Como comprar as primeiras criptomoedas

Andre Zara Publicado em 17/10/2018
12 min
Saiba quais são as opções de corretoras e as taxas cobradas para investir em moedas virtuais

Agora que você já leu a primeira edição da série Crypto Evolution (Edição #1: Os Três Fatores de Sucesso de uma Moeda Digital) você possivelmente já está pronto para fazer a sua primeira compra. Se você ainda não leu, pare agora e confira.

Neste texto vou contar como fiz para comprar minhas as primeiras criptmoedas. A ideia é começar logo, afinal somente com a prática você entenderá esse novo mundo. Se você está mais avançado e já conhece os procedimentos que vou descrever, não se preocupe. Nas próximas edições vamos nos aprofundar em assuntos mais complexos.  

Como no mundo dos investimentos tradicionais, a primeira coisa a se fazer para investir é abrir uma conta em uma corretora (exchange). 

Porém, as exchanges de moedas digitais não são reguladas por nenhum órgão governamental como as tradicionais – algo natural pela novidade e dinamismo da tecnologia.  

Como não existe nenhum indicativo de confiabilidade similar ao de uma corretora tradicional, vamos considerar apenas as maiores corretoras brasileiras de acordo com o volume diário de bitcoins negociados. 

Para começar, achamos que o ideal é comprar um valor mínimo exigido pelas corretoras (geralmente, R$ 50), só para entender como funciona cada uma das etapas de compra – inclusive a de custódia dos bitcoins, aspecto fundamental para as criptomoedas e que vamos discutir mais a frente dessa edição. 

Vamos falar especificamente do bitcoin por ser a criptomoeda mais popular - é sempre bom ter um pouco em nossa seleção – como o dólar seria em um portfólio de moedas tradicionais. Além disso, os bitcoins podem ser usados como moeda de troca para a compra de outras criptomoedas, as chamadas Altcoins.

As duas corretoras com maior volume de negociações e que concentram o mercado de plataformas para compra e venda de bitcoins no Brasil são, segundo o bitValor (site que reúne os índices de volumes e negociações do País), FoxBit e Mercado Bitcoin. Juntas, elas concentram aproximadamente 74,2% do volume transacionado mapeado – que foi de R$ 4 bilhões, em Dezembro/2017 (quando foi divulgado último edição do bitValor).

Para ajudar você, eu mesmo me cadastrei nas duas corretoras e vou contar brevemente a minha experiência:

FoxBit: processo simples. Preenchi meus dados e em seguida recebi um e-mail com um código de verificação, logo após seguir os passos indicados minha conta já estava ativa. Porém, quando enviei meus documentos para aumentar o nível do meu cadastro, houve uma demora de 10 dias para receber o retorno.

Mercado Bitcoin: fácil e simples de se cadastrar. Pediu apenas informações básicas.

Como mencionado anteriormente, é importante ressaltar que, por motivos de segurança, todas exchanges criaram uma espécie de “níveis” de cadastro: quanto mais informações o usuário fornece e precauções ele toma para garantir a segurança de seus acessos, maior é o limite para transacionar nas plataformas.

O interessante é que das duas exchanges apenas a Mercado Bitcoin negocia outra moeda fora o bitcoin, permitindo ao investidor comprar a Litecoin, Bitcoin Cash e Bitcoin Gold.

A Helena, que já foi sócia de uma corretora de criptomoedas, me contou que isso pode ter acontecido por uma questão simples de custo x benefício: há uma dificuldade operacional grande para se operar várias moedas digitais com tecnologias distintas ao mesmo tempo e esse trabalho extra geralmente só compensa se o volume de transações for relevante. 

E, como em todas as corretoras, existem taxas para comprar e vender bitcoins. Você pode comparar abaixo os valores cobrados pelas exchanges, de acordo com o site Biscoint:

Hora de comprar

Como senti que foi mais simples abrir conta na Mercado Bitcoin, ela já existe há bastante tempo no mercado, tem boa reputação no site Reclame Aqui e é a única das três corretoras que olhei que oferece litecoins, decidi comprar por lá mesmo. Minha sugestão para quem está começando é que faça o mesmo.

O primeiro passo é transferir dinheiro para a conta na corretora. A Mercado Bitcoin oferece algumas maneiras: por meio de depósito ou se tornando um “cliente VIP” para fazer TED e DOC. Para ser VIP basta digitalizar um documento com Seleção Nacional de Habilitação (CNH). 

Como eu não fiz isso, escolhi fazer um depósito em dinheiro por meio de caixa eletrônico. Depositei R$ 60, mas o mínimo que a corretora exige é R$ 50.


 
Após o depósito, tive que registrar meu depósito na plataforma e anexar um comprovante (foto do depósito que fiz com meu celular) meu pedido. Eu não li que era necessário fazer anotação no comprovante, como indicado no e-mail que recebi registrando o meu pedido de depósito. Fui apressado em realizar a operação... Três horas depois, recebi uma mensagem na área “Depósito” da plataforma, onde se acompanha as transações: “cancelado: Comprovante sem identificação.”

Precisei anotar meu CPF, escrever “Depósito para comprar bitcoin” e tirar nova foto com o comprovante ao lado do meu rosto – uma verdadeira selfie do comprovante. O prazo estabelecido para a compensação é de 5 minutos a 24 horas de acordo com mensagem. 

Depois disso, recebi uma mensagem “Cancelado: Comprovante Irregular”. Consultei a minha caixa de e-mail e recebi uma mensagem da equipe dizendo que eles haviam visto a imagem, mas os números não estavam legíveis. 

Se você faz transferência sendo VIP, não precisa passar por isso. Só precisa do comprovante digitalizado. O site informa que “Transferir valores com centavos (exemplo, R$ 200,14) facilita a identificação e faz com que o depósito seja liberado mais rápido.” 

O processo é pouco sofisticado, mas eu deveria ter esperado a plataforma me liberar como VIP. Mas, no final, consegui validar meu comprovante de depósito feito – tudo foi resolvido em uma tarde. A compensação foi feita e houve taxa de R$ 4,09 sobre a operação, deixando R$ 55,91 para eu investir em bitcoins. 

Após isso, foi só comprar:


 
Os meus R$ 55,91 se tornaram 0,00387 BTC (adquiridos 14/8/17), com a plataforma levando uma comissão de 0,7% sobre a operação.

Armazenar 

Um dos pontos mais importantes das moedas digitais é que em sua grande maioria as tecnologias não admitem o cancelamento das transações (o famoso “chargeback”).

Portanto, uma vez que suas moedas digitais sejam enviadas para outra seleção, apenas o destinatário conseguirá movimentá-las. Portanto, nunca é demais reforçar: você deve ser o responsável pela custodia das suas moedas digitais. Jamais deixe suas criptmoedas na corretora, pois as exchanges, por mais que se preocupem com a sua segurança, podem ser alvos de hackers. Isso já aconteceu algumas vezes (MT. Gox, por exemplo) e pode acontecer de novo – e nesses casos, não adianta chorar ou processar a corretora porque mesmo que ela vá a falência, as criptomoedas não vão voltar para sua seleção.

Ser dono do seu próprio dinheiro também requer responsabilidade, portanto sempre siga todas as instruções de segurança que puder.

Para se proteger, você precisa transferir as moedas digitais compradas na corretora para uma seleção (wallet) própria. Para fazer isso, é possível criar uma on-line (hot wallet) ou desconectada, imprimindo em papel ou usando um tipo de USB (cold wallet). Importante lembrar também que cada moeda digital requer um tipo específico de armazenamento – uma seleção de bitcoins não armazena ETH (token emitido pelo protocolo Ethereum), por exemplo. 

Eu usei uma seleção on-line criada no site blockchain.info para armazenar as bitcoins que comprei. Foi só me cadastrar e receber por e-mail o ID da minha seleção. Ao entrar em transações, você pode enviar e receber bitcoins. 

Para enviar do Mercado Bitcoin para a minha seleção foi só clicar no botão “transferir”. O importante aqui é destacar o campo “Endereço bitcoin de destino”. 

Essa informação você encontra na sua wallet, no campo “receber”. Ao clicar no botão, isso gera um endereço que você pode compartilhar e preencher no campo “Endereço bitcoin de destino”.  

Em poucos segundos, houve transferência e custo. Eu não pude transferir o total dos 0,00387 BTC da corretora, porque não tinha fundos (precisaria ter 0,00448 para transferir o meu saldo total). Resolvi transferir apenas 0,00200. 

Poucos minutos depois a operação estava concluída – com custo de 0,00061020 BTC. Eu então resolvi transferir meus 0,00200 BTC de volta para a corretora. Foi só clicar na minha wallet no botão “enviar” e colar o endereço que a corretora na me deu no botão “receber” e informar o valor. O custo de fazer isso foi de 0,00043 BTC (o que o sistema calculou e informou como R$ 5,89). 

Eu acabei recebendo 0,00156 BTC na minha conta da corretora. 

Hora de vender

Com os BTCs de volta a corretora, eu decidi vender todos os meus bitcoins e transformar em dinheiro de novo. Foi só clicar em “vender” os meus agora 0,00282 BTC restantes. Ao vender, isso se transformou em R$ 36,96.

 

O saldo em reais pode ser transferido para conta corrente de titularidade do usuário. Para isso, via de regra as corretoras cobram taxa e dão prazo similar ao de depósito de dinheiro.

As altcoins – IMPORTANTE LER - 

Agora você deve estar se perguntando sobre como comprar as outras moedas, como Dash ou ETH (token do Ethereum), já que as maiores e mais conhecidas corretoras se concentram apenas em bitcoin e litecoin (no Brasil, notamos que existe a corretora Braziliex que negocia Ethereum, Dash, Monero, Litecoin, entre outras, mas ela acabou de estrear no mercado e os volumes operados ainda são muito baixos). 

Uma maneira comum utilizada pelos investidores é comprar as altcoins por meio de corretoras no estrangeiro, usando geralmente bitcoins como forma de pagamento, ou, se a pressa não for tanta, por meio de remessa internacional de dinheiro para a conta da corretora no exterior.

Aqui cabe um alerta: por mais que o Banco Central já tenha informado que não regula as moedas digitais, há inúmeras resoluções vigentes que dispõem sobre as regras de câmbio para envio de dinheiro e bens para o exterior. Portanto, sugerimos sempre verificar com seu banco, contador e/ou advogado qual seria a forma correta de formalizar essas remessas de maneira legal.

Algumas corretoras no exterior onde podem ser negociadas diversas altcoins e que têm boa reputação são a GDAX, Bittrex e Bitfinex. Para esta última, preparamos um guia sobre como abrir conta e operar, leia aqui.

 

Um abraço,

André Zara.

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