Inimigos do Investidor #25 - Minha recomendação para as eleições americanas

André Barros, o "Money Maker" Publicado em 01/10/2020
6 min
Na newsletter de hoje temos 3 cenários possíveis para o resultado das eleições dos EUA e uma orientação muito clara para o investidor.

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Olá. 

Talvez você tenha acompanhado, anteontem, o primeiro debate eleitoral norte-americano, etapa final da campanha pela Casa Branca, envolvendo os candidatos Joe Biden e Donald Trump.

Este é um momento bem interessante para retomarmos um tema recorrente quando falamos em investimentos: os eventos. 

No mundo dos investimentos, os eventos têm potencial de alavancar posições. 

Os investidores, principalmente os que possuem um perfil especulativo, olham para esses eventos como uma oportunidade de movimentar o patrimônio. 

No mercado financeiro, esse tipo de movimento é o mais próximo que podemos encontrar de apostas, pois, dependendo do investimento, você estaria mais próximo de estar jogando do que investindo. 

E esta é uma zona cinzenta.

Mas nós já tivemos eventos como esse aqui no Brasil também.

Para citar um exemplo recente, a eleição de Bolsonaro já era esperada. Não pela escolha de Bolsonaro em si, mas pela mudança no sistema político que a ruptura com o PT traria.

Aqui não tem nenhum juízo de valor. Independentemente da sua linha política, foi um evento. O mercado tinha uma expectativa, que se confirmou e movimentou as cotações.

O que aconteceu depois é uma outra história. Ainda estamos vendo essa história ser escrita.

Mas, em outros casos, a história foi bem diferente.

Temos dois eventos recentes como exemplo: o IPO da empresa brasileira Vasta e o famoso leilão do pré-sal, que não despertou o interesse de investidores estrangeiros como era esperado.

O ponto que gostaria de trazer é que os eventos têm a sua função, mas eles também podem ser uma armadilha.

Você deve tomar cuidado quando pretende se valer desses eventos para investir.

Além do risco de eles não se materializarem (e da frustação), muita expectativa é precificada antes. 
   
Também existe o risco de você perder o seu foco estratégico.

Seja qual for o seu caminho, você vira apostador em vez de investidor quando começa a usar os eventos de maneira exagerada e acaba concentrando os seus recursos nesses grandes eventos, dispersando a atenção da sua estratégica básica.

Voltando ao exemplo do debate eleitoral norte-americano de anteontem, restou incerteza.

Não tivemos um vencedor claro nesse debate. Era esperada uma performe melhor de Trump contra o adversário, Joe Biden, mas vimos um equilíbrio.

Se você olhar em retrospectiva, Hillary Clinton saiu vitoriosa dos três debates em que enfrentou Donald Trump, mas, ainda assim, não foi eleita.

Por isso, precisamos tomar muito cuidado ao fazer apostas nesse movimento.

E mais: sugiro que reserve caixa, porque a virada eleitoral americana pode ser um divisor de águas relevante.

Explorando cenários, podemos ter: 

i) Biden vence com uma vantagem estreita: isso vai abrir toda uma discussão judicial, que Trump já iniciou, deixando os mercados estressados no curtíssimo prazo;

ii) Biden vence com uma vantagem mais folgada: neste cenário, a pressão jurídica diminui, porém, o mercado fica em uma posição de mudança, o que não agrada, trazendo ruídos no médio prazo, porque a política pró-mercado que vimos até agora pode sofrer ajustes. Sem dizer se isso é bom ou ruim, é um caminho diferenciado.

iii) Trump vence: este cenário traria um otimismo de curto prazo, porque confirmaria a estabilidade de uma política mais pró-mercado, que tem um peso muito grande no mercado financeiro. Mas este cenário também não está livre de riscos, pois pode aumentar a polarização da população americana. Isso já é algo evidente nas recentes manifestações, mas pode se agravar. 

Independentemente de quem ganhar, temos uma conta a acertar lá na frente, que foi gestada em torno dos estímulos monetários e financeiros aplicados para combater as últimas três crises. 

A primeira, lá em 2001, teve uma injeção financeira menor, que talvez já tenha sido absorvida. Mas ainda carregamos as contas de 2008 e 2020. 

O dilema global composto por juros negativos, alta liquidez e a dúvida sobre o crescimento das economias é um ponto de atenção para o primeiro trimestre ou semestre de 2021.

Por isso, a minha mensagem de hoje é bem simples: eventos são oportunidades no mercado financeiro, mas você precisa ter muito cuidado, tanto para que eles não roubem seu foco estratégico quanto para que você não crie expectativas exageradas.

Quanto às eleições norte-americanas, nosso próximo grande evento, a minha recomendação parte de um viés mais cauteloso: reserve seu caixa entre o final deste ano e o começo do ano que vem.

Vamos juntos?

Um abraço,

André Barros 

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