Gritty Investor #59 - Cuidado com seu viés de confirmação

Pedro Cerize Publicado em 10/08/2018
4 min
Os cenários possíveis para o mercado

Gritty Investor

Oi.

Acompanhei entrevistas de candidatos pelo Twitter porque eu estava viajando e não tinha acesso ao vivo ao que estava acontecendo. Era sempre a mesma coisa.

Para algumas pessoas, o candidato X estava indo muito bem. Estava seguro, falando o que as pessoas querem ouvir e acabando com os repórteres que estavam sempre tentando colocá-lo em saia justa.

Para outros, o candidato X estava se enrolando todo. Não conseguia falar nada com nada e, sem respostas, atacava os repórteres que estavam tentando tirar deles alguma proposta concreta.

Você pode substituir X por pelo menos quatro candidatos. Claramente, a entrevista só servia para confirmar em cada um aquilo que ele já acreditava.

Esse fenômeno é conhecido como viés de confirmação, que é a tendência de se lembrar, interpretar ou pesquisar informações para confirmar crenças ou hipóteses iniciais. É um tipo de viés cognitivo e um erro de raciocínio indutivo.

Estamos entrando em um período em que, por mais que tentemos fazer uma análise isenta do que está acontecendo, sempre estamos sujeitos a ver o mundo segundo nossa própria lente. Essa lente pode ser distorcida, pode conter um viés.

Podemos ver e ouvir a mesma coisa que outra pessoa e chegar a uma conclusão diametralmente oposta.

Dois exemplos do que quero dizer:

Falando para empresários na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, Alckmin disse...

“Ajuste fiscal será a primeira medida e não tem como empurrar mais essa questão... Não haverá investimento se não resolver isso rápido, em menos de 18 meses.... Sem aumentar imposto e resolver pela despesa. Zerar o déficit primário...”

Já em artigo em 19 de julho passado na Folha de S.Paulo, Lula afirmou...

“O Brasil precisa restaurar sua democracia e se libertar dos ódios que plantaram para tirar o PT do governo, implantar uma agenda de retirada dos direitos dos trabalhadores e dos aposentados e trazer de volta a exploração desenfreada dos mais pobres. O Brasil precisa se reencontrar consigo mesmo e ser feliz de novo.

Podem me prender. Podem tentar me calar. Mas eu não vou mudar esta minha fé nos brasileiros, na esperança de milhões em um futuro melhor. E eu tenho certeza de que esta fé em nós mesmos contra o complexo de vira-lata é a solução para a crise que vivemos.”

Qual das duas propostas, a de Alckmin ou a de Lula, parece mais adequada para resolver os problemas do Brasil? O ajuste fiscal ou nos livrarmos do nosso complexo de vira-lata? Desses dois discursos, qual vai tocar mais o eleitor brasileiro em outubro?


O Sistema Águia 3.0 acaba de identificar um ativo na Bolsa com elevado potencial de ganho. Ele pertence a uma empresa varejista de alcance nacional e passou pelo teste de resistência dos três princípios gráficos fundamentais. Você pode ter acesso a essa nova oportunidade aqui.


Por isso, sugiro a você que simplifique seu plano de ação. Independentemente de seu candidato e do que você julga certo, invista pensando apenas no que vai acontecer com os mercados em cada um dos cenários possíveis.

Com o olhar de hoje, vejo as seguintes possibilidades para o mercado:

Cenário Negativo: Eleição de um candidato de esquerda. Ciro ou Lula vão trazer aumento de risco percebido. O que vai acontecer depois, podemos discutir depois. O que importa agora é o que vai até a eleição. A questão mais importante é saber se Lula vai disputar ou não.

Cenário Neutro/Positivo: Eleição de Bolsonaro ou de Marina não vai trazer entusiasmo, mas não trará pânico. Haverá questionamentos sobre a governabilidade desses dois, mas, dado o discurso até aqui, reconhecendo a necessidade de reformas e a manutenção das regras do jogo, não espero grandes oscilações se um dos dois for eleito.

Cenário Positivo: Com eleição de Alckmin (ou dos improváveis Amoêdo ou Meirelles) teremos uma significativa melhoria nos mercados. Além de ser uma proposta reconhecida como positiva, o mercado confia que ele(s) pode(m) ser capaz(es) de fazer a aliança política necessária para promover as reformas.

Não deixe que o calor da discussão política atrapalhe seus investimentos.

Aliás, não brigue com amigos ou familiares por causa da eleição. Exerça sua vontade nas urnas, mas seja pragmático com seu dinheiro.

Trate seus investimentos como se fossem da sua família, não seus.

Geralmente nos dispomos a sacrificar nosso dinheiro por uma causa. O mesmo não acontece se pensarmos que o dinheiro é de alguém que amamos.

Cuide bem de alguém que você ama, mesmo que esse alguém seja você mesmo.

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Abraço,

Pedro Cerize

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