Inimigos do Investidor #2 - Como lutar com o seu maior inimigo

André Barros, o "Money Maker" Publicado em 16/10/2019
5 min
Na primeira edição de sua nova série especial, André Barros (Money Maker) escreve sobre a maior ameaça de seus investimentos: você mesmo.

Caro leitor,

Na semana passada, apresentei a você aquele que, na verdade, é seu maior inimigo: você mesmo.

Muito provavelmente ainda existe certa dúvida quanto à essa afirmação. Afinal, quantas vezes fatores externos, eventos sobre os quais nosso poder de influência é praticamente nulo, nos fizeram perder dinheiro? Colocar a culpa em nós mesmos por um desempenho ruim não parece muito justo.

Um exemplo não muito distante foi o “Joesley Day”, em 17 de maio de 2017, o fatídico dia do vazamento da gravação do então presidente da República, Michel Temer, e da delação premiada dos irmãos Batista (Joesley e Wesley), controladores da JBS. A Bolsa chegou a sofrer uma queda de mais de 10% no intraday e é justo afirmar que você não teve nenhuma responsabilidade.

Verdade, você não teve influência, porém passou a ser totalmente responsável pelas decisões que tomou no momento em que viu esse evento acontecer. A partir do momento em que a notícia repercutiu no mercado, você passou a ser o responsável pelo efeito que suas decisões teriam na construção de seu patrimônio.

Na verdade, sua responsabilidade não começa quando uma bomba como essa explode no mercado, mas bem antes, nas decisões que toma para navegar num mar que não oferece nenhuma certeza. Você não se prepara quando o problema surge, mas bem antes, pelo simples motivo de que não temos a menor visibilidade do futuro.

Falaremos sobre isso mais adiante. Nesse momento, preste atenção no que aconteceu com o Ibovespa após o tal do “Joesley Day”, cuja data está marcada com um linha verde:

Fonte: Tradingview.com

Reparou como a sua decisão naquele dia é que, de verdade, fez a diferença no longo prazo? Talvez tenha vendido no pânico, ou na necessidade, e tenha assumido uma perda da qual não se recuperou. Talvez tenha esperado e esse dia ficou no passado, como tantos outros.

Talvez até tenha comprado mais, e aproveitado o momento de pânico como oportunidade para potencializar ganhos.

Siga olhando o mesmo gráfico e ainda cruzará com greve dos caminhoneiros, incerteza eleitoral e dúvida sobre a formação da equipe do presidente Jair Bolsonaro, dentre outros eventos menores. E assim será.

Retire aqui sua cópia do livro 1929: a quebra da Bolsa de Nova York, por Ivan Sant'Anna.

Porém, não é fácil optar pelo caminho de se segurar na tormenta ou, ainda mais complicado, aproveitar-se dela para montar posições.

Pouco importa o que disparou a volatilidade do mercado (poderia ser positiva também), é a sua decisão que irá fazer a diferença. O único inimigo a enfrentar será você mesmo. E o primeiro passo é saber com quais armas você vai neutralizar esse inimigo.

Estou falando de duas armas: técnica e comportamento. Erramos nessas duas grandes áreas. Por isso, devemos dedicar atenção a elas.

Experiência certamente nos permite minimizar esses erros porque a dor de já ter sofrido ajuda a evitar a reincidência. Porém, jamais estaremos imunes. Principalmente se vivemos os erros sem absorver os aprendizados, voltando, com frequência maior do que se imagina, às más práticas que nos levaram a eles.

Muitas vezes, novos cenários também nos levam a repetir erros antigos. Lembrando aqui da frase de Sir John Templeton, investidor americano: “As quatro palavras mais perigosas da língua inglesa são: ‘Desta vez será diferente’”.

A técnica é, num primeiro momento, mais fácil de ser obtida. Basta estudar e material disponível é o que não falta. Ainda assim, tem suas armadilhas, entre elas, o excesso de conhecimento, que pode resultar em complexidade excessiva.

Você erra umas tantas vezes, mas, estando atento, corre atrás de corrigir a deficiência técnica que gerou aqueles erros. Isso está muito ligado a observar o que se precisa e o que está faltando em sua preparação. E, a partir daí, buscar conteúdo e reservar tempo para se preparar.

Convém também ir aumentando gradativamente a complexidade de suas operações, respeitando seu próprio grau de conhecimento.

Podemos buscar a técnica necessária, mas e quando o problema é comportamental? Pior ainda quando sabemos que as emoções têm um peso muito forte e influenciam nosso comportamento e, consequentemente, nossas decisões.

Sem dúvida, o primeiro passo é conhecer essas armadilhas mentais e ter consciência de quais delas influenciam com maior força a sua jornada como investidor. O desafio, contudo, está em buscar maneiras de mitigar o seu efeito.

Algumas estão enraizadas em nossa personalidade. Outras ficam ocultas em vícios de comportamento que nem nos damos conta. Complica ainda mais quando sabemos que nosso cérebro, muitas vezes, busca razão para justificar decisões que foram primordialmente tomadas com base na emoção.

Duas são as emoções mais comuns a influenciar os investidores: medo e ganância. E será sobre como superar essas vulnerabilidades, exploradas por seu inimigo recém-descoberto, que continuarei tratando nesta série especial de newsletters. Fique atento à sua caixa de e-mail porque a terceira edição será disparada a qualquer momento.

André Barros (Money Maker)

Se você está se perguntando como será do futuro, eu vou te mostrar… Saiba aqui.

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