Fundos DI vs. Tesouro Selic: o que muda com a nova regra do Tesouro Direto?

A partir do dia 1º de agosto de 2020, o investidor que tiver aplicação de até R$ 10 mil no Tesouro Selic estará isento da taxa de custódia cobrada pela B3.

Você vai encontrar nesse conteúdo:

  • Tudo sobre a nova regra do Tesouro Direto: isenção da taxa de custódia para aplicações de até R$ 10 mil no Tesouro Selic (antiga LFT) entra em vigor a partir do dia 1º de agosto de 2020;
  • Tesouro Selic vs. Fundo DI: o que faz mais sentido agora?
  • Simulador: baixe agora o simulador da Inversa e veja a melhor opção de investimento para você!
     
Leia esta edição completa abaixo
 

Olá investidor(a),

No último dia 23 de julho de 2020, a Secretaria do Tesouro Nacional informou que, a partir do dia 1º de agosto de 2020, o(a) investidor(a) que tiver aplicação de até R$ 10.000 no Tesouro Selic estará isento da taxa de custódia cobrada pela B3.

Essa medida deve beneficiar 53% dos investidores do programa do Tesouro Direto (aproximadamente 690 mil investidores) que, em conjunto, acumulam mais de R$ 20 bilhões de patrimônio e geram uma arrecadação próxima de R$ 51 milhões em taxa de custódia todos os anos.

Atualmente, a taxa de custódia é de 0,25% ao ano sobre o valor total investido (principal + rendimentos) e é recolhida semestralmente, de forma proporcional, no primeiro dia útil de janeiro e junho.

Ou seja, o investidor que tem R$ 5 mil no Tesouro Selic é debitado anualmente em aproximadamente R$ 12,50.

R$ 5 mil x 0,25% = R$ 12,50

Com a nova regra que entra em vigor, a taxa de custódia da B3 não incidirá sobre os investidores que tiverem até R$ 10 mil aplicados no Tesouro Selic.

Já os investidores que possuírem acima deste valor, a taxa de custódia (de 0,25% a.a.) será cobrada sobre o valor que exceder o limite de R$ 10 mil.

Ou seja, com a nova regra, o investidor que tiver R$ 11 mil no Tesouro Selic terá um custo anual de apenas R$2,50.

(R$ 11 mil - R$ 10 mil) * 0,25% = R$ 2,50

Veja a tabela abaixo que compara o custo com a taxa de custódia nas duas regras, de acordo com o montante investido:
 

 

P.S.: Aqui não estou nem considerando o Imposto de Renda sobre os rendimentos, já que a taxa se dá sobre o montante total investido mais os rendimentos, nem o IOF, que incide sobre os resgates em menos de 30 dias.

O valor a ser pago pode parecer pequeno, mas a taxa de custódia representa mais de 10% da taxa Selic atual, o que tornou o Tesouro Selic (título pós-fixado atrelado à variação da taxa básica de juros) menos atrativo em comparação a outras opções de investimento (fundos DI, por exemplo), principalmente quando falamos em alocação da sua Reserva de Emergência.

No entanto, com essa alteração muita coisa deve mudar e estou aqui para te ajudar a entender o que fazer, na prática, a partir de agora e para que você saiba exatamente onde investir, de acordo com os seus objetivos pessoais e realidade financeira atual.

Vem comigo?

 

A tal da Reserva de Emergência

 

Se você leu a primeira parte desse conteúdo e ficou meio perdido(a), fique tranquilo(a). Vou relembrar rapidamente o que é a tal da reserva de emergência.

Agora, se você já tem esse conceito bem fixado, sinta-se à vontade para pular esse tópico e ir direto aos finalmentes. Mais adiante vou analisar os impactos dessa decisão para os principais investimentos usados como reserva de emergência e vou disponibilizar um simulador para que saiba exatamente o que fazer agora, ok?

Bom, a Reserva de Emergência é aquela parcela do seu patrimônio que você guarda para cobrir imprevistos na sua vida financeira, como perder seu emprego, problemas de saúde, ajudar seus familiares, entre outros.

Em outras palavras, é aquele dinheiro que vai fazer você não passar por um aperto ainda maior em algum cenário adverso.

Esse é um dos principais fundamentos para quem pretende começar um planejamento financeiro e, embora muitos profissionais divirjam quanto ao tamanho desta reserva, é consenso que ela seja de pelo menos seis vezes as suas despesas mensais (por garantia eu, Felipe Paletta, considero sempre 12x, ou um ano).

Logo, se você gasta R$ 5 mil por mês, o indicado é que a sua reserva de emergência seja de pelo menos R$ 30 mil (no meu caso seria R$ 60 mil).


Sua reserva tem que ser segura e líquida (consegue sair rápido e à qualquer momento)


Se você deixar esse dinheiro parado na conta ele acaba perdendo valor com o tempo, então o ideal é que você deixe sua reserva de emergência aplicada em algum investimento que esteja protegido de perda de principal (valor aplicado) e que tenha liquidez imediata, para o caso de alguma eventualidade.

Existem diversas opções para alocar esta reserva, mas como eu disse antes, por conta da taxa de custódia, o Tesouro nem sempre era a melhor opção.

Como agora o cenário mudou, vamos reavaliar as opções que você tem disponível. São elas:

 

As melhores opções quando o assunto é Reserva de Emergência:

 

  • Tesouro Selic

O Tesouro Selic, antes chamdo de LFT (Letra Financeira do Tesouro), é um título pós-fixado emitido pelo Governo Federal atrelado à taxa Selic e é considerado um dos investimentos mais seguros que existe.

Isto porque neste tipo de aplicação você está emprestando seu dinheiro para o Governo e, para que você fique sem receber o valor emprestado, o país teria que quebrar (algo inimaginável nos dias de hoje).

Bom, como você sabe, a situação pode não ser a melhor, mas estamos muito longe desse cenário.

Como eu disse, no Tesouro Selic a sua rentabilidade vai depender da taxa Selic, que atualmente é de 2,25% ao ano.

Além disso, você verá em sua corretora que, além da variação da Selic, a remuneração do Tesouro Selic também é acrescido um spread que, usualmente, varia entre 0,02% e 0,03%, para cima ou para baixo.

Sem entrar em aspectos muito técnicos, essa taxa adicional foi criada pelo Tesouro Nacional para equilibrar a demanda por esses títulos.

  • Fundos DI

Os chamados Fundos DI são fundos de investimentos que devem, por lei, investir ao menos 95% do seu patrimônio em ativos atrelados ao CDI, que, por sua vez, acompanha de perto a variação da taxa Selic.

Estes fundos são considerados pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) como fundos de renda fixa e estão entre os mais conservadores dentre os fundos de investimento disponíveis.

Mesmo que seja baixo (já que muitos fundos basicamente investem em títulos públicos atrelados à Selic), o risco neste tipo de aplicação é maior do que uma aplicação no Tesouro Selic.

Mas um ponto que vale a atenção aqui é: evite fundos DI com taxas de administração ou performance, visto que o pagamento dessas taxas diminuirá muito a sua rentabilidade final.

Hoje, existem diversas opções de fundos que basicamente aplicam o patrimônio dos cotistas em títulos públicos indexados à taxa Selic e não cobram nada de taxa de administração e performance.

Além disso, nem todos os Fundos DI possuem liquidez diária, o que pode te gerar alguma dor de cabeça na hora de realizar o resgate.

Uma de minhas sugestões exclusivas aos assinantes da séries de fundos de investimeto da Inversa é o fundo BTG PACTUAL DIGITAL TESOURO SELIC FIRF SIMPLES (CNPJ:29.562.673/0001-17), disponível na plataforma do BTG Pactual Digital e com investimento inical mínimo de R$ 500,00.

E a razão pela escolha é bem simples.

Além de ter sido o primeiro a fazer o movimento de abaixar à zero a taxa de administração, como forma de atrair investidores para a plataforma, o fundo possui, disparado, o maior patrimônio nessa categoria. São mais de R$ 2,3 bilhões.

Em estratégias passivas como essa, em que a intenção é de apenas replicar o comportamento de um índice, a diferença está na diluição de custos da estrutura do fundo (gastos com salários dos funcionários, auditoria, plataformas de acompanhamento do mercado, etc.).

Logo, quanto mais dinheiro sob gestão, menor tendem a ser os impactos do custo de manter a estrutura e, desta forma, maiores são as garantias das permanências das taxas zero.

IMPORTANTE:
Vale ressaltar que qualquer coisa diferente dessas duas opções (Tesouro Selic ou Fundos DI), como os CDBs de liquidez diária distribuidos pelos bancos e plataformas de investimento, não podem ser classificados plenamente como instrumentos seguros para você colocar e utilizar como sua reserva de emergência, isso porque ferem pelo menos um dos dois pilares para esse tipo de investimento: (i) maior segurança possível; e (ii) liquidez abundante.

Mesmo que você justifique que os CDBs de emissão bancária contam com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para investimentos de até R$ 250 mil (por CPF e por instituição emissora), toda a dor de cabeça para reaver os recursos no caso de falência do emissor do título não me parecem coincidir com a proposta do investimento.

Vamos falar, então, das principais diferenças entre essas duas opções:

 

Principais diferenças entre os Fundos DI e o Tesouro Selic:

 

Os dois tipos de aplicação, como você pode ver, possuem características muito semelhantes quando falamos de três fatores: (i) liquidez, diária para ambos (em 1 dia útil está na sua conta), (ii) risco, uma vez que fundos DI investem majoritariamente (mais de 95%) em títulos indexados à Selic, que possuem risco soberano; e (iii) aplicação mínima, visto que é possível investir no Tesouro Selic com pouco mais R$ 100,00 e em alguns fundos DI com até menos do que isso.

Em relação à liquidez, preciso destacar que muitos fundos DI já oferecem a opção de resgate no mesmo dia, desde que a solicitação seja feita na primeira parte do horário comercial (sempre em dias úteis) e, em algumas corretoras, com a possibilidade de saque direto para a sua conta em um banco de varejo tradicional.

No caso dos títulos do Tesouro Direto isso não acontece. As solicitações feitas entre a meia-noite e as 18h cairão em sua conta na corretora no dia útil subsequente, usualmente próximo às 13 horas.

Já quando falamos de tributação, ambos possuem a incidência de Imposto de Renda sobre os lucros (valor final – valor inicial) que vai reduzindo à medida que o dinheiro permaneça aplicado:

Fonte: Receita Federal. Elaboração Inversa Publicações.

Adicionalmente, o Tesouro Selic possui a cobrança semestral da taxa de custódia de 0,125% (0,25% ao ano) sobre o montante total investido, caso este exceda R$ 10 mil. Por outro lado, o fundo DI possui o chamado ‘come-cotas’, que é um adiantamento do pagamento do Imposto de Renda, também cobrado semestralmente.

Nos meses de maio e novembro é deduzido o equivalente a 15% (nos Fundos DI de longo prazo) sobre a rentabilidade total do investimento (esse imposto é cobrado por meio da diminuição do número de cotas do investidor, daí o nome), sendo o restante pago apenas no resgate do dinheiro.

No quesito rentabilidade, o Tesouro Selic fica na frente.

Como já disse anteriormente, ele rende a taxa Selic acrescida de um spread que pode variar entre 0,02% e 0,03% para cima ou para baixo. Já o fundo DI tenta acompanhar o desempenho do CDI, que costuma ser cerca de 0,10 p.p. menor do que a Taxa Selic.

Por fim, não podemos deixar de mencionar que o fundo DI pode alocar 5% do seu patrimônio em outros títulos de dívida, desde que de baixo risco, o que pode te gerar um retorno adicional dependendo do momento do mercado.

Porém, esse resultado também pode ser negativo, fazendo com que essa pequena “diversificação” nos fundos DI tenha um efeito incerto, o que adiciona uma pitada de risco no seu investimento.

No entanto, escolher entre um e outro pode ser uma tarefa complexa e que ficará muito mais simples a partir de agora!

Tesouro Selic vs. Fundo DI: o que faz mais sentido agora?

Agora que você conhece bem a diferença entre as duas aplicações, fica mais fácil partirmos para o grande objetivo desse relatório: te ajudar a entender quando vale a pena investir em um ou em outro.

O que fiz, com a ajuda do especialista Antonyo Giannini, foi mapear os impactos da decisão de isenção da taxa de custódia para investimentos de até R$ 10 mil no Tesouro Selic na taxa de retorno dos investidores nos diferentes instrumento, em função do valor aplicado e do tempo de investimento.

O resultado foi esse aqui:

Veja que a conclusão que conseguimos chegar é que investir, dentro dessa nova regra, investir sua reserva de emergência em Fundos DI passam a fazer sentido apenas quando:

  • O prazo para o resgate for de até 12 meses, desde que o recurso investido seja de pelo menos R$ 30 mil; e
  • O prazo para o resgate ficar entre 6 e 12 meses, desde que o recurso investido esteja entre R$ 15 mil e R$ 30 mil;

Vale reforçar, no entanto, que essa tabela pode sofrer alteração de acordo com a data do seu aporte e sua distância para a próxima data de cobrança do come-cotas (sempre nos meses de maio e novembro).

Mas o que fica claro é que independente do valor investido, a partir de 12 meses sempre valerá a pena investir em Tesouro Selic. Portanto, já sabe, para aquele recurso estratégico de mais longo prazo, vá de Tesouro Selic, combinado?

Mas eu já tenho investimento em um dos dois. Vale a pena resgatar e seguir sua orientação?

NÃO.

Fizemos uma simulação e, independentemente do prazo para o resgate e o valor do investimento, não faz sentido você resgatar esse recurso (a não ser que ele esteja em um fundo DI que renda menos de 99% do CDI e/ou cobre taxa de administração).

Então deixe ele lá e vamos pensar nos próximos aportes, ok?

E tem mais!

Para tornar sua experiência ainda melhor e para que tenha uma ferramenta de fácil consulta, criamos uma planilha especial para que você consiga simular a melhor opção para você, na hora de tomar a decisão.

A ferramenta é extremamente simples. Basta indicar o valor e o prazo pelo qual pretende deixar o dinheiro investido e ela vai te retornar o que é melhor: Tesouro Selic ou Fundo DI!

Mas tem mais!

Para tornar sua experiência ainda melhor e para que tenha uma ferramenta de fácil consulta, criamos uma planilha especial para que você consiga simular a melhor opção para você, na hora de tomar a decisão.

A ferramenta é extremamente simples. Basta indicar o valor e o prazo pelo qual pretende deixar o dinheiro investido e ela vai te retornar o que é melhor: Tesouro Selic ou Fundo DI!

Aqui, você confere um tutorial em vídeo para saber como utilizar o simulador:

Baixe agora!

FAÇA O DOWNLOAD DO SIMULADOR AQUI

Tenho certeza que aplicando todo conhecimento que você absorveu aqui você está preparado para investir de forma sofisticada e segura.

E no que precisar, você já sabe, conte comigo!


FAÇA O DOWNLOAD DO GUIA AQUI

Um abraço,

Felipe Paletta, CNPI

Conteúdo protegido contra cópia