Ideias do Paletta #27 - O bafo do dragão: e se a inflação voltar a subir?

Para não ser surpreendido, melhor estar preparado: veja quais ativos vão te proteger agora

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Nota do editor: Felipe Paletta mostra a você como se preparar contra a inflação e quais ativos você deve ter para se proteger.

Olá leitor(a)!

Há quanto tempo não fazíamos a “compra do mês” aqui em casa...

A quarentena nos forçou à adaptação e nos primeiros meses de enclausuramento vimos de tudo, inclusive corrida por papel higiênico.

A pandemia trouxe momentos de reflexão e memórias de uma época em que outro vírus circulava entre nós: a inflação. 

Diante do risco de ver o dinheiro virar pó, era comum entre as décadas de 1980 e 1990 que as pessoas corressem aos supermercados logo após o pagamento, usualmente no começo e no meio do mês, para evitar pagar na banana o quilo da carne.

E mesmo com a quebra da memória inflacionária pelo sucesso da implementação do Plano Real, em 1994, por muito tempo as práticas de consumo permearam o inconsciente popular.

Claro que com o passar do tempo e com a presença cada vez menos frequente dos (re)marcadores de preço nos corredores dos supermercados, as pessoas se adaptaram à nova realidade.

Bendita seja a nossa capacidade de adaptação.

Esse fenômeno explica, inclusive, o fato do Brasil formar excelentes economistas

Na tentativa de conter o bafo do dragão, que corroía as entranhas da economia nacional, tentamos de tudo, do congelamento nos preços ao confisco da poupança. 

Pergunte lá fora e ouvirá apenas hipóteses acadêmicas.

Sem margem para comparação, as memórias dos velhos hábitos não trazem qualquer ligação com o presente, mas ainda assim abrem espaço para reflexão.

A inflação é silenciosa e tão difícil de domar quanto um touro.

“Assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda e um sistema financeiro sólido e eficiente”.

Antes ancorado logo abaixo do símbolo do Banco Central do Brasil, a missão que sempre fora destacada dentro de seu site foi reduzida ao rodapé em sua última reformulação – sinal claro, em minha opinião, de que os tempos são outros.

Como os livros do Dan Brown bem me ensinaram, a resposta está sempre nos mínimos detalhes.

E por mais que eu acredite que estruturalmente vivemos em um Brasil em que juros e inflação devem permanecer em patamares muito inferiores à realidade dos últimos 20 anos, a conjuntura global nos força a refletir sobre as consequências das ações dos governos, além do risco de pagar o pato com o nosso próprio patrimônio investido.

Claro que eu concordo: os avanços da globalização e da tecnologia criaram ambiente propício para a queda da inflação em todo o mundo, mas a grande incógnita para mim reside, hoje, nos desafios que a necessidade de forte intervenção dos governos nas economias nos impuseram, assim como no conflituoso processo de transição de hegemonia econômica dos EUA para a China.

Após anos de injeção de dinheiro nas economias, desde a crise de 2008, os desafios que surgiram com 2020 trouxeram à tona a discussão sobre qual seria a capacidade dos países continuarem crescendo através de estímulos fiscais.

Assim como o conflito – no meu ponto de vista – secular entre EUA e China traz dúvidas quanto à probabilidade de reversão, mesmo que marginal, do processo de globalização. O que traria consequências brutais para a cadeia de produção global e refletiria sobre a trajetória da inflação.

Além disso, se engana quem pensa que a queda dos preços em meio à pandemia se deu de maneira uniforme:

Dê uma olhada na tabela anterior e verá que nos últimos meses os preços caíram muito menos – e subiram muito mais – nas classes de renda mais baixa da população brasileira, com a inflação acumulada nos últimos 12 meses na casa dos 3%, contra 1,7% nas faixas de renda alta.

Isso significa, virtualmente, que uma retomada mais forte da economia nos próximos anos provocaria uma retomada mais vigorosa dos preços nas classes mais abastadas, elevando assim rapidamente os índices amplos, como o IPCA, por exemplo.

A crise global e a necessidade do governo intervir em um momento em que as contas públicas já eram um desafio trouxeram pressão adicional para o câmbio de países em desenvolvimento (como o Brasil), provocando aumento no preço das commodities e afetando toda a cesta do consumidor, que tem visto o preço do leite e do milho subir, por exemplo.

Não fosse essa uma preocupação, o presidente do FED, o Banco Central do EUA, não teria trazido a público a intenção de utilizar o comportamento médio da inflação nos próximos meses como termômetro para definição da taxa de juros – usualmente os juros sobem antes dos estímulos se traduzirem em alta do nível de preços.

Assim como o presidente Jair Bolsonaro não teria cobrado explicações à associação dos supermercados pelo aumento abrupto dos preços dos itens da cesta básica.

Nós, brasileiros, sabemos como ninguém que com inflação não se brinca e por mais que tudo pareça sob controle, as assimetrias para os investidores nunca foram tão grandes.

Com juros praticamente zerados em todo mundo, a capacidade de estímulos ao crescimento econômico me parece muito menor do que os potenciais riscos de um repique consistente dos níveis de inflação, que provocaria um aumento coordenado das taxas de juros.

É por isso que tenho sugerido aos meus seguidores que considerem incluir em seu portfólio um pouco de ouro, e ativos reais, como ações de empresas com forte capacidade de repasse de preços – gosto das transmissoras de energia elétrica, por terem correção monetária prescritas junto ao regulador – e fundos imobiliários.

Por isso, mova-se, para não ser surpreendido(a) pelo bafo do dragão.

Um abraço e uma ótima semana a todos!

Felipe Paletta

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