Gritty Investor #91: Escolha a Narrativa de sua ação: só existem 3 alternativas

Pedro Cerize Publicado em 05/07/2021
4 min
Investidores criam várias narrativas para justificar onde colocam o próprio dinheiro. Nem todas são boas. Hoje vou explicar quais narrativas você pode seguir...

Oi.

Quantas vezes alguém já te contou uma história longa e complicada de por que comprou ações de determinada empresa? Desde histórias superelaboradas, passando pelo rompimento da média de 37 dias com divergência no índice de força relativa (IFR) até o tradicional “ouvi de gente muito bem-informada”.
Investidores criam várias narrativas para justificar onde colocam o próprio dinheiro. Nem todas são boas. Cada ação tem uma história própria, mas todas têm que estar dentro de 3 narrativas possíveis para se comprar uma empresa.

O que mais eu ouço é:

"Essa ação está barata, então vou comprar."

Por que uma ação está barata?

Barato não é um valor absoluto. É diferente de dizer “esse título do Tesouro rende 7,5% a.a.”. Quando as pessoas dizem barato, elas querem dizer que o preço vai subir. Mas a questão é: Por que o preço vai subir? A resposta a essa pergunta será a narrativa da sua ação. E você pode escolher 3 narrativas para seguir:

Narrativa de Valor: você compra a ação porque o preço está baixo quando comparado com o valor dos resultados futuros, mesmo num cenário conservador de resultados. Mas não basta o preço de uma ação ter caído para ela estar barata. Muitas vezes essa queda de preço é o sintoma da decadência do valor intrínseco do negócio. Em outras, a queda de preço gera a oportunidade.

Mas o mais importante é que, quando você compra uma ação que está abaixo do valor justo, você define qual o preço de venda. Se a narrativa é comprar abaixo do valor justo, quando ação subir para esse preço justo, você não tem mais motivos para ela estar na carteira.

Narrativa de Crescimento: em alguns momentos, surgem oportunidades de comprarmos negócios que vão crescer muito e por muito tempo. O potencial está muito acima do tamanho atual desses negócios e é impossível estimar o valor final de um negócio nessa fase de crescimento acelerado. Nesse caso, quando você identificar essa empresa, você compra a ação e a segura enquanto ela ainda não tenha atingido boa parte de seu mercado potencial, se tornado dominante em seu mercado e pare de crescer. Só então, nesse dia, você vende. Isso pode estar anos no futuro. Esses casos costumam mudar a vida de um investidor.

Narrativa de um Evento: algumas empresas passam por momentos decisivos, singulares e únicos. Esses momentos representam grandes oportunidades e, ao mesmo tempo, grandes riscos. Empresas em reestruturação financeira, em processo de fusão, venda ou privatização são exemplos típicos. Nesses casos, o evento tem que ter potencial de destravar grande valor ao acionista. Você não se guia pelo valor nem pelo crescimento, você investe esperando o evento. Uma vez ocorrido (ou frustrado), você vende a ação. Não se prenda muito a metas fixas de preço: foque no evento. Passado tal evento e com todas as informações conhecidas, zere sua posição.

Em última instância, o objetivo de todo investidor é montar uma carteira de empresas que estejam baratas ou que vão continuar crescendo aceleradamente por um período longo ou que tenham eventos potenciais que destravem o valor potencial do negócio.

Se uma das 3 narrativas acima estiverem presentes nas suas ações, elas têm potencial de subir de preço. Como disse no início: uma ação que pode subir é uma ação barata. Mas, eventualmente, ela deixa de ser barata porque o preço subiu, porque a fase de crescimento passou ou o evento esperado já aconteceu. Aí você precisa decidir vender.

Fato é que é difícil saber quando vender uma ação. Porque não importa o momento em que você vende determinado ativo – sempre ficará a dúvida: “Será que não vai continuar subindo?", "Será que eu não posso ficar um pouco mais com esses papéis?", ou pior, “Será que o preço não volta para o que eu paguei?”.

Essa é a dificuldade de sair. Daí a importância de você construir sua narrativa e ser fiel a ela, no lucro ou no prejuízo. O ganhador não é aquele que não erra, é o que ganha muito quando acerta e perde pouco quando erra.

Abraço,

Pedro Cerize.

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