Inimigos do Investidor #8 - Você não sabe. Ponto.

André Barros, o "Money Maker" Publicado em 17/01/2020
3 min
Desafio ao investir não é ficar tentando acertar o futuro, mas, sim, lidar com sua imprevisibilidade.

"Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá. O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar.”
   

Reconheceu esse trechinho musical? Sim, ela mesma, “Aquarela”. Certeza que já ouviu a música de Toquinho e Vinicius de Moraes inúmeras vezes.
  
Uma das coisas que me chamam atenção nessa música é a infinidade de possibilidades que temos em nossas mãos, retratadas nos desenhos que essa aquarela nos permite, contrastadas com esse futuro incerto, que “sem pedir licença muda a nossa vida e nos convida a rir ou chorar”.
  
Tudo nos é possível, mesmo assim o futuro permanece opaco e irá nos surpreender. Ainda que um dia a aquarela venha a descolorir, ela segue bela e convidando a aproveitar a sua passarela.
   
Talvez seja exatamente esse contraste que torna a vida interessante. O mesmo desafio que encontramos ao investir. Lidar com o incerto e ainda assim construir nossas aquarelas.

É impressionante a quantidade de gurus que se propõem a apresentar esse futuro incerto. Valores, datas, direções e certezas são oferecidos diariamente.
  
Não nego a atratividade dessas boas narrativas. Afinal, quem não gostaria de ter os números da próxima Mega-Sena antecipadamente?
   
Infelizmente, não funciona assim. O futuro se apresenta sem pedir licença e sem nenhum porta-voz nomeado para antecipá-lo.
  
Acerta-se umas, erra-se outras tantas mais e apenas os acertos são lembrados. Ou ainda caem no esquecimento os futurólogos que erraram, restando aqueles que tiveram a sorte de acertar um movimento significativo do mercado (e mesmo esses não vão lembrar dos erros passados).
  
Nosso desafio ao investir não é ficar tentando acertar o futuro, mas, sim, lidar com sua imprevisibilidade e, ainda assim, seguir a caminhada. O que de fato podemos fazer é estar constantemente gerenciando as probabilidades, fazendo com que tenhamos mais chance de ganhar do que de perder.
  
Que as perdas representem menos que os ganhos, ao longo do tempo. Claro que devemos fazer exercícios sobre o futuro, imaginando cenários e atribuindo probabilidades a cada um deles. Isso é bem diferente de fazer previsões.
  
Ao elaborar cenários, não atuamos de maneira unidirecional. Também não consideramos esses cenários imutáveis, escritos em pedra, mas, sim, possibilidades que iremos ajustando ao longo do tempo conforme novos sinais confirmam um cenário ou outro.
  
Deixando de lado a futurologia e adotando as probabilidades começamos a buscar técnicas e estratégias que nos ajudem a ampliar essas probabilidades. 
  
Olhamos a gestão de risco com mais atenção. Deixamos o ego de lado e nosso objetivo não é estar certo, mas proteger e alavancar nossas posições.
  
Esqueça previsões. Abrace probabilidades. Esse é o coração da arte de investir.

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