Veja em 10 passos como identificar as melhores oportunidades da Bolsa

André Barros, o "Money Maker" Publicado em 17/11/2019
9 min
Saiba o que fazer para aumentar seus lucros e cometer menos erros

Olá,

Ganhar com ações é possível! Não é uma ciência complicada como muitos pensam e dá até para fazer um tutorial. É isso que quero mostrar nesse texto, onde explico a estratégia Money Maker em 10 simples passos.

Mesmo sendo necessário o entendimento de alguns conceitos básicos antes de começar, a dificuldade em ganhar com ações não está na parte técnica. Normalmente está em nossa disciplina (ou na falta dela) e em como gerenciamos nossas emoções. Os 10 passos, que divido em três pilares,  podem parecer bem óbvios e fáceis de serem seguidos, mas na prática é diferente.

Na prática, você será tentado por uma super dica, sofrerá de descrença num momento de baixa, ficará ansioso para vender uma posição que está com ganho antes da hora... Enfim, seguir os 10 passos pede disciplina, paciência e visão de longo-prazo.

Os três pilares para ganhar com ações

Gerenciando Riscos

1- Prepare-se (estude!).

2- Delimite os recursos que irá investir em ações.

3- Controle suas emoções!

Seleção de Portfólio

4- Monte uma lista de ações com bons fundamentos.

5-  Defina quais seriam as referências de preços baixos e altos para cada uma delas.

Gestão Ativa da Seleção de Ações

6- Compre de forma gradativa, priorizando as ações que estiverem com melhor potencial.

7- Venda as que já tiverem um ganho e potencial menor.

8- Recompre as ações que vendeu quando caírem, buscando sempre aumentar a quantidade de ações daquela empresa usando o mesmo dinheiro arrecadado com a venda, ou menos.

9- Reinvista dividendos.

10- Mantenha um bom controle de suas operações. É fonte de aprendizado constante!

Agora vamos à explicação

Sim, eu sei, você quer entender melhor cada ponto. Os 10 passos para ganhar com ações ainda parecem um pouco genéricos, então vou comentar mais detalhadamente sobre cada um deles.

1- Prepare-se (estude!)

Esse primeiro ponto é importante, mas não quer dizer que precisa de um MBA para investir na Bolsa. Refiro-me a não sair comprando ações sem antes buscar entender melhor esse mercado.

Reserve os primeiros meses para olhar um pouco esse universo por fora, lendo e buscando informações, seja elas básicas ou as que envolvam técnicas mais avançadas.

Sinta-se confortável antes de entrar, e mantenha a prática de estudar e buscar conhecimento por toda sua jornada de investidor.

Nunca investiu? Não se preocupe, vamos contar como o mercado funciona, custos de operação, impostos a pagar, opções de corretoras, dividendos, subscrições, mercado inteiro e fracionário, etc... Acompanhe a evolução das principais ações para entender a dinâmica, e habitue-se a ler notícias sobre o mercado.

Já investe? Aprofunde seus estudos, em especial na escola fundamentalista.

Seguem três boas sugestões de leitura para auxiliá-lo:

O Investidor Inteligente - Benjamin Graham (a Bíblia dos investimentos, requer um pouco mais de conhecimento)

Axiomas de Zurique - Max Gunther (leitura mais fácil, com foco maior na parte comportamental)

The Little Book That Beats The Market - Joel Greenblatt (uma visão interessante de como aplicar conceitos fundamentalistas para selecionar ações)

2- Delimite os recursos que irá investir em ações

Defina o valor que irá destinar para investir em ações. Nunca esqueça da natureza deste tipo de investimento: variável. Parece óbvio, mas não custa lembrar; seu capital estará sujeito às oscilações do mercado, podendo, em determinados momentos, estar abaixo do valor inicial.

Pode acontecer que você precise do capital e sua rentabilidade esteja brevemente negativa, obrigando-o a "realizar o prejuízo".

Sim, investindo em ações suas perdas estarão limitadas ao valor investido, mas ainda assim você pode sair com menos do que entrou. Sendo assim, considere duas regras básicas:

- O investimento em ações deve consistir em uma pequena parte do seu patrimônio total; 20% é um percentual razoável, mas vale calibrar com a sua propensão ao risco (mais conservador? Baixe para 10%. É um pouco mais agressivo? Considere subir para 25%). Quanto ao restante do seu patrimônio, busque aplicações mais seguras, como Títulos do Tesouro ou imóveis;

- Você deve reservar desse dinheiro num horizonte de 2 anos, para evitar ter que vender num momento de baixa.

3- Controle suas emoções!

Pessoalmente, acho essa a parte mais difícil. Mesmo depois de 14 anos investindo em ações ainda enfrento esse desafio.

Claro, conhecimento e experiência ajudam muito, mas acredite, ainda estaremos sujeitos a nossas emoções ao investir em ações.

Medo, ansiedade ou ganância, a lista de emoções é grande. Elas nos levam a deixar de ser investidores para virar apostadores, a abandonar nossas estratégias mudando o rumo e terminando em prejuízos. E como evitar?

Disciplina, conhecimento e clareza dos seus objetivos. Uma maneira de evitar o impulso da compra ou venda é deixar claro (vale até anotar) as razões que o fizeram escolher um investimento e os objetivos que tinha ao entrar naquela posição.

Coloque o futuro em perspectiva: ninguém consegue prever o que está por vir, e previsões mudam. Opiniões mudam ainda mais.

O mercado é bipolar, exagera em suas emoções e coloca os preços em níveis fora da realidade com frequência, e você não precisa entrar nessa dança esquizofrênica (mas pode aproveitar-se dela).

Tenha sua lista de ações a trabalhar e fuja de dicas quentes. Ou pelo menos passe essas dicas por uma boa avaliação de fundamentos da empresa.

Será que vale mesmo a pena incluir essa super dica na sua lista de ações? Se sim, por que? Somente se estiver confortável inclua em seu portfólio.

4- Monte uma lista de ações com bons fundamentos

Há centenas de ações listadas na bolsa, mas quais e quantas devem fazer parte da sua seleção?

Existem diversas maneiras de selecionar as melhores para compor sua seleção; a que eu utilizo é a chamada escola fundamentalista.

Basicamente essa escola parte da estudo dos fundamentos das empresas (daí o nome), olhando indicadores de balanço e resultado para avaliar empresas e suas ações.

Nesse sentido há uma grande lista de indicadores, mas, pessoalmente, trabalho com três:

Retorno/Patrimônio Líquido;

Preço/Lucro;  

Dívidas/Patrimônio Líquido.

O primeiro, para identificar as mais rentáveis; o segundo, para identificar as menos precificadas; e o terceiro é um filtro para fugir das mais endividadas.

Você pode escolher seus critérios, mas garanta estar selecionando empresas com bons fundamentos.

E complemento com um indicador de negociação: liquidez (o quanto uma ação é negociada na Bolsa).

Ações com baixa liquidez podem complicar você no momento que precisar vender (você levará mais tempo para vender, ou terá que baixar o preço de venda para realizar o negócio).  Sempre que reviso a seleção faço um passo a passo de como escolhi (uso um método inspirando em Joel Greenblatt, vale conhecer).

Outro indicador bom é dividend yield (o percentual que os proventos/dividendos representam do preço de uma ação, quanto maior melhor). Pode ser mais um elemento para selecionar suas ações.

A quantidade depende um pouco de quanto você tem para investir. Não existe uma regra, mas na minha seleção MoneyMaker coloquei R$ 1.000,00 por ação, considerando uma alocação total de R$ 30.000,00.

Este é um bom valor para utilizar essa estratégia, que implica em diversificação e gestão ativa, e traz consigo custos de corretagem. Mas você também pode utilizar valores maiores.

A seleção das melhores me deixa com um universo de 35 para escolher. Para garantir um mínimo de diversificação tenho em média de 10 a 15 ações compradas em seleção (esse número pode oscilar, dependendo do momento, seja quando estiver mais "comprado" ou "vendido").

O saldo? Em um caixa investido com liquidez diária, custo baixo e sem marcação a mercado – gosto do Tesouro Selic, mesmo quando a Selic está baixa.

Espero que os fundamentos apresentados aqui o ajudem a compreender nossa estratégia. Acredito que temos um brilhante caminho pela frente.

5 - Defina as referências de preços baixos e altos

Para poder balizar suas compras e vendas de ações vale estabelecer quais são os preços para vender (está caro) ou comprar (está barato). Existem várias maneiras de calcular o que é chamado de preço justo ou valor intrínseco de uma ação, mas a verdade é que são apenas valores teóricos. Não existe o "certo" nessa área.

Assim, prefiro estabelecer esses patamares com base no que o mercado normalmente entende por caro ou barato.

Eu faço esse cálculo a partir de três indicadores fundamentalistas: Preço/Patrimônio Líquido (P/PL), Preço/Lucro (P/L) e Dividend Yield.

Isso pois são indicadores de uso comum, que o mercado informalmente já estabelece alguns níveis de "caro" ou "barato".

Por exemplo, um Dividend Yield de 1,5% é baixo, enquanto 6,5%, a taxa SELIC, é alto. Com base nisso, e nos dividendos pagos no ano, posso projetar qual seria o preço da ação para cada um dos níveis.

Os níveis históricos de preços também podem ser uma referência válida. Particularmente, eu não gosto muito, por ter um efeito externo que pode desvirtuar. Mas, independentemente da escolha, é importante definir os níveis de preço que terá como alvo para balizar as suas decisões.

6 - Compre de forma gradativa

Evite entrar de uma vez no mercado. Tenha em mente que ele oscila, e é impossível determinar para onde irá, ou se você está no momento de maior alta ou baixa.

Assim, a melhor maneira de montar uma seleção é aos poucos e com calma, aproveitando as janelas de oportunidade que surgem todos os dias.

Tenha sua lista de ações e comece comprando aquelas que mostram maior potencial de valorização versus aquele preço alvo que definiu anteriormente.

Costumo comprar na seguinte ordem:

1- As que estão abaixo do preço ideal de compra. Tais ações têm potencial de valorização superior a 3 vezes a SELIC;

2- As ações que estão entre o preço ideal de compra e o preço de venda;

3- Só depois termino de montar a seleção com aquelas que estejam abaixo do preço ideal de venda, mesmo que não apresentem no momento potencial de valorização.

Desta forma você tem chance de encontrar bons momentos de entrada, e maximizar seu potencial de ganho. E enquanto não são efetivadas as compras, deixe seu dinheiro aplicado em um investimento de renda fixa com liquidez diária (dica: tesouro SELIC).

7 - Venda as que já tiveram certo lucro e que tenham potencial de menor de valorização

Fazer uma gestão ativa da seleção ajuda a potencializar os ganhos. Não significa vender a qualquer preço, mas sim aproveitar as oscilações do mercado para ampliar os ganhos.

E você pode vender para voltar a comprar as mesmas ações em maior quantidade.

E quando vender? É muito difícil acertar topos e pontos de saída, mas para ter algum critério considero sempre que a rentabilidade acumulada pela ação deve ser significativamente maior do que a variação da SELIC no mesmo período; 5 vezes, por exemplo.

Considero também que o potencial de valorização já esteja reduzido (igual ou menor do que a SELIC para um ano, por exemplo).

Coloco também um indicador que ajuda a identificar se o potencial já ficou limitado.

8 - Recompre as ações

Se as ações que vendi seguem interessantes (com bons fundamentos), o que faço de imediato é colocar uma ordem de compra da mesma ação. Afinal, se a empresa é boa não vou querer ficar sem ela na seleção. Pelo contrário, vou buscar ter ainda mais ações dela!

Então por que vendeu? Bastava manter em seleção ou até comprar mais.

Sim, mas aqui o objetivo é aproveitar as oscilações do mercado a nosso favor.

A ordem que coloco é de 5% a mais de ações, investindo o mesmo (ou menor) valor do arrecadado com a venda da mesma ação (em geral 6% abaixo do preço de venda, variando conforme o custo de corretagem de cada um).

Desta forma, em longo prazo terei cada vez mais ações daquela empresa, o que é ainda melhor se for uma boa pagadora de dividendos.

Às vezes leva tempo para o mercado recuar ao nível da ordem de compra colocada. Em alguns casos, principalmente se a ação foi vendida com um ganho pequeno, pode ser que nem retorne ao preço esperado.

Por isso é importante vender com um bom ganho, e próximo do potencial daquela ação.

9 - Reinvista dividendos

Chegará o momento em que superou a fase de "acumulação" e estará usando os dividendos como uma verdadeira renda passiva, custeando suas despesas ou sonhos de consumo.

Mas até lá, uma boa dica é reinvestir os dividendos recebidos, ampliando sua seleção e potencializando os ganhos.

Essa parte é fácil. Concentre os dividendos recebidos em compras de novas ações, em especial aquelas da sua lista de ações que tenham os maiores Dividend yields, simples assim.

10 - Mantenha um controle das suas operações

Essa é a parte chata, mas certamente a que mais gera aprendizados. Além, é claro, de ajudar a estimar os ganhos e ficar em dia com a Receita Federal.

Analise o que funcionou e o que pode melhorar, e estabeleça desafios para você mesmo (como superar consistentemente a SELIC, aumentar sua posição em determinada empresa, atingir um nível determinado de dividendos, etc.).

A planilha Money Maker pode ajudar, mas não é a única opção. Você pode criar a sua, se for familiarizado com planilhas, o que torna o processo ainda mais rico. O importante é que tenha um controle de suas operações e possa aprender com isso.

Tudo isso funciona?

Ajuda bastante. Invisto diretamente em ações desde 2003, mas nunca havia obtido bons resultados, raras vezes batia o Ibovespa, e na maioria das vezes igualava a renda fixa, o que não faz muito sentido assumindo os riscos da Bolsa, concorda?

Porém, olhando no detalhe, percebi que tinha uma pequena parte da minha seleção que tinha um rendimento bem acima do mercado, e ali estava a dica, o “pulo do gato”.

Nessa parte da seleção eu já aplicava o princípio da Gestão Ativa de Seleção, e funcionava muito bem!

Então, decidi que essa seria a estratégia para a seleção como um todo, e os resultados começaram a ficar mais consistentes.

E pode continuar funcionando? Acredito que sim, e foi por isso que criei a seleção MoneyMaker. Para colocar essa estratégia a prova.

Mas guarde as palavrinhas mágicas: disciplina, conhecimento e paciência. São elas que fazem a diferença para ganhar com ações.

Bons negócios!

Um abraço,

Money Maker

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