Ideias do Paletta #16 - Seis riscos que vão te perseguir o resto do ano

Felipe Paletta Publicado em 06/07/2020
1 min
Invariavelmente da recuperação da economia, existem ameaças persistentes em todo segundo semestre: confira aqui o que pode tirar seu sono.

Conteúdo disponível também em áudio e vídeo nas plataformas abaixo:

Apple Podcasts Google Podcast Spotify Deezer RSS Youtube Telegram

(clique para ver ou ouvir)

Nota do editor: nos próximos minutos, Felipe Paletta mostra para você quais são os principais riscos do mercado para o segundo semestre.
Agora, você pode ter acesso a Inversa na palma da sua mão. Baixe nosso aplicativo, disponível em Android e iOS.

“Todo mundo vai falhar, mas se você fizer isso com a mente aberta, conseguir mapear bem, aprender e melhorar, aumentará a probabilidade de acertar - e isso leva ao sucesso. Essa é a fórmula.”

Ray Dalio, em Princípios para o Sucesso.

Olá, leitor(a)!

Dor + Reflexão = Progresso

Desde pequeno, sempre levei muito a sério a ideia de “aprender com os erros”.

Desconfio, aliás, que uma das primeiras lições que a vida dá a todos nós é justamente a percepção de que vivemos de altos e baixos.

E que, por meio da experiência, somos capazes de diminuir o tamanho (ou a dor) desses vales.

No mercado financeiro, a mesma lógica se aplica.

Por melhor que você seja em modelagem financeira, e por maior que seja o seu controle emocional, é impossível conter os equívocos. Eles vão acontecer.

Lucros, consistência e tranquilidade na Bolsa. Palestra na UNICAMP Exclusiva (Veja agora!)

2020, até aqui, foi um ano muito desafiador. E tudo bem se a sua performance está aquém do que você almejava.

“Onde foi que errei? Estava muito comprado em ações e FIIs antes da crise? Por quê? Qual era a tese?”

Vendeu tudo no desespero em março? O que te incomodou?

Estudar os erros do passado é uma das melhores formas de evitar desacertos futuros.

Lembre-se que performance é algo que você não controla. Porém, o que você coloca no seu portfólio, sim.

Dito isso, mais do que perder tempo analisando cada um dos acontecimentos que se acumularam nesse semestre para lá de turbulento, resolvi, com a ajuda do Antonyo Giannini, um dos especialistas que trabalha comigo aqui na Inversa, consolidar tudo em um só gráfico:

Se você ainda não entendeu como o mercado funciona, esse gráfico é uma bela oportunidade.

Note que notícias ruins se acumularam ao longo do semestre e, mesmo assim, o mercado não fez outra coisa senão subir desde março.

Entenda de uma vez por todas: a Bolsa opera expectativa, os riscos e oportunidades adiante, não necessariamente o que se passa na economia real.

As oportunidades de ganhos, portanto, estão justamente na visão de mundo do que vem depois. 

Quem teve a frieza de olhar para as empresas em março e refletir que este evento do coronavírus, apesar de sem precedente, também era passageiro, conseguiu se antecipar à conclusão que vários investidores chegaram semanas depois.

Dito isso, a melhor forma de limitar os riscos e melhorar a probabilidade de ter bons resultados com seus investimentos é gastando tempo na reflexão sobre os riscos futuros.

Por isso, separei aqui 6 deles, 3 domésticos e 3 globais, que devem perseguir os investidores nos próximos meses e anos. São riscos que você deveria entender melhor antes de definir quanto investir em ativos de risco:

6 riscos que vão te perseguir o resto do ano...

Domésticos

  • O risco fiscal.

Estima-se que a dívida pública do Brasil alcance o patamar de 100% do PIB e que o déficit primário (o que o governo arrecada subtraindo o que gasta, sem considerar juros da dívida pública) deve alcançar algo como 15% do PIB.

São dados realmente preocupantes e que colocam em risco a recuperação da economia que está em curso desde 2017. Parte desse risco é claramente precificado, explicando o porquê do Ibovespa, em reais, ter caído tanto quanto o S&P 500 em março e não ter se recuperado na mesma magnitude nos meses seguintes.

Atenuam esse risco, por outro lado, a robusta posição em reservas internacionais do país, acima de 300 bilhões de dólares, e a trajetória da taxa de juros brasileira, que barateou o custo da dívida pública.

O próprio governo vem substituindo títulos pré-fixados de longo prazo por títulos pós-fixados, diminuindo, assim, o custo de carrego da dívida no curto prazo.

  • O risco político/institucional.

Também bastante claro, a queda da popularidade de Jair Bolsonaro, os conflitos internos em meio à crise e os escândalos em investigações que relacionam o presidente e aqueles em seu entorno configuram risco político/institucional, uma das principais ameaças no curto prazo e que, de certa forma, acaba por afetar o risco fiscal, muito ligado à agenda reformista.

Claro, os riscos de escândalos pessoais ou de pessoas próximas, que poderiam se materializar no caso de uma delação premiada do Fabrício Queiroz, continuam na mesa e, na minha opinião, já estão sendo precificados pelo mercado.

Atenuam esse risco a aproximação recente do governo com o Centrão e a forte e fiel base eleitoral de 30% do presidente Jair Bolsonaro.

  • O risco inflacionário.

Fechando os riscos domésticos, coloco esse como um risco menos claro, hoje, no mercado. Por isso, você deveria dar ainda mais importância.

Como todos sabemos, a forte queda na demanda e na oferta de bens e serviços por conta da pandemia está levando o mundo todo, não só o Brasil, a um quadro deflacionário de curto prazo. 

No entanto, entendo que o risco de um repique da inflação no período subsequente, entre 2021 e 2022, é subestimado pelo mercado.

Em virtude da crise, vimos a coleta de preços ser prejudicada, o que polui a qualidade dos dados mais recentes. Além disso, índices que agregam a economia como um todo e não só a cesta do consumidor já mostram o impacto da depreciação do câmbio, o que pode gerar alguma pressão de repasse de preços mais adiante.

Por isso, tenho sugerido aos meus assinantes a diminuição da posição em títulos públicos indexados e pré-fixados e a compra de ações de empresas que possuam parte de suas receitas corrigidas, como as transmissoras de energia elétrica, ou com capacidade de repasse de preço.

Vamos então aos riscos globais:

Internacionais

  • Os riscos diplomáticos, especialmente EUA vs. China.

Um risco que deve manter em alta a volatilidade dos mercados ao longo do ano é a guerra comercial entre os EUA e a China, mas não só.

Em virtude da crise sanitária que surgiu na China, já é possível notar algumas retaliações no ambiente internacional que podem trazer à campo um quadro ainda mais complexo do que a, até então, relação bilateral conturbada. 

Nas últimas semanas, por exemplo, líderes indianos voltaram a falar sobre sanções comerciais à China, incentivando substituição de importações do vizinho.

Vale lembrar que, apesar de não figurar entre os países desenvolvidos e potência econômica, a Índia possui a segunda maior população do mundo (perto de 1,4 bilhão de pessoas). 

E mais, possui uma população mais nova do que a China, o que a coloca como um polo importante em termos de interesse econômico global nas próximas décadas.

  • O risco político (eleições nos EUA).

As próximas eleições norte-americanas acontecerão no final deste ano e, em função da situação conjuntural, aquele cenário do final de 2019, que sinalizava uma fácil reeleição de Trump, foi alterado substancialmente, com Joe Biden, candidato democrata, figurando como um forte adversário, à frente de Trump em várias pesquisas eleitorais.

A postura mais “gastona” dos democratas é um risco que me parece ainda pouco antecipado pelo mercado, que deu pouca moral às pesquisas mais recentes e engatou novas máximas.

  • O risco de retrocesso no processo de globalização (repique inflacionário).

Nos últimos 20 anos, o mundo se globalizou e se tornou muito mais interligado, o que ficou evidente com a recente crise sanitária. Os conflitos diplomáticos, no entanto, podem levar a um retrocesso no processo de globalização, que poderia trazer consigo outros riscos, como o de reversão do processo deflacionário que havia comentado.

Mesmo que modesta, uma retração do comércio internacional geraria uma pressão por substituição de importações, levando a um aumento generalizado dos preços (inflação)  que, assim como no cenário doméstico, me parece um risco pouco precificado no mercado.

Pronto, agora pare e reflita. Você está preparado para o caso de estas bombas estourarem?

Gostou dessa newsletter? Então me escreva no e-mail ideias@inversa.com.br

Um abraço e até a próxima!

Felipe Paletta

O mercado entrou novamente em um período de volatilidade alta. Nosso objetivo na calculadora: te entregar 12% ao mês operando apenas 2 ações. Dá uma olhada aqui e me diga o que acha. 

A Inversa é uma Casa de Análise regularmente constituída e credenciada perante CVM e APIMEC.

Todos os nossos profissionais cumprem as regras, diretrizes e procedimentos internos estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários em sua Instrução 598, e pelas Políticas Internas estabelecidas pelos Departamentos Jurídico e de Compliance da Inversa.

A responsabilidade pelas publicações que contenham análises de valores mobiliários é atribuída a Felipe Paletta, profissional certificado e credenciado perante a APIMEC.

Nossas funções são desempenhadas com absoluta independência, não sendo dotadas de quaisquer conflitos de interesse, e sempre comprometidas na busca por informações idôneas e fidedignas visando fomentar o debate e a educação financeira de nossos destinatários.

O conteúdo da Inversa não representa quaisquer ofertas de negociação de valores mobiliários e/ou outros instrumentos financeiros. Os destinatários devem, portanto, desenvolver as suas próprias avaliações.

Todo o material está protegido pela Lei de Direitos Autorais e é de uso exclusivo de seu destinatário, sendo vedada a sua reprodução ou distribuição, seja no todo ou em parte, sem prévia e expressa autorização da Inversa, sob pena de sanções nas esferas cível e criminal.  

Conteúdo protegido contra cópia