Ronaldinho Gaúcho.

Foi uma vitória incontestável.

A Copa de 2006, na Alemanha, na qual fomos eliminados pela França, ficou marcada pela cabeçada de Zidane em Materazzi, justamente na final. A partida foi vencida pela Itália, nos pênaltis.

África do Sul, 2010. Espanha pela primeira vez campeã. O Brasil, que não tinha um grande time, foi eliminado pela Holanda.

Em 2014, com mais uma Copa no Brasil, eu poderia ter visto muitos jogos ao vivo. Mas me habituara a assisti-los pela TV. Fui masoquista a ponto de ver os 1 a 7 até o fim.

Na Copa da Rússia, que começa daqui a três dias, vou escrever crônicas para a Inversa. Pretendo assistir a todos os jogos. Acho que o caneco fica entre o Brasil, a Alemanha, a Espanha e a França. Mas não desprezo Lionel Messi. Quem sabe teremos um novo Garrincha ou um novo Maradona, homens que ganharam Copas sozinhos?

Mal vejo a hora de ver na telinha o juiz apitar o início de Rússia x Arábia Saudita, jogo inaugural da Copa, no estádio Luzhniki, em Moscou.

Nessa hora eu esqueço tudo. Meu mundo volta a ser o da bola, tal como acontece de quatro em quatro anos desde 1950.

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Um abraço,

Ivan Sant'Anna

P.S.: Enquanto investidores inexperientes olham de lado para as ações brasileiras, o Money Maker acredita que duas ações têm alto potencial. Ele fez fortuna investindo em ativos que ninguém depositava qualquer confiança. Todo mundo estava errado. Ele estava certo! Agora, o Money Maker vai compartilhar com você sua experiência como investidor e ideias de investimentos lucrativos. Um abraço, André Zara.

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