Gritty Investor #57 - Trump está ganhando

Pedro Cerize Publicado em 13/07/2018
4 min
Fluxo de capital global

Gritty Investor

Oi.

Quando Donald Trump anunciou a primeira lista de itens chineses a serem taxados, indicando o que estão chamando de Guerra Comercial, os mercados, inclusive o americano, reagiram mal e caíram de forma acentuada.

Imediatamente, a China retaliou e anunciou uma lista de bens americanos taxados, em um volume equivalente. Iniciaram-se, então, negociações entre os dois países e os mercados se acalmaram.

Esta semana, Trump anunciou uma nova lista, desta vez de 200 bilhões de dólares, e a China sentiu. Afinal, não havia mais importações suficientes para serem retaliadas.

Em uma guerra comercial, todos (eventualmente) perdem, mas, quem tem superávit comercial, tem mais a perder. Nesse caso, a China.

O que aconteceu de diferente foi que, dessa vez, a queda das ações americanas foi menor e mais breve. É como se os investidores já tivessem perdido o medo. Já viram isso antes e nada aconteceu.

Trump, por sua vez, reforçou suas convicções de que está em uma posição vantajosa para negociar. Entre todas as medidas, o protecionismo comercial é a que enfrenta menos resistência entre republicanos e até mesmo entre os democratas, que não o criticam por isso.

Sem um sinal do mercado, sem resistência política e em uma posição de negociação privilegiada, não vejo motivos para que essa política não siga em frente. Sendo assim, quais serão as consequências reais desse movimento? O mercado está bobeando? Está deixando de avaliar os riscos?

Primeiramente, vamos dar uma olhada no desempenho dos mercados este ano (em USD):
           

               
Como se pode notar, a partir de abril, quando ficou clara a intenção de Trump de levar em frente a guerra comercial, as ações na China começaram a descolar, para baixo. Outras Bolsas de emergentes seguiram esse movimento, mas destaquei apenas duas: de Brasil e Coreia do Sul.

Ambos os países não sofreram retaliações diretas, mas, indiretamente, são fornecedores chineses de insumos – itens que, uma vez processados, serão destinados ao mercado americano.

Além das Bolsas, as moedas desses países também passaram a sofrer pressão de desvalorização. Na realidade, somente agora as primeiras medidas começaram a valer. Mas o mercado já antecipa os efeitos negativos no futuro...

Enquanto a maioria dá destaque para o fluxo comercial, eu acho que, no curto prazo, o efeito mais direto é no fluxo de capitais, principalmente no de investimento direto nesses países.


O dólar vem testando altas consecutivas e ensaia dobrar de valor em relação ao real. Você pode aproveitar o momento para lucrar, pegando carona nessa valorização que só tende a aumentar no cenário doméstico com a chegada da eleição presidencial. Quer saber como? Clique aqui.


Quando uma empresa global decide construir uma fábrica, ela busca no mundo o local com o menor custo de produção. Inicialmente ela envia a esse país um volume de recursos destinado à construção das fábricas. Ela vende dólares e compra a moeda local. Esse fluxo de capital fica registrado na conta de investimentos diretos.

Depois, ela passa a produzir e a vender seus produtos globalmente. Como os EUA são o maior mercado global para a grande maioria dos produtos, cria-se um superávit comercial favorável ao país que recebeu a fábrica, e o contrário acontece para os EUA, maior destino das exportações.

O último passo desse ciclo é a fábrica remeter parte desse lucro, na forma de dividendos, ao país de origem – muitas vezes, os próprios EUA, sede de grandes corporações globais.

Tudo ia muito bem, até que chegou Trump e decidiu mudar o jogo. Primeiramente, ele quis tornar os EUA atrativos para investimentos diretos. Para isso, ele tomou duas medidas:

1) reduziu a tributação para repatriação de capital externo; e
2) reduziu a alíquota de impostos para empresas dentro dos EUA.

Com o discurso de geração de empregos na América e estimulo à produção local, Trump encontrou pouca resistência política para aprovar seus pacotes de impostos.

Na sequência, iniciou a “Guerra” comercial. Imediatamente, um universo enorme de empresas, americanas ou não, veem riscos nos custos de se produzir na China para vender nos EUA subirem ao mesmo tempo em que elas são estimuladas a investir mais ou repatriar recursos sob as novas condições.

Apesar das críticas incessantes da imprensa a Trump, parece que ele não é tão idiota assim. Por trás de um discurso que agrada seu público local, existe uma estratégia bem montada para reverter não somente o déficit comercial, mas o fluxo de investimentos.

As repercussões secundárias dessa estratégia são inúmeras e muito complexas para discorrer aqui. Mas estamos apenas no início e já começamos a sentir os sinais que elas vão trazer inicialmente. Falo de um dólar mais forte e pressão sobre países emergentes, diretamente sobre a China e indiretamente pelas cadeias globais de suprimentos.

Muito antes de os números reais de exportações/importações começarem a mudar no mundo real, os impactos dos fluxos de capital já terão feito a maior parte desse efeito. Seguimos acompanhando as “opiniões” sobre as medidas de Trump no jornal e tentando extrair a notícia por trás da realidade...

Por enquanto, Trump está ganhando.

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Um abraço,

Pedro Cerize

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