Investidor Inteligente #4 - Descubra qual rotação setorial você deve fazer

Flávio Conde Publicado em 26/11/2020
9 min
Na quarta edição da newsletter Investidor Inteligente, Flávio apresenta os setores que devem performar melhor em 2021.

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Olá investidor(a), tudo bem?


No nosso bate-papo de hoje, apresentarei para você a rotação setorial você deve fazer agora na sua carteira de ações para ganhar mais em 2021.

E esta é a hora, porque as vacinas contra COVID-19 começarão a ser aplicadas em dezembro, e a economia começará a se recuperar, acelerando em 2021.
Portanto, ao ler com atenção, você vai descobrir quais temas são importantes no momento e quais setores devem performar a partir daí.

Rotação Setorial no Brasil


Como escrevi na newsletter da semana passada, a rotação setorial (ou sector rotation, em inglês) é uma estratégia de investimentos na qual um, dois ou três setores são escolhidos para compor a maior parte de uma carteira de ações em um determinado período – que pode ser um mês, seis meses, um ano ou até cinco anos – em função do ciclo econômico que a economia do um país está passando ou vai passar.

Só que, no Brasil, em vez de ciclo econômico, a rotação setorial normalmente acontece e deve ser feita devido a temas macros e setoriais – tanto positivos como negativos – como dólar, juros, medidas regulatórias, política de preços, novo presidente e outros. 
Antes de revelar os setores para 2021, vou mostrar 4 exemplos recentes de como temas macros e setoriais levaram a rotações setoriais importantes que geraram ganhos e perdas a investidores.

Setor Elétrico

Fonte: www12.senado.leg.br


1º. Tema: MP 579 


A Medida Provisória 579, editada pela presidente Dilma em 11 de setembro de 2012, foi um desastre para os resultados econômico-financeiros de empresas do setor elétrico e suas respectivas ações. 

A MP 579 visava a redução do custo de energia para o consumidor final (em 20%) e foi anunciada depois de meses de o governo Dilma estudar como seriam feitas renovações de concessões de empresas do setor elétrico que venceriam, em sua maioria, até 2015. 

As empresas que concordassem em reduzir os preços de suas tarifas de energia entre 16% e 28% – tanto na geração como na transmissão e distribuição – teriam suas concessões renovadas automaticamente sem necessidade de pagamento.

Já as empresas que não reduzissem suas tarifas teriam que pagar por novas concessões em leilões públicos com risco de perdê-las. 

A Eletrobras, que é controlada pelo Governo Federal, concordou de cara. Quem não concordou e outras empresas do setor tiveram que pagar por suas novas concessões anos mais tarde. 

Sejam quais fossem as decisões das empresas, investidores entenderam (corretamente) que elas passariam a valer menos. E, assim, venderam fortemente as ações do setor elétrico em setembro de 2012, como podemos ver no gráfico abaixo.

Fonte: www.poder360.com.br

 

2º. Tema: Privatização de estatais federais


Como podemos ver no gráfico acima, as ações do setor elétrico, sobretudo as da Eletrobras, só foram se recuperar em 2019 devido a um novo tema: suas potenciais privatizações e de outras empresas estatais. Isso aconteceu com a posse de Bolsonaro, em 1 de janeiro de 2019, e a promessa do ministro da Economia, Paulo Guedes, de privatizar “tudo”. 

Em 2020, percebeu-se que era apenas promessa, e as ações recuaram bem.

Portanto, quem souber acompanhar e analisar as intenções de presidentes e ministros em relação ao setor elétrico pode ganhar um bom dinheiro e, em alguns casos, como ocorreu em 2012, evitar de perder. 

Aos investidores que não querem ou não têm tempo para analisar o setor elétrico e intenções do governo federal, sugiro ficar fora de ações de empresas, do setor, principalmente das estatais, como é o caso da Eletrobras. 

Fonte: www.economia.uol.com.br

 

1º. Tema: Dilma “segura” preço de gasolina e faz investimentos duvidosos


Depois que Dilma Rousseff tomou posse em 1 de janeiro de 2011 até seu impeachment, em 2016, a Petrobras adotou uma política de preços de gasolina e diesel que não acompanhava mais os preços internacionais do petróleo e derivados. Os resultados da companhia, principalmente EBITDA e lucro líquido, começaram a cair. 

Ao mesmo tempo, os investimentos cresciam vertiginosamente – e em projetos de retorno duvidoso, como a Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, que até hoje não foi concluída e custou muito acima do previsto, e refinaria de Pasadena, no Texas, onde o prejuízo foi de US$ 1 bilhão. 

A combinação de resultados decrescentes (e até prejuízos) com altos investimentos elevou a dívida líquida da Petrobras de R$ 62 bilhões no final de 2010 para R$ 332 bilhões no 2º trimestre de 2016, antes de Dilma ser impedida (impeachment). 

 

No gráfico acima, fica claro o estrago que o governo Dilma fez no valor de mercado da Petrobras. Suas ações preferenciais despencam de R$ 21,32, no dia seguinte da posse, em 3 de janeiro de 2011, para R$ 4,14, em 19 de fevereiro de 2016, quando o mercado estava pessimista sobre a possibilidade de a presidente ser impedida.

 

                        Fonte: www.memoria.ebc.com.br                                            
Fonte: www.petrobras.com.br/fatos-e-dados


2º. Tema: Dilma é impedida, Temer assume, e a política de preços de gasolina e diesel volta à paridade internacional. Investimentos são reduzidos, vende-se ativos não estratégicos e endividamento cai.


Em 19 de fevereiro de 2016, e PETR4 a R$ 4,14, investidores começaram paulatinamente a acreditar que Dilma seria impedida (impeachment). Quase dois meses depois, em 17/4/2016, um domingo, a Câmara dos Deputados aprovava o processo de impeachment da presidente. 

Aí, as ações já estavam em R$ 9 e continuaram subindo até o final de 2020, com a nova política de preços da gasolina e diesel, adotada no governo Temer, que voltou a acompanhar o mercado internacional. Além disso, a empresa passou a fazer redução de investimentos, vender ativos não estratégicos – como a BR Distribuidora - e, principalmente, diminuir o seu endividamento líquido. 

Portanto, para lucrar com investimentos em ações da Petrobras é necessário que você acompanhe de perto o preço do petróleo no mercado internacional, a política de preços de gasolina e diesel da companhia, investimentos, vendas de ativos não estratégicos e endividamento líquido. Isso nós também fazemos muito bem na Inversa e você contará conosco para buscar sempre ganhar consistentes ao investir nas ações da Petrobras, tanto nas altas como nas baixas.

 

Pandemia

 

Fonte: www.veja.abril.com.br/saude/coronavirus

 

1º. Tema: Pandemia - 30/12/2019 até 30/6/2020

 

No começo da pandemia, março de 2020, ninguém sabia ao certo o que aconteceria com a economia brasileira devido ao início do lockdown. No pânico, o Ibovespa despencou até 63 mil pontos, em 23 de março. Daí em diante, o mercado começou a se recuperar, porque investidores começaram a enxergar melhor o que poderia acontecer, separando as empresas que conseguiriam desempenhar melhor no período – como as de comércio eletrônico – e as empresas que seriam bem afetadas pelo lockdown, como as empresas aéreas e de turismo.  
 

No gráfico acima, você pode ver como as ações dos setores de comércio eletrônico subiram bem, como B2W (BTOW3), Magazine Luiza (MGLU3), Lojas Americanas (LAME4) e Via Varejo (VVAR3), versus o IBOVESPA e as ações do setor aéreo e de turismo, que performaram mal, como Azul (AZUL4) e CVC (CVCB3).  

Fonte: www.valor.globo.com/financas

 

2º. Tema: Pós-Pandemia - Outubro até 24/11/2020


A partir de outubro deste ano, investidores começaram a comprar ações de empresas que foram prejudicadas pela pandemia, como de bancos, shoppings e educacionais, e passaram a vender ou parar de comprar ações de empresas que foram bem na pandemia, como comércio eletrônico.
 
No gráfico acima, você pode ver como as ações de Itaú Unibanco, Bradesco, BR Malls e Yudqs foram bem desde outubro versus o Ibovespa, ao passo que B2W e Lojas Americanas, que tinham subindo bem no 1º. Semestre, acabaram caindo, enquanto Magazine Luiza e Via Varejo performaram abaixo do Ibovespa.

 

Temas que devem influenciar a rotação setorial da sua carteira de ações

 

 

Depois de termos visto exemplos de que a rotação setorial existe no Brasil e que ela é mais temática, vou mostrar quais temas devem ser considerados agora para você ajustar sua carteira de ações e quais os motivos. 

Os temas são os seguintes: 

  • Vacinação em massa deve favorecer setores que foram muito prejudicados na pandemia, como shoppings, educacionais, aéreas e turismo, porque as pessoas poderão voltar a sair e consumir livremente. Assim, ações de BRMalls, Multiplan, Iguatemi, Aliansce Sonae, Yudqs, Ânima, Ser, Cogna, Azul, Gol e CVC devem performar bem no período.

 

  • Combinação de dólar mais fraco frente as principais moedas, juros muito baixos nos EUA e Europa e da manutenção de estímulos econômicos em vários países deve acelerar a retomada da economia mundial, gerando maior procura por matérias-primas industriais, como minério de ferro, aço e alumínio, petróleo e papel/celulose. Assim, ações como Petrobras, Vale, CSN, Usiminas, Gerdau, Petrobras, Suzano e Klabin devem performar bem no período.

 

  • Economia brasileira reabrindo, crescendo bem em 2021 e real se valorizando frente ao dólar devem fazer investidores diminuírem posições em ações de empresas que foram favorecidas no período de pandemia, principalmente, comércio eletrônico, supermercados e exportadoras. Assim, ações de Magazine Luiza, Via Varejo, B2W, Lojas Americanas, Pão de Açúcar, Carrefour e WEG devem performar abaixo do mercado porque já subiram bem em 2020.

 

Conclusão

 

Agora que você já sabe quais temas devem influenciar a rotação setorial das carteiras de ações dos principais players do mercado, olhe a sua carteira e faça os ajustes necessários.
As séries da Inversa te orientarão mais profundamente quais ações comprar. Você pode olhar principalmente nas séries Top Trades e Dividendos Extremos, ambas do Felipe Paletta, e The Wealth Club.

Por último e muito importante: você deve estar sempre atento aos temas econômicos e setoriais mais relevantes que podem afetar preços de ações brasileiras. Essa é a lição número 4 do Investidor Inteligente. 

Na próxima newsletter do Investidor Inteligente, focarei num tema que você sempre quis saber em profundidade, e ninguém tinha explicado ainda. Aguarde.

Até a próxima.
Abraços, 

Flávio Conde

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