Ideias do Paletta #33 - Comprando Value n’ Yield

Felipe Paletta Publicado em 23/11/2020
4 min
Entenda como a rotação setorial acontece e veja qual a melhor forma de se posicionar agora

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Olá!

Entre incertezas, ruídos e riscos de curto, médio e longo prazo que emergem todos os dias, a bolsa brasileira alcançou, na última semana, os patamares mais elevados desde a eclosão da pandemia.

A novidade recente aponta para aparente virada de mão dos investidores de empresas ligadas à tecnologia, as que foram mais beneficiadas pela conjuntura pós-Covid-19, para companhias de valor (usualmente corporações consolidadas, com elevado grau de maturidade) e boas pagadoras de dividendos.
 

Desempenho dos principais ETFs (fundos de índice) nos EUA por fatores (3 anos)

(linha roxa: small cap; azul: valor; laranja: alto dividend yield; vermelho: crescimento)

Olhando para o gráfico anterior, com o comportamento dos ETFs listados na bolsa norte-americana (fundos que compram carteiras teóricas de ativos com base em um índice de referência, como o Ibovespa, por exemplo), isso fica bem evidente.

Enquanto as ações de empresas em fase de crescimento (growth) parecem corrigir os excessos e os ganhos acumulados desde o início da pandemia, as pequenas empresas (small caps), as boas pagadoras de dividendos (high dividend yield) e as teses de valor (value) ensaiam uma recuperação.

 

Desempenho dos principais ETFs (fundos de índice) nos EUA por fatores (desde setembro)

(linha roxa: small cap; azul: valor; laranja: alto dividend yield; vermelho: crescimento)

Para deixar um pouco mais claro a diferença entre teses de crescimento, valor, alto dividend yield e small caps, vou mostrar as ações de maior peso em cada uma das carteiras teóricas desses ETFs:

Fonte: Bloomberg | Elaboração: Inversa

Em teses de crescimento, temos as gigantes da tecnologia, como Apple, Microsoft, Amazon e Alphabet (dona do Google). Em valor, empresas maduras, como Disney e Johnson & Johnson.

Agora que isso ficou claro, fica mais simples explicar a razão pela qual essa rotação temática está acontecendo.

 

The Hangover Effect

Partilho da opinião de que isso se deve não só aos descompassos de precificação das empresas, mas especialmente pela leitura de que muitas das mudanças promovidas pela pandemia não serão estruturais.

Um verdadeiro hangover effect (efeito ressaca).

Isto é, não é porque as empresas tiveram que se digitalizar, que você passou a comprar tudo online, ou ainda que assinou mais serviços de streaming, que tal comportamento se perpetuará.

Aos poucos, mesmo diante do aumento dos casos de contágio em todo o mundo, as pessoas estão voltando às ruas.

Não estou dizendo que nada vai mudar. Pelo contrário, a pandemia acelerou várias transformações que poderiam demorar anos para ocorrer.

Estou apenas dizendo que agora começa a ficar mais claro os potenciais reflexos do choque que vivemos em 2020.

Neste sentido, entendo ser inteligente adicionar na sua carteira ativos de empresas boas pagadoras de proventos e teses de valor.

Vejo duas formas de buscar essa exposição de forma passiva, uma no Brasil e outra no exterior.

Se você investe na Bolsa brasileira, uma boa pedida seriam os ETFs DIVO11 (segue o índice de dividendos da B3) e o SMAC11 (segue o índice de small caps da B3). Se você possui uma conta nos EUA, sugiro a compra dos ETFs IWD (value) e VYM (high dividend yield).

Por último, lembre-se de que estou falando aqui de teses para o longo prazo (acima de três anos), portanto, sugiro que invista aos poucos, respeitando o seu limite de risco.

Bom, vou ficando por aqui. Se você gostou dessa newsletter não esqueça de escrever para ideias@inversa.com.br dizendo o que achou, combinado?

Grande abraço,

Felipe Paletta, CNPI

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