Investigador Financeiro #51 - Compre e espere. Será?

Andre Zara Publicado em 16/03/2019
3 min
Como identificar quando a estratégia de “buy and hold” é a mais adequada? Veja nesta newsletter os comentários do André Zara sobre o assunto

Olá.

Na newsletter de hoje vou continuar a falar sobre o investimento em renda variável.

Na semana passada eu já falei sobre dividendos, lembra? Agora, está na hora de falarmos um pouco mais de estratégias de investimentos em ações.

Leia abaixo.

 

Olá! Eu gostaria de saber se posso comprar uma ação e posso fazer um buy and hold por quantos anos? – Gabriel B.

Obrigado pela pergunta, Gabriel. Vou primeiro explicar o que é exatamente “buy and hold”.  Na tradução literal do inglês para o português, quer dizer “comprar e manter”.

Essa é uma estratégia comum entre os investidores de ações, que compram um ativo e esperam ele subir. Quanto tempo? Bom, isso depende.  O tempo é um importante aliado do investidor, mas só se você escolher a ação certa.

Deixa eu te mostrar o caso da ação da small cap Magazine Luiza (MGLU3), levando em conta um horizonte de 5 anos. 

Em dezembro de 2015 a ação valia R$ 1. Isso mesmo. O mercado não botava muita fé na varejista e suas ações valiam menos do que um refrigerante.

Mas se você tivesse comprado nesse período e tivesse feito o “buy and hold” hoje estaria comemorando, pois as ações estão na casa do R$ 178.

No entanto, quero aqui fazer duas considerações. A primeira é que a pessoa que apostou na Magazine Luiza naquela época precisaria ter feito um estudo aprofundado do caso para ter a convicção de que a empresa iria melhorar nos próximos anos. Afinal, essa é toda a lógica da estratégia: apostar em algo que o mercado não está vendo.

E, segundo, ter paciência e sangue frio para surfar a alta toda. Eu, sinceramente, acredito que poucas pessoas pegaram todo esse retorno. Se você tivesse investido com a ação a R$ 1, em 2015, duvido que, em agosto de 2017, quando ela valia R$ 50, já não estaria louco para realizar lucros. Mas ela subiu muito mais...

Agora, vamos fazer o mesmo exercício de “buy and hold” com as ações da Petrobras (PETR3).

Em agosto de 2014, a ação valia em torno de R$ 22. Muitas pessoas acharam que era hora de comprar. Depois disso, a ação passou por vários altos e baixos, chegando a ser cotada a R$ 6, em 2016. Hoje está por volta de R$ 31.

Ou seja, nesse caso, o “buy and hold” ajudou, mas não muito. Por quê? A estatal sofreu investigações, pressões da política, escândalos, etc. Você teria que ter acertado aquela compra de R$ 6 para hoje estar mais feliz.

Também existe uma outra questão importante: as blue chips, ações de empresas gigantes, normalmente têm menos espaço para crescer do que uma small cap. É uma questão de lógica simples...

A Petrobras dificilmente iria dobrar ou triplicar de tamanho em poucos anos, enquanto a Magazine Luiza tinha muito para se desenvolver, por ser uma empresa menor.

Por isso, a estratégia não é infalível, assim como outras disponíveis do mercado. Para usar o “buy and hold” da forma eficiente você precisa escolher as ações certas, ter paciência e sangue frio.

Gostou dessa newsletter? Então continue enviando as suas perguntas sobre investimentos para mim por este link.

Um abraço, 

André Zara.

A Inversa é uma Casa de Análise regulada pela CVM e credenciada pela APIMEC. Produzimos e publicamos conteúdo direcionado à análise de valores mobiliários, finanças e economia.
 
Adotamos regras, diretrizes e procedimentos estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários em sua Resolução nº 20/2021 e Políticas Internas implantadas para assegurar a qualidade do que entregamos.
 
Nossos analistas realizam suas atividades com independência, comprometidos com a busca por informações idôneas e fidedignas, e cada relatório reflete exclusivamente a opinião pessoal do signatário.
 
O conteúdo produzido pela Inversa não oferece garantia de resultado futuro ou isenção de risco.
 
O material que produzimos é protegido pela Lei de Direitos Autorais para uso exclusivo de seu destinatário. Vedada sua reprodução ou distribuição, no todo ou em parte, sem prévia e expressa autorização da Inversa.
 
Analista de Valores Mobiliários responsável (Resolução CVM n.º 20/2021): Antonyo Giannini, CNPI EM-2476

Conteúdo protegido contra cópia