Guia definitivo sobre BDRs

O que são BDRs, os tipos de BDRs, quem pode Investir em BDRs e muito mais....
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Olá investidor(a)!

Acredito que tanto se você começou a investir agora quanto se já é mais experiente no mercado já pensou em um dia poder se tornar sócio não só de empresas brasileiras mas também de empresas multinacionais, principalmente aquelas que possuem uma marca muito forte e são muito presentes no nosso dia a dia como Netflix, Apple, Amazon e muitas outras. 

Neste guia, trago para você tudo que precisa saber sobre esse tipo de investimento, desde quem pode investir nessas empresas até como fazê-lo na prática.  

Caso ainda não nos conheça, a Inversa é uma publicadora de conteúdos sobre investimentos totalmente independente, ou seja, aqui você pode confiar que receberá informações e sugestões de investimentos completamente isentas e alinhadas aos seus interesses como investidor. 

Não deixe de ler e dividir esse guia com seus conhecidos para que eles também possam sanar suas dúvidas a respeito do assunto abordado aqui hoje.

 

O que são BDRs?

 

Formalmente, e segundo a própria Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em seu site, “BDRs são certificados de depósito de valores mobiliários, títulos emitidos no Brasil que representam outro valor mobiliário no exterior.”

Agora, de forma mais prática, os BDRs nada mais são que representações de ativos estrangeiros, geralmente ações de empresas, só que listadas em uma bolsa de valores brasileira. 

Um exemplo disso é empresa norte americana Apple. Uma empresa fabricante de hardwares e softwares, mais conhecida por seus aparelhos celulares, que conquistaram praticamente o mundo inteiro. 

As ações da Apple são listadas e negociadas em uma das principais bolsas de valores dos Estados Unidos, a NASDAQ, através do ticker (código) AAPL. 

Como ela é listada em outro país, caso quisesse comprar ações dessa empresa por via direta, teria que buscar e escolher uma corretora nos Estados Unidos, passar pela burocracia de abertura de conta no exterior, converter seus reais em dólares, para finalmente transferir seus dólares para a corretora e realizar a compra das ações.

Entretanto, em busca de facilitar o acesso a essas empresas que não são listadas aqui no Brasil, criou-se um instrumento chamado BDR (Brazilian Depositary Receipts). 

Através dele, o investidor local pode, utilizando tanto as corretoras quanto a Bolsa de valores local, comprar recibos que representam essas ações estrangeiras. No caso da Apple, o investidor local pode comprar BDR com o ticker AAPL34.

Para que isso possa acontecer, a instituição originadora do BDR compra ações no mercado estrangeiro, as armazena em custódia regulada e negocia na bolsa local os recibos que representam as ações adquiridas. 

Novamente, segundo a própria CVM em seu site, “Ao investir em BDRs, o investidor assume posição similar a que teria caso realizasse o investimento nos ativos estrangeiros por eles representados.”

Ou seja, segundo o próprio regulador, ao comprar esses recibos que possuem lastro em ações custodiadas, o investidor está comprando os direitos sobre aquelas ações. 

Sendo assim, os investidores de BDR podem, assim como se estivessem comprando as ações diretamente, se beneficiar ou se prejudicar da flutuação de seus preços e até do pagamento de dividendos das empresas. 

 

Os tipos de BDR.

 

Dentro desse nicho, para diferenciar os BDRs que cumprem com exigências e requisitos diferentes, foram criados os tipos, ou as classificações, a seguir:

BDR Patrocinado.

Quando o BDR é classificado como patrocinado, isso significa que a própria empresa representada pelo BDR teve interesse em comercializar suas ações fora do seu país de origem. 

Para que isso possa acontecer, a companhia precisa contratar uma instituição depositária no Brasil que ficará responsável por revender esses ativos. 

Os BDRs patrocinados são classificados em três níveis: 

• Nível I

As companhias estrangeiras emissoras das ações originais, ou lastro, não precisam de registro na CVM. 

Além disso, ela é dispensada da exigência de divulgar outras informações da companhia emissora além das que já está obrigada a divulgar em seu país de origem. 

• Nível II

Com um nível de exigência um pouco maior, o BDR patrocinado nível II exige que a empresa emissora das ações originais, do lastro, tenha registro na CVM. 

• Nível III

Já a de nível III, além de exigir o registro na CVM da empresa emissora do lastro, requer que a oferta pública do BDR seja, obrigatoriamente, conforme a Instrução CVM nº 400 ou a Instrução CVM nº 476, ou seja, ela pode ser feita através de distribuição pública ao mercado.

BDR Não Patrocinado Nível 1

Já o BDR Não Patrocinado, significa que uma outra instituição que não a própria empresa, foi quem se interessou em trazer ao mercado brasileiro ações de uma determinada companhia para serem negociadas no mercado brasileiro.

Normalmente esse processo é de interesse da própria originadora ou depositária, como bancos nacionais ou internacionais e outras instituições. 

Atualmente no mercado brasileiro, a grande maioria dos BDRs listados possuem esta classificação.  

 

Quem pode investir em BDR?

 

Originalmente, os BDRs de nível I, que representa a grande maioria dos BDRs negociados no Brasil, só podiam ser investidos pelos chamados investidores qualificados, assim como os investidores profissionais. 

Segundo a norma, os investidores qualificados são as pessoas físicas ou jurídicas com investimentos financeiros superiores a R$ 1 milhão que se autointitulem aptos a adquirir esses produtos, já os investidores profissionais são instituições financeiras, fundos de investimento, administradores de carteira e consultores de valores mobiliários autorizados pela CVM em relação ao seus recursos próprios. 

Entretanto, no dia 11 de agosto de 2020 a CVM editou a Resolução CVM 3, que promove alterações nas Instruções CVM 332, 359, 480 e 555, em relação às regras relacionadas a BDRs.

As novas regras.

A principal mudança vinda da Resolução CVM 3, que após a aprovação da B3 passará a ser praticada na bolsa brasileira, é que, a partir de sua aprovação, os investidores NÃO qualificados, terão permissão para que, a depender do mercado em que os valores mobiliários lastro dos BDR Nível I sejam listados, possam negocia-los. 

Na prática isso significa que alguns BDRs, inicialmente discute-se de que os de empresas norte americanas, poderão ser adquiridos por qualquer investidor, não só mais os investidores qualificados e profissionais. 

Ou seja, essa mudança trará para os investidores pessoa física um leque muito maior de empresas investíeis aqui na bolsa brasileira.

 

 

Por que devo investir em BDRs?

 

Acredito que depois de aprender o essencial sobre BDRs e entender que através dela você poderá comprar empresas de empresas estrangeiras através da bolsa brasileira você deve estar se perguntando o porquê você faria isso, não é? 

Um dos principais motivos e talvez o mais importante com certeza é a diversificação, que nada mais é que o aumento do número de ativos em seu portfólio em busca de fugir de riscos não sistêmicos, os riscos das empresas em si. 

Porém, se pensar apenas no conceito descrito acima pode entender que se comprar diversas empresas brasileiras estará tão diversificado do que se comprar uma parte em empresas brasileiras e outra parte em empresas estrangeiras, o que não é verdade. 

Lembre-se, o objetivo da diversificação é esquivar-se de riscos específicos. Da mesma forma que esse risco específico pode ser em função de um problema interno da empresa, também pode ser em função de um risco setorial ou até de um risco geográfico, algo que só afeta empresas brasileiras e que, se você tivesse seu portfólio exposto a outras regiões, não sofreria. 

Outra forma de se pensar na diversificação, de forma menos fundamentalista e mais numérica, é através da correlação. 

A correlação é um fator que indica, baseado em seu histórico, o comportamento médio da direção de um ativo em relação ao outro. Ou seja, esse fator vai de -1 até +1, sendo -1 completamente descorrelacionado e +1 completamente correlacionado. 

De forma resumida, quando dois ativos possuem correlação de +1, quando um sobe, o outro sobe também. Quando possuem uma correlação de -1, quando um sobe, o outro cai. 

O que você para o seu portfólio na hora de buscar essa diversificação numérica é que os ativos sejam bastante descorrelacionados, assim, a resultante do desempenho será um portfólio com menos volatilidade, ou seja, um portfólio que tem um movimento de zig-zague, valorização e desvalorização, menos fortes, só que mantendo seu potencial de rentabilidade (zona entre as linhas pontilhadas na imagem abaixo).

 

 

Considerações importantes

 

Agora, existem peculiaridades e considerações que você que você deve ter em mente ao investir em BDRs que não são tão claras e óbvias, e que provavelmente sua corretora não te avisará. 

 

Variação cambial

 

Caso investisse em uma empresa no exterior por via direta pelo processo que descrevi anteriormente aqui no guia, uma das etapas pelo qual passaria seria a de conversão de câmbio, ou seja, antes de realizar a compra dos ativos você precisaria trocar os seus reais para dólares. 

No mercado de BDRs esse mecanismo de conversão cambial já está embutido nos preços dos ativos. 

Portanto, assim como você estaria caso comprasse diretamente, ao investir em BDRs você está se expondo, além da valorização dos ativos no qual investe, a variação do real em relação ao dólar. 

Por exemplo, se as ações da Apple (AAPL) na bolsa americana em um determinado dia valorizassem +5%, porém, o dólar em relação do real se apreciasse +5%, o BDR da Apple (AAPL34), aqui no Brasil, estaria registrando uma valorização aproximada de +10%.  

 

Dividendos

 

Já havia comentado anteriormente que quando você compra BDRs na bolsa brasileira você está comprando recibos que lhe concedem os direitos sobre aquela ação, inclusive o recebimento dos dividendos distribuídos por essas empresas.

O que não havia falado é que no mercado americano, diferente do que está acostumado aqui no Brasil, os dividendos distribuídos pelas empresas são tributados. Na data da publicação deste guia, essa taxa é de 30%.

Além disso, a instituição originadora do BDR também tem uma comissão sobre os dividendos distribuídos pelas empresas, como um incentivo e para cobrir alguns custos. Normalmente essa taxa é de 5%. 

Portanto, se você investir em BDR, do total dos dividendos distribuídos pelas empresas, normalmente receberá 65% do valor. 

 

Padrões contábeis e legislações

 

Outra particularidade muito importante é que se você é um investidor mais detalhista ou experiente e gosta de analisar os dados e números divulgados pelas empresas, deverá se acostumar com os padrões contábeis dos países cede das empresas, mais comummente os EUA, pois essas empresas não possuem a obrigação de adequar toda a sua contabilidade para os padrões contábeis brasileiros. 

Além disso, essas empresas não ficam expostas as leis vigentes brasileiras só por terem seus recibos negociados em nosso mercado. Portanto, deve se ater a particulares regulatórias setoriais, regionais e até federais.

 

Como Investir?

 

Acredito que já estava ficando ansioso(a) para esta parte do Guia. Afinal, a melhor parte, depois de passar a conhecer tão bem o instrumento, é de poder colocar esse conhecimento em prática. 

Por isso, preparei um passo a passo bem estruturado que você deve seguir para conseguir investir nesse instrumento tão peculiar e facilitador. 

Escolha uma corretora.

Vou ser sincero, o processo de seleção de uma corretora é algo normalmente muito subestimando no mercado financeiro. 

Escolher um bom intermediário para investir pode te poupar de muita dor de cabeça assim como tornar seus investimentos muito mais eficientes caso esteja utilizando uma que possui uma estrutura de custo incompatível com o tamanho de seus aportes. 

Foi por isso que antes mesmo de elaborar esse Guia de BDRs, publiquei um guia completo de corretoras no qual explico quais as principais diferenças entre uma corretora independente e uma corretora de banco, quais características deve levar em consideração na hora de escolher a sua corretora e até dou a lista completa das corretoras que, em minha opinião, são as melhores no mercado hoje para se investir em cada classe de ativos. 

Portanto, não perca essa oportunidade e leia o nosso Guia de Corretoras (hiperlink).

Abra sua conta

Depois de escolher sua corretora, e assim como reforçado no nosso Guia, você deve fazer a abertura de sua conta e a transferência de seus recursos para essa instituição. 

Esse processo de abertura de conta varia bastante de uma corretora para a outra e não possui custo algum. 

O primeiro passo, claro, é acessar o site ou aplicativo da corretora e selecionar a opção de abertura de conta (algumas corretoras não permitem abertura de conta pelo aplicativo).

Depois disso, você precisará preencher os campos requisitados com seus dados pessoais, informações de identidade e CPF, endereço, conta bancária, renda e patrimônio, assim como documentá-los por foto, em muitos casos. 

Concluída essa parte burocrática, você deverá aguardar um prazo de verificação de abertura de conta, que normalmente é de 24 horas. 

Por último, no seu primeiro acesso, você terá de fazer um teste de suitability, que determinará o seu perfil de investidor, baseado nos seus objetivos financeiros e na sua aptidão a risco. 

Esse teste determinará quais classes de ativos ficarão disponíveis na plataforma para você investir. 

Como investir na prática

Agora que já escolheu sua corretora, abriu sua conta e transferiu seus recursos para sua conta na corretora, é hora de investir na prática. 

Para aqueles que já são investidores mais experientes, esse processo vai ser muito simples, afinal, o passo a passo é o mesmo que o de comprar uma ação brasileira. 

Ao acessar sua conta, sua corretora te disponibilizará uma ferramenta chamada Home Broker, que nada mais é que um sistema de envio de ordens e de consulta que está conectado diretamente com a Bolsa de valores. 

Nesse sistema, você precisa procurar pela ferramenta popularmente chamada como “boleta”, que nada mais é que o formulário de compra ou venda de ativos. 

Depois de encontrado, você deve preencher os campos necessários como o preço de oferta, a quantidade ofertada, a validade de sua ordem e sua senha eletrônica. 

Ao selecionar a opção “COMPRAR”, pronto, sua ordem está enviada e deve ser monitorada até que essa mesma ordem ganhe o status de “Executada”. 

Uma alternativa para a compra de BDRs para aqueles que ainda estão mais inseguros é fazer essa operação através dos operadores da própria corretora. 

Hoje, grande parte delas oferece esse serviço por chat ou telefone, porém um preço maior é cobrado por este serviço, por isso o encorajo a se familiarizar com o ambiente do Home Broker e a fazer seus próprios envios de ordem.

 

Tributação

 

Antes de começar com este tópico, acredito ser de importante avisá-lo(a) que não sou especialista tributário ou contador, portanto, é de extrema importância que sempre que esse assunto seja discutido ou trazido pela grande mídia ou até pela Inversa, que consulte um profissional da área de sua confiança. 

Busque sempre fazer com que os investimentos se tonem algo simples e positivo em sua vida, problemas tributários em função do não pagamento ou pagamento incorreto de um imposto ou declaração dele, pode te trazer dores de cabeça indesejadas. 

Sendo assim, vamos falar sobre as alíquotas. 

Hoje, a tributação sobre as BDRs acontece de duas formas.

A primeira, sobre o ganho de capital, ocorre quando você realiza lucro em uma operação nesta classe de ativos. 

Neste caso, assim como fazemos no mercado de ações brasileiro, a alíquota é de 15% sobre o lucro auferido que devem ser pagas através do DARF (documento de arrecadação de receitas federais) até o último dia útil do mês seguinte ao lucro.

Neste caso, a diferença entre as BDRs e as ações brasileiras é que as BDRs não gozam da vantagem de ter isenção de imposto de renda sobre vendas mensais abaixo de R$ 20 mil. 

A segunda tributação, acontece sobre os rendimentos. 

Neste caso, no recebimento de um rendimento, ou dividendo, o investidor está sujeito à tributação pela tabela progressiva de imposto de renda para pessoa física (imagem abaixo). 

Fonte: site da Receita Federal

Importante frisar que essa segunda tributação sobre rendimentos ocorre sobre o valor já descontado os impostos do país de origem (caso houver) e a taxa do agente originador.

 

Conclusão

 

Neste guia, você pôde aprender todo o conteúdo essencial sobre as BDRs, do teórico ao prático, assim como sobre os benefícios que esse instrumento pode trazer para o seu portfólio de investimentos. 

Lembre-se desses conceitos na hora que estiver pensando na sua estratégia de investimentos assim como na montagem de seu portfólio. A internacionalização de parte de seus investimentos é um passo muito importante no qual a grande maioria dos investidores deve passar. 

Como comentei, não deixe de compartilhar este conteúdo com seus conhecidos. 

E conte conosco, estamos aqui para o que precisar! 

 

Um abraço,

Nícolas Merola e Felipe Paletta

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