Investidor Inteligente #3 - Como a Rotação Setorial pode fazer sua Carteira de Ações render mais?

Flávio Conde Publicado em 19/11/2020
1 min
Na terceira edição da Investidor Inteligente, Flávio Conde apresenta de qual forma o desempenho setorial se relaciona com o ciclo econômico

Conteúdo também disponível em vídeo e áudio. Clique abaixo para acessar a plataforma:

Youtube Spotify Apple Google Deezer

Olá investidor(a), tudo bem?

Meu nome é Flávio Conde, sou o novo estrategista da Inversa. Esta é minha terceira newsletter Investidor Inteligente.

Nesse nosso bate-papo de hoje, apresentarei para você uma estratégia de carteiras de ações muito rentável, chamada Rotação Setorial, utilizada há décadas nos EUA e por gestores de carteiras de fundos de ações no Brasil.

E, neste instante, estamos numa época crucial que é a saída da recessão do segundo trimestre e a perspectiva de uma vacina contra a Covid-19.

Portanto, você vai ler com atenção e aprenderá como fazer uma rotação setorial nas próximas linhas. 

Vamos lá?
 

Rotação Setorial

A rotação setorial – sector rotation, em inglês – é a estratégia de investimentos em carteiras de ações na qual um, dois ou três setores são escolhidos para terem maior participação dentro da seleção em um determinado período – pode ser um mês, seis meses, um ano ou até cinco anos – em função do ciclo econômico que a economia de um país está passando e/ou passará.

Lembrando que, no segundo trimestre, a necessidade do stay at home (“fique em casa!”) favoreceu ações de empresas como Apple, Amazon, Netflix e Google, nos EUA; e Magalu, Via Varejo, Locaweb, B2W e outras, no Brasil.

Antes de contar para você quais setores e empresas podem ser favorecidos nessa nova fase da economia, vamos entender um pouco melhor o que são ciclos econômicos e quais os principais setores que as empresas operam.

Vamos focar bastante nos EUA por dois motivos: eles que inventaram e nos ensinaram o que são ciclos econômicos e foram os primeiros que dividiram as empresas em setores nas bolsas de valores.
 

Ciclos Econômicos

Um ciclo econômico pode durar um ou vários trimestres, dependendo principalmente das condições macroeconômicos associadas a ele, como risco-país, juros, valor da moeda nacional, oferta de crédito, incentivos setoriais (como Minha Casa, Minha Vida para o setor imobiliário), crescimento da economia mundial – principalmente, EUA, China e Europa – e privatizações.

Os ciclos econômicos têm basicamente duas fases, expansão e recessão, e dentro de cada fase existem mais duas, o início e o fim.

Vou apresentar para você agora o quadro feito originalmente pelo Corporate Finance Institue (CFI) e ampliado por mim para entender melhor os ciclos econômicos:
 

Agora, vamos mais a fundo nos setores econômicos para depois entender como cada um reage nos ciclos econômicos.
 

Setores Econômicos

Os setores econômicos, naturalmente, já existiam antes das bolsas de valores nos EUA, como as ferrovias, bancos, comércios, mineradoras de ouro, agricultura e outros.

Com a evolução da economia ao longo do tempo, novos setores surgiram e, pelo advento da tecnologia, se proliferaram mais ainda.

Em 1957, foi criado o índice Standard & Poor´s 500, contendo as 500 maiores empresas dos EUA por valor de mercado.

Mais tarde, em 1999, o índice S&P 500 deu origem a divisões setoriais, de modo a permitir que investidores acompanhassem também o desempenho diário de cada segmento.

A Standard & Poor’s (S&P) e a Morgan Stanley Capital International (MSCI) dividiram as empresas em 11 setores, sendo a divisão atual a seguinte:

1. Tecnologia da Informação é um setor composto por companhias que desenvolvem ou distribuem computadores, microprocessadores, softwares (programas de computadores), smartphones, smartwatches, e outros dispositivos que ainda nem foram lançados comercialmente;

2. Cuidados com Saúde é um setor composto por companhias de serviços médicos (hospitais), equipamentos médicos, planos de saúde, laboratórios de análise clínica e outros;

3. Bancos e Serviços Financeiros é um setor composto por todos os participantes do mercado financeiro, de bancos a fintechs, passando por seguradoras, plataformas de investimentos, corretoras de valores, cartões de créditos, bolsa de valores e futuros, e outras que surgirão;

4. Consumo Discricionário é um setor composto por empresas que produzem e/ou vendem, produtos não necessários para sobrevivência, como carros, jóias, materiais para esporte, eletrônicos e outros;

5. Serviços de Comunicação é um setor composto por empresas que fornecem serviços de telecomunicações, ligações de voz, dados, TV por assinatura, fibra, telefonia móvel, internet e outros que surgirão;

6. Indústria é um setor composto por vários tipos de produtos industriais, de bens de capital a cimento, passando por aeronaves;

7. Bens de Consumo são o oposto dos produtos de consumo discricionário por ser composto por empresas que produzem bens essenciais para as necessidades diárias como alimentos, bebidas, produtos de limpeza doméstica e produtos pessoais.

8. Energia, setor chamado no Brasil de Petróleo, Petroquímico e Gás (industrial), é composto por empresas produtoras de petróleo e derivados como gasolina, diesel, óleo combustível, nafta e gás, bem como empresas produtoras de petroquímicos básicos, resinas e intermediários.

9. Serviços de Utilidades Públicas é um setor formado por empresas de produtoras de energia elétrica, eólica, solar, transmissoras e distribuidoras bem como companhias de saneamento básico, água, esgoto e gás para uso comercial e residencial.

10. Imobiliário é um setor formado por incorporadoras e construtoras de empreendimentos comerciais e residenciais, além de corretoras de imóveis, shopping centers e empreendimentos comerciais para venda e locação.

11. Materiais é um setor formado por empresas que produzem matérias-primas – minério de ferro, cobre, zinco e outras – para setores industriais. O setor é formado por empresas mineradoras, siderúrgicas, papel e celulose, madeira e outros.

 

Melhores Setores para cada Ciclo Econômico

Agora, a parte mais difícil (e muito útil para o investidor) é se posicionar nos melhores setores, a depender da fase do ciclo econômico.

Nos EUA, onde a estratégia de rotação setorial é utilizada há décadas, existe certo consenso na seguinte divisão:

Início do ciclo de expansão:

A economia está emergindo da recessão, assim como vimos no terceiro trimestre deste 2020 conturbado, com o pós-isolamento social e fechamento da economia em vários países do mundo, mas em graus diferentes. 

As famílias começaram a sair de casa e consumir mais, mas com parcimônia e indo pouco a shoppings e restaurantes.

Indústrias saem na frente porque os estoques estão baixos, como está ocorrendo no Brasil, e a demanda cresce mais rápido que o esperado.

Materiais vão crescer rapidamente porque as indústrias acelerando vão demandar mais aço, mais minério de ferro, mais papel, mais celulose e mais madeira que são matérias-primas de seus produtos.

Imobiliário também evolui bem porque juros estão baixos, a oferta de financiamento de crédito imobiliário aumenta e preços dos imóveis ainda não subiram tanto.

Bens de Consumo também vão bem porque as famílias consomem mais bens básicos de supermercados como alimentos, bebidas, produtos de higiene e limpeza.

Serviços de Comunicação também serão mais consumidos na volta do crescimento com famílias assinando mais TV à cabo, planos de operadoras de celulares mais caros, mais velocidade de internet e fibra.

Pico do ciclo de expansão:

A economia está crescendo bem e atinge o pico da expansão. Nos EUA e Brasil, esse período ainda vai demorar para chegar e pode ocorrer em 2022-23 depois de uma recuperação da economia em 2021.

Bancos e Serviços Financeiros ganham muito dinheiro porque a economia está bombando, com famílias e empresas pagando e renovando empréstimos, aplicando em produtos de investimentos, previdência e seguros. A B3 estará com volume diário de negociação subindo a cada mês e o Ibovespa batendo recordes.

Consumo Discricionário também dispara porque famílias passam a comprar mais produtos sofisticados como roupas, carro, joias, viagens, hotéis e outros.

Cuidados com Saúde também vai bem porque as famílias têm mais recursos e podem pagar planos de saúde, fazer exames laboratoriais e outros.

Tecnologia também dispara porque as pessoas estão com dinheiro, confiantes e vão gastar mais em tecnologia, principalmente, smartphones, smartwatches e notebooks.

Início do ciclo de recessão:

Essa fase ocorre depois do pico da expansão, com famílias e empresas endividadas no limite; e bancos centrais começando a aumentar juros, pois o consumo muito forte durante alguns anos pressionou preços e fez com que a inflação disparasse. 

As vendas das empresas começam a cair e as margens comprimem, com a alta de preços de matérias-primas e mão de obra. Sobram poucos setores para investir e bolsa cai.

Bens de consumo se seguram porque as famílias continuam consumindo bens básicos que são vendidos nos supermercados, pois é o início do ciclo de recessão, com o emprego ainda alto e no início da recessão esses bens caem menos do que bens de valor mais alto e mais ligados ao ciclo de expansão da economia.

Pico do ciclo de recessão:

Essa fase, naturalmente, é a pior dos ciclos econômicos e praticamente todos os setores são afetados negativamente porque o desemprego está muito alto, as rendas das famílias caem e os gastos mensais são reduzidos ao máximo. Porém, há um setor da economia que sofrerá bem menos que os demais: serviços de utilidade pública.

Serviços de Utilidades Públicas são pouco afetados porque seus serviços têm baixa relação (elasticidade) com o ritmo da economia e famílias continuam a consumir. Esses serviços são energia elétrica e gás, água e tratamento de esgoto.

Veja no quadro abaixo da rotação setorial para ficar mais claro os setores e as fase de cada ciclo econômico:


Conclusão

Assim, depois de entender quais setores reagem melhor a cada ciclo econômico, você poderá escolher melhor quais BDRs (Brazilian Depositary Receipts) deve concentrar sua carteira de investimentos nesse final de ano.

A Inversa tem uma série campeã chamada Top Trades e capitaneada pelo Felipe Paletta, um dos melhores analistas da nova geração, onde ele seleciona de dois a três BDRs toda quinzena para você ganhar mais no curto prazo.

Clique aqui e conheça a série Top Trades.

Por último, compartilho com você mais uma lição do Investidor Inteligente, a número 3, que é:

Quando você for montar sua carteira de ações comece pelos setores antes de escolher as ações e considere a fase dos ciclos econômicos antes de escolher o setor.

Isso é crucial porque dependendo da fase do ciclo econômico, os resultados das empresas de certos setores – vendas, receitas, margens, geração de caixa e lucros – devem crescer mais e ser mais robustos do que empresas de outros setores.

E, portanto, as ações dessas empresas devem valorizar mais do que a média do mercado.

Na próxima newsletter do Investidor Inteligente, focarei nos setores econômicos do Brasil cujas empresas podem performar melhorar nos próximos meses.

Até lá

Abraços,

Flávio Conde

A Inversa é uma Casa de Análise regularmente constituída e credenciada perante CVM e APIMEC.

Todos os nossos profissionais cumprem as regras, diretrizes e procedimentos internos estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários em sua Instrução 598, e pelas Políticas Internas estabelecidas pelos Departamentos Jurídico e de Compliance da Inversa.

A responsabilidade pelas publicações que contenham análises de valores mobiliários é atribuída a Felipe Paletta, profissional certificado e credenciado perante a APIMEC.

Nossas funções são desempenhadas com absoluta independência, não sendo dotadas de quaisquer conflitos de interesse, e sempre comprometidas na busca por informações idôneas e fidedignas visando fomentar o debate e a educação financeira de nossos destinatários.

O conteúdo da Inversa não representa quaisquer ofertas de negociação de valores mobiliários e/ou outros instrumentos financeiros. Os destinatários devem, portanto, desenvolver as suas próprias avaliações.

Todo o material está protegido pela Lei de Direitos Autorais e é de uso exclusivo de seu destinatário, sendo vedada a sua reprodução ou distribuição, seja no todo ou em parte, sem prévia e expressa autorização da Inversa, sob pena de sanções nas esferas cível e criminal.  

Conteúdo protegido contra cópia