Inimigos do Investidor #10 - Pneus de chuva

André Barros, o "Money Maker" Publicado em 31/01/2020
4 min
Aquele que está 100% alocado em ações vai fazer voltas cada vez melhores enquanto o tempo estiver bom. Já quando o tempo mudar, pode entregar toda essa vantagem, perdendo o carro em uma curva molhada.

Caro leitor,
  
Convenhamos que a Fórmula 1 já foi um esporte que despertou mais atenção aqui por essas bandas. Como esquecer as manhãs de domingo aguardando as performances dos pilotos brasileiros? Hoje, ainda tem sua legião de fãs, porém as corridas são bem menos populares do que já foram um dia.
  
Seja como for, lembrei desse esporte por conta dos dias que estamos passando no mercado.
  
Mais especificamente, lembrei dos diferentes jogos de pneus usados durante uma corrida. Bom, imagino que ainda sejam usados, não?
  
Pneus de chuva, intermediários e os chamados pneus slicks. Cada um deles adequado para um tipo de pista e condição de tempo.
  
Os slicks, melhores em pista seca, garantem ao piloto segundos preciosos a cada volta. Tornam-se, contudo, um verdadeiro sabão em pista molhada. 
  
Já o pneu de chuva garante maior aderência em pista molhada, porém menos velocidade. Com a pista seca, tem sua vida útil reduzida.
   
Sobre o intermediário, bom, o nome acho que já sugere a sua adequação.
  
O que mais curtia era quando havia a dúvida sobre ocorrência ou não de chuva durante a prova. Era interessante ver as equipes avaliando se chamavam ou não seus pilotos para fazer a troca de pneu, afinal isso significaria a perda de segundos preciosos na parada.
  
Pior, e se a chuva não se confirmasse? Ser o primeiro a entrar trazia esses riscos.
  
Por outro lado, ficar esperando que a chuva passasse poderia ser uma bela decisão, ganhando segundos enquanto os demais entravam nos boxes. O risco? Bom, terminar na caixa de brita.
  
Alocação ao investir em ações tem alguma similaridade com esse momento esportivo. Aquele que está 100% alocado em ações (pneus slicks) vai fazer voltas cada vez melhores enquanto o tempo estiver bom. Já quando o tempo mudar, pode entregar toda essa vantagem, perdendo o carro em uma curva molhada.
  
O caixa, de certa forma, pode ser considerado o nosso pneu de chuva. Podemos deixá-lo bem baixo, quando a pista estiver seca, e aumentá-lo para enfrentar o tempo ruim. 
  
Não irei para uma temporada sem ter meus jogos de pneus de chuva à disposição. Jamais!
Claro que adivinhar se vai chover ou não no mercado financeiro é ainda mais difícil do que acompanhar a previsão do tempo numa corrida de Fórmula 1. Nosso serviço de meteorologia nos mercados é ainda pior do que o do clima.
  
A saída? Sacrificar alguns segundos rodando sempre com eles presentes. Nossa vantagem é que não é “com ou sem”. Podemos balancear o nível do caixa (nosso pneu de chuva) ao longo da corrida, sem ter que fazer longos pit-stops.
  
Sempre que percebo que acumulei boas voltas sinto que é hora de aumentar o caixa. O mesmo acontece quando vejo nuvens negras, mas essas enganam tanto que prefiro trabalhar com o meu próprio tempo. Para isso, não dispenso uma gestão ativa.
  
Não posso encerrar o texto de hoje sem convidar você a conhecer o meu programa Dicas de Ações, que acaba de ser lançado no canal da Inversa no Youtube. Os seis primeiros vídeos já estão no ar com insights sobre, por exemplo, como selecionar ações e definir a estratégia mais adequada a seus objetivos financeiros.

São conteúdos curtos, completamente abertos e que, espero, vão ajudar você a dar novos passos na construção de patrimônio e geração de renda. 

Um abraço.

André Barros (Money Maker)

Se você está se perguntando como será do futuro, eu vou te mostrar… Saiba aqui.

Conteúdo protegido contra cópia