Mercadores da Noite #142 - Vocês querem matar o velho?

Ivan Sant'Anna há 4 dias
6 min
Resolvi sugerir hoje os livros escritos por mim para aplacar os afobados. E também para puxar um pouco da brasa para a minha sardinha, por que não?

Caro leitor,

Em minha newsletter “Os mercadores da noite” da semana passada, a qual dei o título de “Leitura obrigatória”, recomendei cinco trabalhos literários para os meus caros amigos leitores. Como a sequência de Elio Gaspari sobre a ditadura tem cinco exemplares, quem seguir minha indicação vai ler nove unidades, num total de 6.356 páginas.

Após a divulgação, recebi uma enxurrada de e-mails de assinantes, o que me deixou muito feliz. Mas fiquei surpreso ao ver que boa parte deles queria a indicação de outros 30 livros.

Relendo a crônica, me deparei com o seguinte parágrafo: “Se você, meu amigo, estiver disposto a aprender com os livros que sugeri acima, e realizar essa tarefa, tenho mais uns 30 para indicar”.

Reparem no “realizar essa tarefa”, ou seja, eu quis dizer que tendo lido os nove livros, as pessoas receberiam as novas recomendações. Pediriam mais 30, e assim por diante.

Caramba, essa é uma tarefa que espero executar até o final de 2020. Para escolher 30 livros que agregam conhecimento aos leitores, terei de examinar, um a um, os quase mil que tenho nas estantes de meu apartamento. Isso leva tempo, e muito sobe e desce de escadas, a não ser que vocês queiram matar o velho, que já despencou lá de cima uma vez.

Mesmo porque, na minha biblioteca há títulos como Dom Quixote (Miguel de Cervantes), A montanha mágica (Thomas Mann), Ulisses (James Joyce), Cem anos de Solidão (Gabriel Garcia Márquez), Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski), sendo que nenhum destes dá a menor dica sobre ações, commodities, futuros, calls, puts e lá vai fumaça. Está tudo misturado com os que tratam do mercado, direta ou indiretamente.

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Resolvi, então, sugerir hoje os livros escritos por mim, para aplacar os afobados. E também para puxar um pouco da brasa para a minha sardinha, por que não?

Dos 17 que publiquei, mais um que estou publicando pela Inversa, apenas sete são úteis a quem se interessa exclusivamente pelo mercado financeiro. E pode ser que o amigo assinante já tenha lido todos. Mas acho difícil. Sempre escapa, no mínimo, um ou dois. Vamos a eles:

Os mercadores da noite: BM&F, 1996; Rocco, 1997; Sextante, 2008; Arqueiro, 2009; Inversa, 2017; além da versão em inglês, The Sunday Night Traders, publicada pela BM&F em 1999.

Trata-se, na opinião de grande parte de meus leitores, do melhor texto que escrevi, meio emparelhado com Caixa-preta (Objetiva, 2000), sendo que este segundo fala de desastres aéreos e nada tem a ver com o mercado.

Embora tenha sido meu primeiro livro, Os mercadores da noite foi o segundo a ser publicado. Simplesmente porque, no início de minha carreira nas letras, não encontrei interessados. Depois, todo mundo quis. Até Hollywood, que adquiriu os direitos de filmagem, através da R. T. Features e da United Talent.

Sem falsa modéstia, quem lê esse livro, embora seja ficcional, acaba entendendo bastante de mercado: commodities, com destaque para ouro e petróleo, instrumentos financeiros, derivativos em geral e ações.

As sagas do protagonista, Julius Clarence, e de seu antagonista, Clive Maugh, atravessam várias décadas. Mas, como disse acima, no início ninguém quis. Foi por isso que resolvi escrever Rapina, ambientado no mercado brasileiro.

Os originais de Rapina foram entregues à Luciana Villas-Boas, da editora Record, em 23 de dezembro de 1996. Ficaram com ela durante o feriado de Natal.

No dia 26, Luciana me ligou dizendo que queria publicar Rapina. Assinamos o contrato. A Record decidiu que o lançamento seria a maior campanha publicitária já feita para um livro de autor inédito no Brasil. Decidiu e fez.

Foram anúncios em jornais, revistas, outdoors e painéis eletrônicos. Aviões rebocaram faixas nas praias do Rio exibindo apenas o nome: Rapina. Da varanda de minha casa vi, certa noite, um helicóptero com luzes piscando formando a palavra Rapina.

Na semana do lançamento, a IstoÉ fez um encarte especial com um capítulo do livro. A resenha de Rapina ocupou duas páginas da Veja. Resultado: Rapina já saiu em primeiro lugar na lista dos mais vendidos, lista essa na qual permaneceu durante cinco meses.

Embora seja uma ficção, todos os fatos narrados no livro, com exceção do sequestro do banqueiro Eriosvaldo, aconteceram na vida real. Se hoje se vê fundos de pensão de estatais praticamente quebrados, tudo isso aparece em Rapina, assim como toda a roubalheira que grassava no mercado naquela época.

Com Rapina nas paradas de sucesso, diversas editoras, é claro, quiseram publicar Os mercadores da noite. Mas preferi vender os direitos para a BM&F, que publicou mil exemplares, numerados, todos com minha assinatura. E me pagou uma grana preta por isso.

A exclusividade durou um ano, após o qual o livro foi lançado pela Rocco. De todos que escrevi até hoje, é o que mais vendeu: 65.572 exemplares.

Minha terceira obra envolvendo o mercado foi, tal como as duas anteriores, uma ficção: Armadilha para Mkamba, a mais elogiada pela crítica. Mkamba é um país fictício da África Ocidental, cuja moeda, o NFM (Novo Franco de Mkamba) sofre um ataque especulativo perpetrado por um megaespeculador inglês.

Os primeiros exemplares chegaram às livrarias em 1998, um ano antes do real brasileiro experimentar a mesma sorte. Quem tem mais de 40 anos de idade, se lembra disso. Do ataque ao real, é claro, pois Mkamba, que se tornou o paraíso do liberalismo, simplesmente não existe. Uma pena... Fico até imaginando o Posto Ipiranga de lá.

Só voltei a escrever sobre o mercado financeiro em 2009, desta vez um não-ficção, Projeto Maratona, patrocinado pela BM&F e editado pela Cultura. Trata-se de um livro parte técnico, parte reportagem, parte história. Mas o assunto principal é o modo como se faz uma IPO.

Em 2014 lancei, pela editora Objetiva, 1929¸ um relato do grande crash da Bolsa de Valores de Nova York. Quatro anos mais tarde, em 2018, os direitos de publicação passaram para a Inversa. Em breve, muito em breve, surgirão novidades a respeito desse livro.

O Terceiro Templo, que narra os conflitos árabe-israelenses e conta a história do petróleo, foi publicado pela mesma Objetiva em 2015.

Já 10 crônicas de um trader foi lançado apenas em e-book pela Inversa, em 2018. E, last but not least, a própria Inversa está prestes a lançar um livro inédito meu sobre o mercado. Aguarde, ainda neste ano, a novidade.

Portanto, caro amigo leitor, às obras que recomendei na semana passada, acrescento agora as minhas. Juntando tudo, equivale na prática a um mestrado em mercado de capitais.

Enquanto isso, vou percorrendo as estantes do apartamento e selecionando, cuidadosamente, os 30 livros que prometi para vocês, obras como Reminiscences of a Stock Operator, de Edwin Lefèvre. Tenho coisas do arco da velha.

Quanto a você, amiga ou amigo, não adianta ficar empilhando livros. Para se tornar um mestre de Bolsas e futuros, é preciso ler um a um, coisa que venho fazendo há quase 60 anos.

Se você tiver críticas, elogios, sugestões ou perguntas ao autor desta newsletter, envie um e-mail para mercadores@inversa.com.br.

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