Investigador Financeiro #43 - Você nunca será dono do seu imóvel

Andre Zara Publicado em 19/01/2019
4 min
Mesmo que já possua um

 

Olá.

Hoje, quero discutir com você uma questão que me incomoda.

Falo sobre o sonho da casa própria, o desejo de 10 em 10 brasileiros. Bom, talvez 9 em cada 10, porque eu não quero ter um imóvel.

E explico os motivos.

Entendo que muitos investidores ganham rios de dinheiro com imóveis. Mas sei que essas pessoas são especializadas, não têm amor pelos ativos. Para elas, casas são apenas caixas baratas ou caras. Ponto.

Agora, quando você pensa na casa própria existe um grande envolvimento emocional, não é mesmo?

Claro que existem vários fatores que pesam a favor da compra, como não ter que pagar mais aluguel, a própria valorização do ativo, a segurança de se ter um bem físico, etc.


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No entanto, o que me incomoda é a imobilização de uma grande parte do patrimônio em apenas um ativo – o que fere o princípio da diversificação – e a baixa liquidez.

Basicamente, na maioria dos casos, você se endivida por anos para comprar e, principalmente em épocas de crise, fica muito difícil de vender – a não ser com um grande desconto.

Entenda, não estou falando de cálculos matemáticos para ver se vale a pena ou não, mas de princípios. Eu não consigo fazer a separação do investidor com a “pessoa física”.  

Para mim, não faz sentido. Sei que isso pode vir da minha percepção de não ser casado e não ter filhos. Creio que isso faz diferença para qualquer mãe ou pai de família.

Mas me incomoda muito um outro fator, que poucos consideram: um imóvel nunca será realmente seu.

Se você deixar de pagar o IPTU, seu imóvel pode ir a leilão. Se você deixar de pagar o condomínio do seu apartamento, pode ir a leilão. Se você não consegue pagar o seu financiamento bancário, vai a leilão...

Ou seja, mesmo que você controle o bem, ele sempre está a perigo de ser tirado de você, se você não continuar pagando. Fora os custos de manutenção e a depreciação do ativo.

Isso não faz sentido para mim. E para você?

Eu quero saber o que você acha. Escreve para mim a sua opinião no investigador@inversapub.com.

   

André, sou investidor recente e já invisto no Tesouro Direto, assim como em ações. Mas sou servidor público e, como tal, tenho de formar a tão propagada reserva de emergência? - Antônio E.

Antônio, muito obrigado pela questão. Ela vai nos ajudar a explorar não só a questão da reserva de emergência, mas também a do perfil de risco.

Respondendo diretamente à sua questão: sim, você deve formar a sua reserva com pelo menos 3 meses das suas despesas mensais. Eu, particularmente, gosto de 6 meses. Para mim, esse é o dinheiro mais sagrado do mundo.

Eu entendi a lógica da sua pergunta: você é funcionário público, ou seja, tem uma forte previsibilidade de renda – salário cai todo mês religiosamente na conta e tem baixo risco de demissão.

Mas você não está contando com eventos imprevisíveis da vida. Pense em todas a coisas que podem dar errado no cotidiano, das mais simples às mais complicadas. Elas acontecem. A sua reserva é o que dará tranquilidade para enfrentar esses desafios.

Você conta que tem ações. Então, imagine que algo imprevisível aconteceu e é necessário dinheiro rápido para resolver. Você provavelmente irá vender seus ativos, bem quando eles estão se valorizando.

Você quer realmente perder seus possíveis retornos futuros por causa de um problema cotidiano?

Entendo que você, como funcionário público, pode ter sim um portfólio mais arrojado, por causa do seu emprego.

O que é uma situação bem diferente de um profissional autônomo, por exemplo, que tem ganhos variáveis e precisa escolher ativos mais líquidos e conservadores para investir.

A sua posição é mais confortável para tomar riscos, mas o que permitirá essa liberdade não é somente o seu emprego, mas a sua reserva de emergência.

Por isso, faça as suas contas, descubra quanto você gasta por mês, forme a sua reversa e invista para garantir a sua liberdade financeira.

Um abraço,

André Zara

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