Ideias do Paletta #4 - Catalisador ou fogo de palha?

Felipe Paletta Publicado em 02/03/2020
4 min
Epidemia levará o mundo à recessão ou apenas acelera o processo natural de reversão de ciclo das principais economias? Não é uma resposta fácil.

 

Caro leitor,

Lembro de ter assistido, logo no começo do ano, a uma entrevista do megainvestidor e guru Howard Marks – para quem não sabe, ele é sócio fundador da Oaktree Capital e autor dos livros De zero a cem e Dominando o ciclo de mercado.

De tudo que ele falou naquele momento, o que mais me marcou foi a resposta a uma pergunta sobre o tamanho dos riscos para os mercados, que há mais de dez anos estão em alta. Para contextualizar, o S&P 500, principal índice acionário dos EUA, subiu mais de 30% apenas em 2019.

A resposta foi a seguinte: “Quando você pensar em risco, não pense apenas nas coisas ruins que podem acontecer. Pense nos níveis de onde você está partindo”.

Ele fez o comentário pouco tempo depois do ataque norte-americano a um importante líder iraniano e algumas semanas antes de os mercados entrarem em pânico com os efeitos da propagação do coronavírus, conhecido oficialmente por covid-19.

Uma coisa que não sai da minha cabeça desde então é se a forte correção das bolsas reflete apenas um comportamento de curto prazo, que incorpora os impactos imediatos, porém robustos, de uma recessão forçada da atividade econômica global, ou se seria um catalisador do processo de reversão de ciclo das principais economias do mundo, especialmente China e Estados Unidos.

Não é nada fácil responder.

Vamos lembrar que, em 2013, aquela manifestação que começou como uma insatisfação popular quanto aos reajustes na tarifa do transporte público em pouco tempo virou um movimento muito maior.

Aposto que você se lembra do: “Não é pelos 20 centavos”.

Esse evento, que começou despercebido, deu início a um longo período de transição política, econômica e ideológica no Brasil. Na história do mundo, o que não faltam são exemplos como este.

Retire aqui sua cópia do livro 1929: a quebra da Bolsa de Nova York, por Ivan Sant'Anna.

Se minha opinião tem algum valor aqui, eu diria que, a julgar pela pronta disposição dos bancos centrais em injetar mais liquidez no sistema, para limitar os impactos da paralisação forçada da economia, tudo me leva a crer que o surto fará apenas uma rasura nos gráficos dos principais índices de ações globais.

Pelo menos até que os indicadores econômicos dos Estados Unidos e da própria China apresentem sinais mais claros de deterioração. Até lá, as torneiras estarão abertas e a dupla bolsa/títulos pré-fixados e indexados de longo prazo deve seguir dando alegria aos investidores aqui no Brasil.

Com a sinalização de que o Fed promoverá novos cortes em sua taxa de juros, vejo o Banco Central brasileiro inclinado a seguir o movimento, especialmente porque as expectativas para o IPCA acumulam quedas consecutivas, sobrepondo, inclusive, a declaração do BC na última ata do Copom, que sugeria encerramento do ciclo de expansão monetária.

Por outro lado, se o coronavírus for mesmo o sinal de um movimento muito maior, ou seja, de que estamos diante do início de um bear market nas bolsas globais, prezar pela diversificação – não só entre classes de ativos financeiros, mas também entre teses de investimento – e segurar uma confortável posição de caixa, dólar e ouro em sua carteira vão ajudar, e muito, você a seguir no jogo.

É preciso lembrar que estamos em um momento distinto em termos de ciclo econômico, se nos compararmos às principais economias do mundo.

Por mais que sejamos impactados pela queda da demanda global, o avanço das reformas estruturais e o progressivo – apesar de lento – processo de redução de dívidas das empresas e das famílias permitirão crescimento de forma sustentável, e por muito mais tempo. Também vão permitir que o mercado de capitais se desenvolva mais rapidamente no Brasil, o que significa mais oportunidades para você, como investidor, alocar o patrimônio.

Caso você já tenha se posicionado e esteja roendo as unhas em razão das últimas quedas, tenha paciência e evite fazer besteiras. Se possível, aproveite para fazer alguns investimentos com o excesso de caixa.

E se você vai entrar no bonde agora, vá comprando aos poucos. Não tente descobrir o momento perfeito. Ele não existe.

E, antes de ir, quero te convidar para assistir à minha minissérie especial sobre como investir em Fundos Imobiliários. Se você já investe, ou ainda não, quero te mostrar o jeito mais lucrativo de receber alugueis de imóveis (sem ter que pagar Imposto de Renda). Clique aqui e veja gratuitamente. 

Um abraço e até semana que vem!

Felipe Paletta

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