Inimigos do Investidor #14 - Só venda nestes quatro casos

André Barros, o "Money Maker" Publicado em 12/03/2020
6 min
André Barros escreve sobre suas primeiras percepções sobre o cenário atual dos mercados.

Olá assinante Inversa,

Aqui é André Barros, o Money Maker, e estou enviando esta newsletter especial na quinta-feira pela manhã, antes das bolsas abrirem e depois de já termos experimentado dois dias de circuit breaker (terceiro começando hoje).

Queria fazer referência ao vídeo que eu gravei e disponibilizei na Inversa na segunda-feira ainda antes da abertura dos mercados e antes, portanto, do primeiro desses circuit breakers.

Sugiro primeiro para quem ainda não assistiu para que assista a esse vídeo. As recomendações ali, elas seguem as mesmas, mas eu gostaria de dar ênfase a alguns pontos que eu coloquei no vídeo abaixo.

Primeiro deles, não achem que essa é uma crise de prazo curto, ela vai durar muito mais do que um dia. Naquele momento, quando eu gravei o vídeo, eu sinalizava que “olha não vai ser um único dia de estresse, não é um Joesley Day”, então essa é a primeira consciência que você precisa ter. 

Dessa consciência você vai tomar as decisões que precisam ser tomadas e existem dois caminhos, duas alternativas, simplificando a história. E todas passam pela avaliação do momento que você está vivendo, de como está sua carteira hoje.

O fato é: por mais que essa crise leve dias e seja intensa, diferente de um Joesley Day, que se resolveu rapidamente, a gente vai chegar em um momento de recuperação, em que as coisas começam a se ajeitar.

A gente já está vendo a China retomando a sua produção, o ciclo de intensidade da crise foi próximo a quatro meses. O primeiro caso de coronavírus foi em dezembro e agora em março eles estão retomando a produção em algumas fábricas.

Então, a primeira perspectiva é essa: não é uma crise pontual, de um único dia de queda. Veremos vários, e realmente isso aconteceu, depois do meu vídeo foram mais dois circuit breakers. Hoje já tivemos outros dois o pregão ainda nem terminou. E nada impede que possamos encontrar outros pela frente.

Porém, a gente vai ter lá na frente uma retomada, sem ter uma data definida, uma retomada. Dito isso, olhe a sua posição atual. A grande pergunta é: devo vender tudo? Devo desmontar posições? 

Você só deve desmontar suas posições se encontrar um desses quatro fatores, relembrando o vídeo:
 

1) Você não tem tempo para esperar. Se você colocou um dinheiro que tem uma data para sair, o que é um erro clássico ao investir em ações, não espere, corrija sua rota agora. 

2) Você alavancou, ou seja, você está investido mais do que você tem realmente de capital. Você fez uma aposta; segundo grande erro, também não espere. Aquela pessoa que resolveu esperar enfrentou dois circuit breakers, imagine a situação que ela ficou. 

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3) Quando você olha a sua carteira e encontra, dentre as suas ações, posições que não confiava antes da crise, ou posições de muita baixa liquidez. Essas vão sofrer mais, seja porque você não vai ter confiança de segurar essas posições, seja porque a sua falta de confiança nelas reflete uma incerteza;

Por exemplo, são apostas em que se esperava grande turnaround, que pode não acontecer ou pelo menos não vão colher os frutos agora. Ou porque a liquidez é tão baixa que é o que a gente chama no mercado de “a porta de saída ser estreita”. Então, se o pânico se acentua, são aquelas posições que as quedas são muito mais intensas.

4) Você deveria realocar e vender mesmo que signifique realizar prejuízo se o seu nível de posição está além de sua tolerância ao risco. Eu sempre comento: eu trabalho com um extremo, eu sou mais aberto ao risco, de 40% de exposição. Pessoas menos abertas ao risco estão com 20%, 30% do patrimônio. 

Se você está acima da sua tolerância ao risco, ajuste, porque estará muito sujeito a tomar decisões erradas e sair no pior momento possível. Então, avalie isso. 

É natural que depois de um bull market, que a gente viveu, as pessoas tenham aumentado as posições, tenham aumentado as posições na empolgação, achando que o mercado nunca ia reverter, que o destino era 150, 200, 300 mil pontos.

Uma das verdades da bolsa: o mercado oscila, mas no final avança. Isso a gente precisa lembrar. Esse é o primeiro caminho, a primeira rota.

Aqueles que vão tomar a decisão de desmontar posições têm que avaliar as posições. 

Primeiro, eu tenho uma tolerância à perda, eu sei que vou sofrer impacto, mas o principal, eu tenho caixa ainda. Aqueles que me seguiram na Money Maker em Ação ou na Smart Trades, hoje estão com caixa disponível, estão com caixa operacional. Agora, o que devemos fazer é ter muita tranquilidade para poder esperar o melhor momento de entrada. 

Então, a gente tem no Money Maker em Ação por volta de 40% de caixa. Na Smart Trades, algo próximo a 25%, 27%. A gente precisa trabalhar esse caixa com muita tranquilidade.

Outro ponto: as ações que trabalhamos são ações que tem fundamentos em cima delas.

Voltando ao passado, se a gente lembrar de Petrobras, é uma posição que no auge da crise da corrupção e da Lava-Jato chegou a ser vendida abaixo de R$ 6 para depois, reverter essa tendência e agora de novo entrar em um ciclo que pode penalizar mais as posições.

Então, eu estou tranquilo por ter construído um caixa operacional, uma diversificação. Não estou alocado, a distribuição que fazemos nas nossas carteira tem limite de 5% como ponto de entrada. Ela só cresce se a ação se valoriza. 

Esses pontos da gestão de risco fazem com que, por mais que doa e vai doer o impacto desses dias, nós possamos esperar e inclusive olhar esse momento como oportunidades. 

Então, pessoal, meu recado pra dar uma tranquilizada a todos é refletir como vocês estão hoje investidos em ações.

Vamos juntos, vamos seguir nessa caminhada. Não vai ser fácil, mas ela vai nos tornar investidores ainda melhores. 

Valeu pessoal, abraços. Estamos juntos. 

André Barros

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