Gritty Investor #38 - O palmeirense que torcia pelo Corinthians

Pedro Cerize Publicado em 16/02/2018
4 min
Uma história verídica.

Gritty Investor

Oi.
    
Nas últimas semanas tivemos emoções fortes no mercado. Primeiro, a euforia pós-condenação do Lula no TRF-4. Depois, uma chacoalhada forte vinda da abrupta queda da bolsa americana. Além disso, temos como pano de fundo uma queda de 70 por cento do Bitcoin das máximas atingidas em dezembro. Mas o objetivo aqui não é fazer uma análise desses fenômenos, e sim descrever como as pessoas reagem nessas horas.

Esta é uma historia real. O amigo não é meu, mas o resto é verdade... 
      
Eu tinha um amigo que sempre foi palmeirense. Não do tipo religioso, mas que segue o time e acompanha os jogos e os resultados. Ele sempre quis trabalhar por conta própria e, um dia, surgiu a oportunidade de adquirir uma banca de jornal. 
      
Como em qualquer negócio varejista, a barriga do dono no balcão é um fator fundamental para o sucesso. E o que ele descobriu trabalhando na banca é que as reações dos consumidores são imediatas. A variedade e a disposição das revistas e jornais têm influência direta no volume de vendas.
        
Outras coisas são mais difíceis de controlar, como o clima, a sazonalidade e o resultado dos jogos de futebol. O que resultado de futebol tem a ver com venda nas bancas?
    
E o que isso tem a ver com mercado?
     
É simples…
   
Ele notou rapidamente que, nos dias seguintes a uma derrota do Corinthians, as vendas caíam em até 30 por cento. Os consumidores passavam direto e nem olhavam para a banca. Ele percebeu que os corintianos não queriam nem olhar para as manchetes com as notícias da derrota do Timão. Assim, apesar de palmeirense, ele torcia pelo adversário. O Skin in the game (entenda como interesse econômico próprio) prevalecia sobre a paixão pelo futebol.
     
Como gestor de fundos, eu pude observar algo parecido. Nos períodos bons, era intenso o contato com os clientes. Queriam saber de tudo: das posições, do racional, das perspectivas, enfim, pareciam os clientes ideais. Nas fases ruins, silêncio. Inicialmente, nenhum resgate, somente o silêncio. Se a crise fosse mais longa, vinham os resgates, mas sempre acompanhados de silêncio.
       
As pessoas não querem ler ou saber de notícias ruins. Elas preferem não olhar. Nas fases boas, querem saber de todos os detalhes. O processo de ler sobre algo que traz felicidade, lucro ou realização pessoal prolonga a alegria do evento. Eu mesmo só compro fotos das provas de Ironman em que eu vou bem. Essas recordações eu quero guardar para sempre. Dias ruins, melhor esquecer.
      
Mas nos investimentos, isso não pode acontecer. Na verdade, o oposto disso deve ser o padrão. Se as coisas estão indo bem na sua carteira, procure não olhar muito. Deixe a boa fase levar você e evite as tentações de aumentar posição na euforia ou realizar lucros cedo demais. 

O melhor é ficar muito atento quando as coisas começarem a piorar. Nunca abandone uma posição perdedora na sua carteira. Se você fizer isso consistentemente, vai acabar montando uma “micoteca”, uma coleção de micos. 
     
Uma carteira vencedora é composta de negócios vencedores, mantidos por tempo suficientemente longo para a colheita de resultados. Quando esses ativos vencedores já estiverem maduros e precificados, aí sim será a hora de colher os frutos. Não é preciso ficar olhando todo dia para eles.
     
Já os mais fracos precisam ser acompanhados de perto. Podem ser apenas oscilações de curto prazo ou um sinal de que algo está errado. Por isso, muita atenção deve ser dedicada ao que está dando errado. Não estamos nesse jogo para ter razão, estamos para ganhar dinheiro. 
     
Abraços,

Pedro Cerize

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