Renda Variável: o que é e como investir

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Os investimentos em Renda Variável, diferentemente da Renda Fixa, têm como principal característica a imprevisibilidade da rentabilidade no momento da aplicação.       

Na prática, isso significa que o investidor não consegue precisar quanto o seu dinheiro vai render ao longo do tempo, principalmente por conta das oscilações nos preços dos ativos.         

A renda variável costuma ter seu significado distorcido e muitas vezes é possível encontrar opiniões extremas em relação ao tema por aí.   

Enquanto muitos investidores acreditam que ela é um meio de ganhar dinheiro de forma fácil, outros acreditam que investir nela é como jogar na loteria.    

Não é bem assim.     

A verdade é que, desde que o investidor faça aplicações de forma responsável, é possível obter resultados satisfatórios e potencialmente maiores do que na renda fixa.       

Porém, os dois tipos de investimento não são excludentes. Sempre ressaltamos que o ideal é que você tenha uma carteira diversificada de acordo com o seus objetivos financeiros e o seu perfil de risco. 

O ponto de atenção aqui é que o mercado de renda variável é muito dinâmico e se movimenta diariamente de acordo com o interesse dos investidores. Se há muitos compradores, os preços tendem a subir. Caso contrário, as cotações caem.

Mas vamos ao que interessa: como eu faço para investir em renda variável?     

Existem diversos tipos de investimento de renda variável, mas como a ideia aqui é abordar o tema de forma objetiva e concisa, vou falar dos instrumentos mais comuns para realizar este tipo de aplicação.         

São eles: as ações, os fundos de investimentos imobiliários (FII) e os derivativos.


Ações

Uma ação representa a menor parcela do capital social de uma empresa.          

Logo, ao comprar uma ação, o investidor está se tornando sócio desta empresa e pode ganhar de duas formas: ou com a valorização dela ou com a distribuição dos lucros.       

Por outro lado, ele também passa a correr os riscos do negócio, como qualquer empresário.

Você pode estar se perguntando: por que os sócios de uma empresa aceitariam outros sócios para repartir seus lucros?  

O principal motivo para elas decidirem fazer isso é a expansão de seu negócio.

Como assim? Vou explicar melhor para você.       

Imagina que a empresa XYZ S.A. tem um capital social de R$ 400 mil dividido entre quatro sócios (25% para cada). 

Para expandir sua fábrica, ela precisa de mais R$ 100 mil e, como os sócios não dispõem deste dinheiro e não desejam contrair um empréstimo com um banco, eles decidem captar este valor por meio de uma oferta pública inicial de ações (IPO).         

Vamos supor que 20 investidores se interessem e decidam aportar R$5 mil cada um, totalizando os R$ 100 mil necessários para a reforma.      

Desta forma, o novo capital social da empresa passaria a ser de R$ 500 mil, no qual cada um dos sócios antigos teria apenas 20% e os novos investidores 1% cada – totalizando 100%.            

Quanto maior a posição acionária de um investidor, maior será a sua parcela dos lucros,
mas vale ressaltar que qualquer acionista pode receber parte dos lucros, independentemente da quantidade de ações que possui.    

As ações são classificadas de acordo com a natureza dos direitos e vantagens que conferem aos titulares:   

Ações Ordinárias (ON): dão direito a voto em diversas decisões de uma empresa. Os acionistas ordinários deliberam sobre o destino da sociedade, analisam e votam as suas contas patrimoniais, decidem sobre a destinação dos seus resultados, elegem a diretoria da sociedade, entre outros. 

Ações Preferenciais (PN): possuem prioridade no recebimento de dividendos, porém, não dão direito a voto, com exceção nos casos em que a empresa não distribua dividendos pelo prazo de três anos consecutivos. O acionista preferencial também possui preferência no reembolso do capital em caso de liquidação da sociedade.     

O código de negociação (ticker) das ações ordinárias é composto por 4 letras (referentes à empresa) e o número 3.      

Já o ticker das ações preferenciais é composto pelas mesmas quatro letras seguidas dos números 4 (ou 5, 6, 7 ou 8, em situações especiais).      

Exemplo: o código das ações ordinárias (ON) da Petrobras é PETR3 e o código das ações preferenciais é PETR4.          


Como posso ganhar dinheiro com ações?  

Basicamente existem duas formas de ganhar dinheiro através da negociação de ações. A principal delas é com a própria valorização das ações, resultante das forças compradoras ou vendedoras do mercado.

Exemplo: você comprou 100 ações PETR4 por um preço de R$ 20,00 cada e as vendeu por R$ 25,00. Neste caso, você teria ganhado 500 reais com esta negociação, sem considerar os custos e impostos (R$ 5,00 de lucro multiplicado pelas 100 ações).

Outra forma é através do recebimento de proventos, como dividendos ou juros sobre o capital próprio (JCP).

Dividendo é uma parcela do lucro líquido da empresa que é destinada aos acionistas. Este dinheiro irá cair diretamente na sua conta da corretora e a grande vantagem dele é a isenção de Importo de Renda (IR), uma vez que ele já foi pago pela empresa que distribuiu. Então, no seu ajuste anual do IR, ele seria lançado como rendimento isento e não tributado.   

JCP representa os juros que incidem sobre os lucros não distribuídos pela empresa em exercícios anteriores e
mantidos como reservas de lucros, integrando o patrimônio líquido da empresa. Assim como os dividendos, o JCP é creditado na sua conta da corretora, porém, no JCP há incidência de IR de 15% na fonte.     

Existem outros eventos de custódia, que também afetam os acionistas, como:  

Direito de Subscrição: quando a empresa deseja aumentar o capital social, confere aos acionistas a opção/direito de adquirir de forma preferencial novas ações, geralmente a preços mais atrativos do que os preços negociados em mercado. Caso o investidor não tenha interesse em comprar as novas ações, em alguns casos poderá vender esses direitos no mercado. As datas para subscrição ou negociação desses direitos são pré-determinadas e divulgadas em comunicado ao mercado.          

Bonificação: quando uma empresa não distribui parte de seus lucros aos acionistas, ela poderá aumentar o seu capital incorporando esse valor como reserva de lucro ou de capital, via emissão e distribuição de novas ações aos seus acionistas. Cada acionista receberá uma nova quantidade de ações, proporcional a posição que já possui.

Além disso, alguns eventos, que são comuns no mercado, podem melhorar a liquidez e diminuir a volatilidade/risco das ações. Por isso, se um deles acontecer não se preocupe, pois não haverá mudanças no valor total da sua posição.    

Desdobramento (Split): a empresa aumenta a quantidade de ações em circulação, porém, não afeta a estrutura de capital, pois o valor de mercado é reduzido. Um dos objetivos do desdobramento é aumentar a liquidez do ativo, que se torna mais barato e, por consequência, mais acessível.

Exemplo: supondo que o investidor possui 100 ações a 10 reais cada, totalizando R$ 1.000, após um desdobramento 2:1 ele teria 200 ações a 5 reais cada, mantendo os R$ 1.000 aplicados.         

Grupamento (Inplit): o oposto do desdobramento, ou seja, haverá uma diminuição do número de ações negociadas e aumento do preço, sem mudar a estrutura de capital. O grupamento costuma acontecer quando o preço do ativo está muito baixo, o que o torna muito volátil.       

Exemplo: supondo que o investidor possui 200 ações a 5 reais cada, totalizando R$ 1.000, após um grupamento 2:1 ele teria 100 ações a 10 reais cada, mantendo os R$ 1.000 aplicados. 

 

Índices de Bolsa de Valores          

Se você pretende investir em ações, é importante que você acompanhe os índices da bolsa, que servem como parâmetros para acompanhar os movimentos e desempenho do mercado.        

Os índices são compostos por uma cesta de ativos selecionados através de metodologias específicas para determinar a quantidade teórica de cada ação na seleção, que leva em conta, principalmente, a sua liquidez (índice de negociabilidade).

Os mais utilizados como parâmetros no Brasil são:

 

  • Ibovespa – Índice Ibovespa (ações mais negociadas na bolsa)
  • IBrX 100 – Índice Brasil (100 ações mais líquidas)
  • IBrX-50 – Índice Brasil (50 ações mais líquidas)           
     

* É possível também negociar ativos que replicam os índices da bolsa, por meio de fundos específicos, os chamados ETFs. 

 

Fundos de Investimentos Imobiliários (FII)

Um fundo de investimento imobiliário (FII), ou simplesmente fundo imobiliário, funciona como um grupo de investidores que aplicam em conjunto no mercado imobiliário, com o objetivo de conseguir algum retorno tanto pela locação do imóvel quanto pela negociação dos mesmos.     

Esta aplicação pode ser feita em shoppings, escritórios, galpões logísticos, imóveis residenciais, hospitais, hotéis, além de títulos de dívida imobiliária (como CRI e LCI) e outros fundos imobiliários.        

Para efeitos de comparação, podemos fazer um paralelo com a compra de imóveis físicos.

Imagine que um investidor deseja comprar um apartamento, colocar para locação e assim receber uma renda mensal com este imóvel. Agora imagine como seria dificil para a pessoa física administrar diversos imóveis. 

Além disso, a aquisição de shoppings e galpões logísticos, por exemplo, não é tão acessível assim para o investidor comum.    

É aí que está uma das diversas vantagens de se investir em um fundo imobiliário.        

O investidor pode ter uma parcela dos imóveis e ainda receber mensalmente o valor do aluguel proporcional destes imóveis, líquido de uma taxa de administração para que os próprios gestores e administradores se encarreguem de buscar locatários, negociar novos imóveis, entre outros trâmites burocráticos.

Outro benefício muito interessante dos FII’s é que seus rendimentos são isentos de Imposto de Renda para a pessoa física, o que os torna ainda mais atrativos.

Ainda não entendeu muito bem como ele funciona?          

Vamos supor que o prédio onde você mora tenha 100 apartamentos e que todos eles pertençam a um único dono que cobra um aluguel de 4 mil reais/mês para cada morador.

Após as despesas referentes a administração do imóvel, imagine que a receita mensal deste único dono seja 350 mil reais. 

Agora vamos supor que este dono é um fundo imobiliário que possui 1.000 cotistas, neste caso cada cotista receberia mensalmente 350 reais referentes ao aluguel dos apartamentos.

 

Quais os tipos/classes de FII’s e como negociar?    

Quanto à negociação destes fundos, assim como as ações, eles também são identificados por um ticker, formado por 4 letras seguidas do número 11 (exemplo: ABCD11).

Com o valor das cotas usualmente próximo a R$ 100 reais, os fundos imobiliários costumam negociar com lotes iniciais pequenos, permitindo aos investidores começar a investir em apenas 1 cota, enquanto no mundo das ações o lote padrão, e geral, é de 100 ações. 

Os fundos imobiliários são divididos em duas grandes classes:    

Fundos de Renda (de Tijolo)

É a estrutura mais simples de entender, pois são constituídos de ativos físicos (por isso o nome “tijolo”).        

Alguns fundos possuem diversos empreendimentos e em regiões distintas, enquanto outros preferem focar em apenas em um único imóvel ou locatário. Não existe uma regra quanto a isso.        

Embora um fundo possa ter imóveis para diversas finalidades, é comum que se faça uma distinção de acordo com o segmento dos ativos de cada fundo.

Os principais segmentos são: lajes corporativas (escritórios), galpões logísticos, shoppings centers, agências bancárias, hospitais, dentre outros. 

Fundos de Recebíveis (de Papel)    

Ao invés de negociar ativos físicos diretamente, estes fundos negociam títulos ligados ao mercado imobiliários, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), entre outros, que possuem imóveis como lastro.         

Estes fundos, portanto, costumam gerar caixa de forma segura, uma vez que investem seus recursos em títulos de renda fixa. Além disso, os fundos conseguem ter acesso a papeis que o investidor comum não teria acesso.          

Além disso, os fundos de papel tambem podem ter cotas de outros FII, sejam eles de papel ou de tijolo. Estes são chamados de fundos híbridos, e trazem uma diversificação ainda maior para o portfólio.    

Vale ressaltar, porém, que tanto para os fundos de tijolo quanto para os fundos de papel é importante conhecer o portfólio para avaliar a qualidade e localização dos ativos, a qualidade dos locatários e os índices de vacância e inadimplência.        


Como posso ganhar dinheiro com FII?   

Da mesma forma que as ações, os investidores podem ganhar tanto com a valorização das cotas dos fundos quanto através dos rendimentos distribuidos mensalmente.          

De acordo com a Lei 9.779/1999, os fundos imobiliários são obrigados a distribuir a seus cotistas 95% do lucro apurado no semestre - que gera previsibilidade para os investidores. E, mesmo não havendo uma obrigação de pagamento mensal, a grande maioria dos FIIs costuma fazer isso.     

Além disso, para os FIIs também existe o direito de subscrição, quando o fundo busca recursos adicionais através de novas emissões de cotas, geralmente para aquisição de novos empreendimentos ou investimentos.           

 

Índice de FII’s: O IFIX         

Os fundos imobiliários também possui um índice, o IFIX, que serve para acompanhar os movimentos e desempenho dos FIIs mais negociados na bolsa de valores. Assim como os índices referentes ao mercado acionário, sua composição é feita com base em metodologia pré-estabelecida pela B3, a bolsa brasileira, levando vários aspectos em consideração, como o índice de negociabilidade (liquidez) e valor de mercado (tamanho do patrimônio) do fundo.  

Derivativos

Os derivativos, como o próprio nome diz, são instrumentos financeiros cujo preço deriva do preço de outros ativos (ativo objeto ou ativo subjacente). Além disso, estes instrumentos possuem sua liquidação a um preço estabelecido em uma data futura.

Estes ativos podem ser físicos, como café, ouro e soja, por exemplo, ou financeiro, como ações, taxas de juros ou câmbio

 

Pra que eles servem?

Embora estes instrumentos seja utilizados geralmente como estratégias de proteção (hedge) contra possíveis variações nos preços dos ativos objeto, também são utilizados de forma especulativa por investidores com um maior apetite ao risco ou como forma veículo de arbitragem de valor entre preços negociados em diferentes mercados.

 

Quais os tipos de derivativos?

As operações mais comuns com derivativos (existem outras) são feitas no mercado a termo, no mercado futuro e no mercado de opções.

 

Mercado a termo

Nas negociações no mercado a termo, as partes (comprador e vendedor) assumem um compromiso da compra e venda de uma mercadoria em uma data específica.

A venda é realizada por um financiador, que executa a compra do ativo no mercado a vista e vende a prazo para o comprador, acrescentando ao preço uma taxa de juro (taxa do termo). A taxa do termo poderá variar de acordo com o financiador e o prazo estabelecido.

Exemplo: Você acerta a compra a termo de ações PETR4 no valor de R$ 30,00 com vencimento em 60 dias. Ao final desde período, você deverá pagar o valor do contrato (R$ 30,00) e recebe as ações referidas.

O termo é um tipo de operação muito utilizado por investidores que desejam comprar um ativo hoje, porém, sem a necessidade de desembolsar o valor de forma imediata, apenas no vencimento do contrato. Portanto, é considerado uma estratégia de alavancagem.

 

Mercado futuro

A dinâmica do mercado futuro é semelhante. Porém, nele são negociados contratos padronizados em bolsa onde compradores e vendedores recebem e entregam uma determinada quantidade de um ativo em data pré-estabelecida (futuro).

No momento da negociação, as partes negociam um preço futuro para o ativo (exemplo: dólar, soja, milho, gado, etc.) e no vencimento a liquidação financeira se da apenas pela diferença entre o preço do ativo e o preço definido no contrato.

Exemplo de operação no mercado futuro:

Um produtor irá colher 100.000 sacas de café daqui a 3 meses. Atualmente, cada saca de café custa R$ 90,00, um preço considerado justo por este produtor, já que é suficiente para ele arcar com os seus custos e ainda ter um bom lucro.

Receita = R$90/saca * 100.000  sacas = R$ 9 milhões

Caso o preço sofra um variação negativa nestes 3 meses, o produtor corre o risco de não conseguir pagar seus fornecedores e então, para se proteger, ele emite contrato de venda de café a um preço de R$90/saca com vencimento em 3 meses.

Visto isso, existem dois cenários possíveis:

  1. O preço da saca de café subir:

Vamos supor que o preço da saca de café suba para R$ 100.

Logo, o produtor vende a sua safra no mercado à vista, garantindo R$ 10 milhões, mas tem um prejuízo de R$ 1 milhão com a operação no mercado futuro.

  1. O preço da saca de café cair:

Vamos supor que o preço da saca de café caia para R$ 70.

Neste caso, o produtor vende sua safra no mercado à vista garantindo R$ 7 milhões, e ainda conta com o lucro de R$ 2 milhões com a operação no mercado futuro.

Note que nos dois cenários o produtor teve o mesmo retorno líquido, R$ 9 milhões. Ou seja, independente se o preço cair ou subir, o produtor mantém seu faturamento.

É importante complementar dizendo que, no mercado futuro, esse ajuste financeiro não é feito apenas no vencimento.

Como forma de salvaguardar a liquidez dos investidores em bolsa, as variações diárias dos ativos negociados no mercado futuro são debitados ou creditados em sua conta diariamente, o famoso “ajuste diário”.

E, assim como no mercado a termo, também considera-se um instrumento alavancado, pois o investidor precisa apenas de uma margem de garantia depositada na corretora e pode operar multiplas vezes o seu patrimônio.

 

Mercado de opções

As opções são contratos onde se negociam direitos, por um dado período, de comprar ou vender ações a um preço fixado (chamado preço de exercício ou strike).

As opções são geralmente comparadas com a contratação de um seguro, no qual você realiza o pagamento do prêmio de seguro para estar coberto no caso de um eventual sinistro.

Elas podem ser divididas em dois tipos:

  • Opção de Compra (Call):

O investidor que compra uma CALL está comprando o direito de adquirir o bem atrelado a ela pelo preço específicado até o dia do vencimento.

No vencimento, esse investidor irá exercer seu direito de comprar apenas se o ativo estiver negociando a um preço acima do strike-price da opção (in-the-money ou dentro do dinheiro).

Por exemplo:

Vamos supor que você adquira uma CALL de ITUB4 ao preço de exercício de R$ 27,00 com o vencimento em agosto. Pela opção de compra de 100 ações, você paga R$ 2,00 por ação.

Então seu gasto inicial será de R$ 200,00.

Imagine que o preço do ativo no vencimento atinja o valor de 30 reais por ação (ou seja, acima do strike-price). Neste caso, você exerceria sua opção de compra das 100 ações pelo preço estipulado no contrato, dispendendo R$ 2.700 e venderia as ações no mercado à vista por 30 reais, tendo uma receita de R$ 3.000.

Logo, o saldo final da operação seria de 100 reais.

-200 reais – Compra das CALLS.

-2.700 reais – Compra das ações nos termos definidos na CALL.

+3.000 reais – Venda das ações no mercado à vista.

Saldo Final: 100 reais

 

Agora, caso o preço do ativo estiver abaixo do strike (out-of-the-money), você pode optar por não exercer a opção de compra, uma vez que seria mais vantajoso comprar os ativos diretamente no mercado à vista.

Veja no gráfico anterior que, abaixo do preço de exercício, o prejuízo é limitado ao valor da operação (quanto você gastou para comprar as opções de compra), enquanto acima dele os ganhos tendem ao infinito.

Do outro lado desta mesma operação, um outro investidor realizou a venda desta CALL para você. Porém, no caso do vendedor de uma opção, ele possui a obrigação de vender o ativo pelo preço predeterminado.

O saldo do investidor que realiza venda de uma CALL é exatamente o inverso do que o do investidor que realiza a compra desta mesma CALL.

Considerando o exemplo acima, o saldo da operação para o vendedor da CALL seria de -100 reais.

Se o preço do ativo estiver abaixo do preço do exercício, o vendedor irá receber o valor das opções, mas suas perdas podem ser ilimitadas, conforme o preço da ação suba.

  • Opção de Venda (Put):

No caso da opção de venda (ou PUT), o investidor está adquirindo o direito de vender o bem atrelado a ela pelo preço específicado até o dia do vencimento.

Sendo assim, o investidor exercerá o seu direito de venda caso o preço de negociação do ativo base estiver abaixo do strike-price.

Por exemplo:

Vamos supor que você adquira uma PUT de PETR4 ao preço de exercício de R$ 22,00 com o vencimento em setembro. Pela opção de venda de 100 ações você desembolsa R$ 1,00 por ação.

Seu gasto inicial será de R$ 100,00.

Imagine que até o vencimento o preço de PETR4 caia para 20 reais (abaixo do strike-price). Sendo assim, você poderia comprar as 100 ações no mercado à vista, desembolsando mais R$ 2.000,00 e exerceria sua opção de venda a 22 reais ganhando R$ 2.200,00.

O saldo da operação seria de 100 reais.

-100 reais – Compra das PUTS.

-2.000 reais – Compra das ações no mercado à vista.

+2.200 reais – Venda das ações nos termos definidos na PUT.

Saldo Final: 100 reais

Caso o preço do ativo estivesse acima do strike, você deveria optar por não exercer a opção de venda.

Veja, no gráfico anterior, que, acima do preço de exercício, o prejuízo é limitado ao valor da operação, enquanto abaixo dele os ganhos são crescentes.

Assim como com as opções de compra, a negociação de PUTS também envolvem um vendedor. Neste caso, ele tem a obrigação de comprar o papel caso o preço de negociação do ativo base for menor do que o strike-price e o seu saldo também é o inverso do comprador da PUT.

Caso o preço do ativo base se mantenha acima do strike no vencimento, os ganhos do vendedor são limitados ao valor da venda das opções, mas as perdas aumentam conforme o preço cair, abaixo do strike-price.

As operações de vendas de opções (tanto CALL quanto PUT) podem gerar perdas ilimitadas e, portanto, são muito arriscadas. Para realizar este tipo de operação a B3 exige a chamada de margem, que funciona como uma garantia para o cumprimento do negócio. Além disso, as corretoras também podem cobrar garantias adicionais para a manutenção da operação.

 

Distinção por direitos

As opções também podem ser separadas entre opções americanas ou europeias.

Esta distinção, porém, não está relacionada à geografia, mas sim, com os direitos que cada uma delas confere aos seus compradores.

As americanas são geralmente mais liquidas, pois permitem o exercício a qualquer momento entre a sua compra e a data do vencimento, sendo mais comum nas CALLs. Por outro lado as europeias são mais comum nas PUTS, uma vez que só permitem o exercício do direito de compra ou venda na própria data de vencimento.

 

Outras estratégias

Além das operações básicas (de compra e venda), é comum que os investidores mais experientes montem estratégias que mesclam CALLs e PUTs com strikes diferentes, se protegendo de cenários específicos.

 

Nomenclatura

Os códigos de negociação das opções sempre terão as quatro primeiras letras padrão do ativo objeto (exemplo: PETR para Petrobrás),uma letra que identifica o mês de vencimento e um número que identifica o preço de exercício.

A letra correspondente ao mês de vencimento segue a seguinte tabela:

Desta forma, uma opção de compra (CALL) das ações da Petrobrás com vencimento em agosto e strike-price de 22 reais seria PETRH22.

 

Vale ressaltar que nem sempre os números finais representam exatamente o preço de exercício. Esse preço costuma variar de acordo com alguns eventos de mercado, porém, para efeito de compreensão, vamos considerar desta forma.

Bom, espero que com este conteúdo você tenha conseguido absorver um pouco da dinâmica do mercado de renda variável, os principais veículos, suas características e como contribuem para a composição do portfólio de qualquer investidor.

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Nós vemos em breve!

Um abraço,

Antonyo Giannini

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