Ideias do Paletta #10 - Você está fazendo o melhor que pode?

Felipe Paletta Publicado em 22/05/2020
5 min
Esforços de guerra devem ser tomados diante de pandemia: entre políticos e falta de lideranças, devemos permanecer unidos.

 “Não adianta dizer: “Estamos fazendo o melhor que podemos”. Temos que conseguir o que quer que seja necessário” - Winston Churchill

Caro leitor,

O lendário primeiro-ministro bretão, que conduziu os aliados à vitória na Segunda Grande Guerra, não poderia estar mais certo.

Entrincheirados em nossas casas, não importa quão engajados à causa estejamos e o quanto acreditemos nas informações publicadas, o que importa... bem, é atingir o objetivo.

E qual o objetivo? Diminuir o número de casos/mortes por Covid-19, sem sucumbir os vivos a uma morte mais lenta no futuro, em função da forte contração econômica.

Como equacionamos então esse problema?

Veja, assistindo a uma exibição de oportunismos políticos e rivalidade ideológica dentro da sociedade brasileira, a sensação é que nem o nosso melhor estamos dando.

E para que você, caro leitor, não me interprete mal, não estou creditando à esquerda, ao centro e nem à direita tudo que está acontecendo.

Afinal de contas, o que explica estar um pouco acima do peso: os hábitos alimentares, a falta de exercícios físicos ou a genética? Talvez um pouco de cada, não?

O problema, no entanto, está dado. Resta-nos, portanto, atacar o problema da forma como for necessário para atingir o objetivo.

Em meio à guerra, não se olha para trás e tenta-se interpretar o que nos trouxe até aqui. Como diria o grande líder inglês: “se estiver passando pelo inferno, continue caminhando”.

O problema é que não estamos acostumados com guerras por aqui, em unirmo-nos a favor de um bem comum. Estamos acostumados com crises, o que é muito diferente.

Em meio a crises há espaço para reflexões e estimula-se o debate de ideias e posicionamentos oportunos, cujos reflexos só serão estudados e analisados em um espaço de tempo maior. O problema é que não temos esse tempo todo.

Agora, enxergar uma guerra como mais uma crise, ao mesmo tempo que se tenta-se dar respostas de forma rápida como uma guerra exige, quase sempre nos levam a decisões precipitadas, sem diálogo com a sociedade, que acabam resultando em perda de credibilidade às instituições.

O super rodízio e a antecipação de feriados em São Paulo, anunciados às pressas, dão conta de exemplificar isso que estou falando.

Essas medidas mostraram não só a pouca adesão e respeito popular, como suas consequências sociais e econômicas.

No segundo caso, por exemplo, muitas empresas, já debilitadas pela crise, foram ainda mais oneradas diante da necessidade de bancar o adicional de 100% de hora extra ou dobro em folga futura aos funcionários.

Em guerras, a liderança torna-se fundamental. Talvez não seja coincidência a China de Xi Jinping e a Alemanha de Angela Merkel terem se destacado tanto no enfrentamento à pandemia.

“Tá bom, mas como isso tudo deve refletir na hora de tomar decisões de investimento?”, você deve estar se perguntando.

Primeiro, apesar dos reveses políticos serem diluídos através do tempo, precisa ficar claro que o cenário hoje é outro e que parte do desconto que a Bolsa brasileira carrega contra pares emergentes (e desenvolvidos, obviamente) se justifica pela forma como chegamos até aqui.

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Se pudesse resgatar mais uma frase de Churchill, diria que: “É sempre prudente olhar em frente, mas é difícil olhar para mais longe do que se pode ver”.

O que não significa que não tenhamos ótimas oportunidades.

O que quero dizer é que este não é o momento inventar muito, de buscar grandes porradas que só se confirmariam se o mercado afundar de vez ou se recuperar bravamente, em pouco tempo.

É hora de buscar por companhias que já estejam se beneficiando da atual conjuntura, mesmo diante de todos os riscos conjunturais, institucionais e competitivos.

Quer um exemplo? Veja a B3 (B3SA3), as ações da própria Bolsa brasileira.

Enquanto muitos, no início da crise, especulavam que este deveria ser uma ano ruim, já que com a queda abrupta das ações cairia o número de novas empresas interessadas em abrir capital, o reflexo da instabilidade elevou em mais de 60% o número de negócios e em mais de 70% o volume médio de negociações diárias de produtos listados no mercado organizado, nesse primeiro trimestre do ano.

Segundo, evite tomar decisões precipitadas.

O que costumo fazer é definir uma senha de confirmação nas corretoras que seja de difícil memorização (deixo anotado em um lugar seguro). Isso cria uma barreira entre meus impulsos e minha racionalidade.

“A XP fará home office para sempre... esse é o fim dos fundos imobiliários de lajes corporativas...”. Será mesmo?

Será que esse processo de transformação será tão rápido e difundido pela maior parte das empresas? Será que uma empresa de laboratório, por exemplo, que loca um prédio comercial inteiro irá desocupá-lo rapidamente? Não me parece uma decisão trivial.

Ao contrário do que usualmente acontece em provas de múltipla escolha, no mundo dos investimentos nem sempre a primeira resposta que vem à mente é a certa. Por isso, opte sempre pelo caminho da reflexão, o tal do sistema 2 que tanto defende Daniel Kahneman.

Por fim, vale sempre lembrar: não cuide do seu dinheiro como os políticos cuidam dos interesses sociais. Eles já tomam decisões demais por você.

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Um abraço e até a próxima!

Felipe Paletta

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