Gritty Investor #48 - Faz um ano

Pedro Cerize Publicado em 04/05/2018
5 min
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Gritty Investor

Oi.

Parece que faz muito tempo, mas só faz um ano que comecei a escrever a Gritty Investor. Nesse período aconteceu muita coisa no Brasil e no mundo. Apesar de todo drama, acho que estamos caminhando na direção certa. Um corrupto, antes o homem mais poderoso do país, hoje está preso. Globalmente, o medo de uma guerra nuclear foi substituído pela possibilidade de paz entre os últimos países ainda divididos pela guerra fria. Muitas dificuldades ainda estão pela frente, mas, de maneira geral, acredito que o mundo está melhor.
         
O ato de escrever se tornou, para mim, uma atividade que me força a disciplinar meu raciocínio. Selecionar o que é relevante é o grande desafio em um mundo onde o acesso à informação se democratizou enormemente. O que conta é saber separar informação de ruído. Por isso a Gritty Investor gira em torno de dois grandes temas: atualidades que impactam os mercados e princípios gerais que um investidor amador deve ter para ter sucesso na gestão de seus recursos.
        
Pessoalmente, acho mais interessante falar sobre princípios mais estáveis, já que os fatos mudam todos os dias. Exercícios de futurologia, tão valorizados pelo jornalismo financeiro, se mostram absolutamente descartáveis. Eu já não me impressiono mais pela regularidade com que esses “especialistas” erram suas previsões; me surpreende é que alguém ainda tenha interesse nelas.

Quando escolhi o nome Gritty Investor, busquei na língua inglesa uma palavra (que não existe em português) que expressa uma atitude que eu admiro: a paixão e a perseverança contínua na busca de grandes objetivos no longo prazo. Olhando em retrospectiva para aqueles que tiveram sucesso nos investimentos, a principal diferença não está no talento ou na genialidade, mas na perseverança em continuar quando os tempos ficaram difíceis.
       
Por isso, repito para mim mesmo a frase de Brett Sutton (meu treinador de triátlon favorito): “quando as coisas ficam duras, só os durões continuam (when the going gets tough, the tough get going)”. Sucesso nos investimentos passa por disciplina, humildade em aceitar os erros, curiosidade de aprender sempre e, principalmente, persistência de continuar em tempos difíceis.

Se você quer se tornar um investidor porque acha que este ano e o próximo serão bons para a Bolsa, por qualquer que seja o motivo, você corre o sério risco de se desapontar e sair de tudo, com perdas, quando as coisas ficarem duras de verdade. Você deve escolher fazer a gestão do seu dinheiro se, independentemente do que acontecer no futuro, você pretende se adaptar e fazer o que precisa ser feito. Mas tudo isso é muito mais fácil de falar do que fazer. Sempre achamos que estamos preparados para o pior, sem mesmo imaginar o que é o pior. Vou dar a vocês um exemplo pessoal de, no fundo, um assunto ainda não resolvido.

Sempre fui uma pessoa confiante. Quando jovem, essa confiança entrava no campo da arrogância e creio que muitos, justificadamente, tinham essa imagem de mim. Por sorte, a vida me ensinou que essa postura é mortal nos mercados. Por sorte, fui capaz de me recuperar, mesmo que parcialmente, de cada uma dessas lições. Meu otimismo se refletia na minha experiência de ter saído de situações difíceis, mais de uma vez.  

Mas o destino me reservou um desafio enorme. Numa tragédia eu perdi um filho. De todas as coisas ruins que poderiam me acontecer –  e eu sempre penso nas coisas que podem dar errado – a perda de um filho era um dos desafios que eu não tinha certeza se seria capaz de superar. Esse é ainda um desafio presente, nunca superável, mas que precisa ser enfrentado. Mas se eu sempre digo “temos que continuar!” quando as coisas ficam duras, desistir sem tentar não me parece uma opção.
         
Parar, abandonar tudo e repensar a vida não vai trazer meu filho de volta. Nem vai fazer minha família mais feliz. No fundo, somos animais que pensam. E a consciência, justamente aquilo que nos separa dos animais, muitas vezes pode jogar contra a natureza. Como diz o cientista no filme Jurassic Park: “a vida encontra um caminho (life finds a way)”. E usar o pensamento contra o prosseguimento da vida não é a resposta correta da natureza.
         
Sempre disse a vocês que os ganhos ou perdas do passado não deveriam influenciar no processo de decisão no futuro. Por ironia do destino, repeti isso na minha última carta. Vou tentar fazer o que falo. Esse é um processo em andamento e por isso peço a você um pouco de paciência.
        
Voltando às minhas analogias do esporte com a vida, eu vejo esse momento da seguinte maneira: Até recentemente, tudo que eu fiz foi só o treino. A prova de verdade começa agora. Treino é treino, e a prova é o que interessa. Vai dar tudo certo!

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Pedro

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