Gritty Investor #88: Risco Lula: o que não ter em carteira agora

Publicado em 12/03/2021
30 min
Acredito que, se assumir a presidência, Lula tende a radicalizar, pois, como Ivan Sant’Anna mesmo disse, não há águas calmas para ele navegar, ele terá que governar em mares turbulentos.

Olá, aqui é o Marcelo Cerize. 

Pelo sobrenome você já deve imaginar. Sou irmão do Pedro Cerize e trabalho com ele há 20 anos na gestão dos fundos e carteiras administradas pela Skopos.

Estou aqui na Inversa e a Anne Dias me pediu para trazer na Gritty Investor desta semana um pouco das minhas percepções sobre a elegibilidade do Lula.

Eu não tenho certeza se Lula vai ser candidato, mas ele pode ser. O Lula é esperto e nunca vai entrar para perder a eleição para o Bolsonaro ou qualquer outro candidato. Ele só irá concorrer em 2022 se tiver uma chance real de ganhar. Até lá, vamos passar por um estresse de mercado, pois há muita incerteza sobre para onde o Brasil está caminhando.   

O mercado vai começar a olhar para as várias possibilidades. Se a polarização aumentar, poderemos ter um nível de estresse máximo. 

Por isso, eu espero que apareça, nesse meio tempo, um candidato de centro, que não seja nem ultradireitista nem da extrema esquerda, que tenha força para segurar uma candidatura contra esses dois possíveis candidatos e consiga mudar o cenário da eleição e da economia brasileira. 

Acredito que, se assumir a presidência, Lula tende a radicalizar, pois, como Ivan Sant’Anna mesmo disse, não há águas calmas para ele navegar, ele terá que governar em mares turbulentos. Lula deve partir para um discurso mais de esquerda e menos paz e amor, como foi em 2002. 

Fica difícil prever o que devemos fazer para nos precavermos de um cenário como esse, faltando dois anos para a eleição. De toda forma, temos que nos prepararmos, dando pequenos passos no dia a dia, sem torcida ou partidarismo. 

Lula não seria bom para o mercado, mas a gente nunca sabe o que realmente pode acontecer depois da eleição. Isso aconteceu também em 2002, quando todos tinham um medo absurdo do candidato do PT. Quando ele foi eleito, seguiu com uma cartilha tradicional: rígido nas ações e com o seu próprio critério macroeconômico.

Agora, porém, o que realmente me preocupa é se essa disputa começará, ou não, a ser travada muito cedo. Se isso acontecer, veremos uma perda na economia. 

Existe um risco crescente de que nenhuma reforma aconteça. Aliás, já dou como certo: não teremos reformas enquanto Bolsonaro estiver no poder. 

A consequência é o agravamento da situação econômica nacional. O dólar não para de subir e não sei que sinal o Banco Central dará na semana que vem, com os juros. Mas, caso o Bacen suba os juros, ainda que 0,5%, dará a entender que o governo está com medo de a inflação voltar com força. De uns tempos para cá, sabemos que os juros no Brasil sobem de elevador e descem de escada. Podemos sofrer um choque de juros daqui a pouco, tudo vai depender da agilidade ou morosidade do Bacen em tomar uma atitude. 

Uma coisa que a gente nunca viu no passado e que está acontecendo neste momento é a atuação do STF, politicamente falando. E isso não gera apenas uma insegurança política, mas também jurídica para quem quer investir. Esse é o grande dilema: o investidor estrangeiro não consegue investir no Brasil porque ele não tem qualquer previsibilidade. Simples assim.

Periga perdermos o controle da inflação. Alta de juros não serão mais suficientes para segurar as altas generalizadas de preços. Haveria, então, um choque de juros mais forte e uma reação mais contundente na política fiscal. Resumindo: sem reformas, sem controle. 

Veja, não estou aqui dizendo a você que isso vai acontecer. Estou falando que, se seguirmos nesse ritmo, e se a campanha política começar muito cedo e Bolsonaro não focar no que tem que fazer, isso pode, sim, acontecer. E ainda bem que temos Paulo Guedes, porque, na minha opinião, ele é um elo entre o governo Bolsonaro e a responsabilidade. 

 

O que eu não teria na minha carteira neste momento 

Se sua dúvida é o que fazer com seu dinheiro neste momento, vou te dizer o que eu não vou fazer com o meu. Primeiro, eu não vou comprar nenhum CDB, título prefixado, CRIs e CRAs para o longo prazo. O único investimento prefixado que eu faria agora é tomar uma dívida prefixada no banco para comprar um imóvel. Isso porque, se a inflação aumentar ou houver um choque de juros, e se você estiver com essa dívida travada em 8% ou 10% de juros, será um bom investimento.

Também estou fugindo dos prefixados porque - e principalmente - se eles estiverem travados no longo prazo, pois parece bom agora, mas pode não ser daqui a 2 anos. 

E a segunda dica é: tenha em sua carteira ativos reais, como ações, ou, se não tiver conhecimento para escolher esses ativos, sugiro que procure um índice passivo. Sempre lembrando que o melhor investimento é aquele que você conhece e que te deixa dormir em paz.

Um abraço, 

Marcelo Cerize

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