Fundos de Investimento: tudo sobre custos e impostos

Entenda todos os custos e taxas que você terá de pagar ao investir via fundos de investimento. Tire todas as suas dúvidas neste guia completo que preparei sobre o assunto.
  • Taxa de Administração: entenda como é feita a cobrança e qual o objetivo da taxa básica dos fundos de investimentos;
  • Taxa de Performance: remunerando a gestão ativa;
  • Linha D’Água: o conceito/ferramenta por trás da taxa de performance;
  • Imposto de Renda: sua contribuição para o Leão;
  • Fundos de Fundos: compreenda a estrutura de custos dos fundos que investem em cotas de outros fundos de investimento.
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Caro(a) leitor(a),

Você já deve ter lido ou ouvido por aí que um dos grandes benefícios de investir através de um fundo de investimento é o benefício de ter uma gestão profissional tomando as decisões de quando e quais ativos comprar/vender por você.

Entretanto, esse serviço não sai de graça para o investidor(a).

Me acompanhe neste guia para entender melhor como são remunerados os prestadores de serviço de um fundo que, na prática, são custeados pelo seu capital investido.

 

Taxa de Administração

 

Essa taxa é a mais simples e talvez a mais importante de se entender ao investir em um fundo.

Como o próprio nome diz, a taxa de administração tem como objetivo remunerar a gestora pela gestão, custódia e operacionalização dos recursos depositados pelos cotistas.

É boa prática, principalmente em fundos ativos, que essa taxa seja utilizada para realizar investimentos na estrutura do fundo, que resultarão em um melhor desempenho de longo prazo, como:

  • Custear o dia-a-dia do fundo, com pagamentos dos salários correntes e contratação de novas pessoas;

  • Pagamento de plataformas de informação e de banco de dados, como a Bloomberg;

  • Investimentos em relatórios de casas de pesquisa especializadas (como a própria Inversa, MSCI, Gavekal, PPPC e muitas outras);

  • Pagamento de aluguel, despesas do escritório e gastos com deslocamentos e viagens; e

  • Repasse para instituições (como as plataformas de investimento: XP, BTG, Órama etc.), que distribuem e promovem o fundo.

E por aí vai...

Apesar de, em um fundo tradicional, a taxa anual ser de, por exemplo, 2% ao ano, ela normalmente é calculada e provisionada diariamente.

Além disso, o pagamento da taxa à gestora é mensal, para que ela possa, assim, cumprir com suas obrigações.

Na maior parte, o cálculo é feito no fim de cada dia, baseado na cota de fechamento do dia anterior multiplicado pelo número de cotas existentes mais a rentabilidade gerada no intraday. Ou seja, em cima do patrimônio líquido de fechamento de cada dia.

Depois disso, para gerar-se o valor da cota divulgado para você em sua corretora, faz-se os descontos no patrimônio líquido dessa provisão calculada para a administração, somado aos custos do dia de corretagem e auditoria.

Agora, vem a cereja do bolo, a Performance.

 

Taxa de Performance

 

É aqui, na taxa de performance, que a gestora é realmente remunerada.

Devido aos altos custos, atrelados à complexidade de uma gestão ativa, sendo necessário diversos investimentos e pessoas para que o trabalho seja bem feito, os salários correntes costumam ser relativamente baixos em um fundo de investimento.

Desta forma, criou-se a performance, uma taxa que remunera a gestora em um percentual do excesso de ganho sobre um índice de referência, percentual esse que é gerado pelo esforço e trabalho das pessoas envolvidas.

Dessa forma, há um alinhamento de interesses muito grande entre a gestora e os investidores do fundo.

Ou seja, quando o investidor ganha mais que o índice de referência, a gestora ganha um “bônus”.

Essa taxa é paga, no mínimo, semestralmente, que é prazo mais comum, e é calculada da seguinte forma: caso o desempenho do fundo tenha excedido o desempenho de seu índice de referência, descontadas todas as despesas, inclusive a taxa de administração, parte do excesso de retorno é compartilhado com a gestora.

Ou seja, vamos supor que, no semestre, um fundo com taxa de performance de 20% teve um desempenho de 10%, enquanto o índice de referência teve um desempenho de 5%.

Nesse caso, no fim do semestre, a gestora recebe um “bônus” equivalente a 20% dessa diferença gerada, ou seja, recebe 1% de performance.

Bom, até aqui está bem simples, certo? Porém, se pararmos para pensar criticamente, esse sistema pode causar certos problemas.

Por exemplo, se uma gestora obtiver um desempenho bom em momentos bons e péssimo em momentos ruins, ela será remunerada com performance, assim como uma que desempenhou bem em momentos bons e neutro em momentos ruins.

Nesse exemplo, as duas gestoras seriam remuneradas da mesma forma, independentemente se uma possui um desempenho melhor que a outra no consolidado.

Parece confuso, eu sei, mas vai ficar mais claro nas ilustrações abaixo:

Perceba que o fundo teve um desempenho ruim nos momentos em que o Índice de Referência registrou queda (primeira tabela) e um ganho por performance de R$ 0,45, mesmo que o patrimônio investido no fundo no final de cinco semestres seja de apenas R$ 61,86, com um investimento inicial de R$ 100,00.

Enquanto isso, o fundo que teve um bom desempenho nesses momentos (segunda tabela), teve um ganho por performance de R$ 0,69, gerando um aumento do patrimônio dos R$ 100,00 originais para R$ 155,41 depois de cinco semestres.

Para evitar que esse fenômeno aconteça e que os investidores sejam ainda mais penalizados pela má administração de seus recursos, foi criado o conceito de Linha D’Água:

 

Linha D’água

 

De forma resumida, o que a linha d’água faz é traçar um mínimo necessário histórico para que a gestora seja remunerada com taxa de performance.

Esse mínimo necessário é, na verdade, o valor da cota da última cobrança de taxa de performance.

Ou seja, implementando esse sistema, a gestora só é remunerada novamente com a taxa de performance se registrar um valor de cota maior que o do último pagamento realizado.

No caso de uma crise, em que muito fundos apresentam quedas significativas, os gestores só receberão sua principal remuneração, a tão comentada taxa de performance, quando superarem os valores de suas cotas registradas no semestre anterior, caso estas sejam suas maiores cotas de recolhimento de performance.

Repetindo o exercício feito acima, porém aplicando a regra da Linha D’Água, os novos valores registrados seriam:

Dessa forma, as taxas arrecadadas pela gestora com o pior desempenho caíram dos antigos R$ 0,45 para R$0,20, referentes ao seu desempenho do Semestre 1, momento que ainda desempenhava bem.

Depois disso, não houve mais cobrança de taxa de performance.

Já o fundo com um bom desempenho manteve sua remuneração justa de R$ 0,69, referente ao seu bom trabalho.

Isso pode proteger seus investimentos em momentos de queda, mas esperamos que, logo, logo, eles voltem a cobrar a taxa de performance. Afinal, não vemos nenhum problema em dividir o bolo com quem está ganhando!

 

Imposto de Renda

 

Falando em dividir o bolo, outro custo muito importante de se ter em mente é o Imposto de Renda (IR).

O IR é um custo que não está atrelado diretamente ao custeio do seu fundo, portanto, é sempre interessante buscar a estrutura ou regra tributária que possa afetar o mínimo possível os seus lucros.

Para entender melhor qual é essa estrutura para os diferentes tipos de fundos existentes, acesse o nosso Guia de Imposto de Renda, em que damos mais detalhes, como valores, formas de declaração e quando declarar.

Como já disse, portanto, o IR é uma taxa cobrada apenas quando se obtém lucro num investimento, e isso também vale para investimentos em fundos.

Na maioria das vezes, é cobrado apenas quando é feito o resgate do seu capital investido no fundo, com exceção dos que possuem come-cotas, que é um adiantamento do Imposto de Renda, cobrado duas vezes ao ano diretamente no fundo.

 

Fundos de Fundos

 

Uma outra modalidade que tem se tornado cada vez mais popular são os fundos de fundos (FoF’s).

Eles são, na verdade, um fundo de investimento que investe em outros fundos de investimento.

São ótimas ferramentas de acesso a fundos que possuem acesso restrito ou altos valores mínimos iniciais, e trazem o benefício da diversificação ao investidor final.

Mas, neste caso, os fundos de fundos, em muitos dos casos, sofrem do problema das taxas sobre taxas.

Por serem fundos, também cobram taxa de administração e, muitas das vezes, performance. Isso porque além da estrutura própria, parte da estratégia de gestão ativa pode estar justamente na combinação de diferentes estratégias (fundos).

Ou seja, ao investir em um fundo de fundo você goza de vários benefícios, como os citados anteriormente, mas também sofre do malefício de sofrer mais cobranças de taxas.

Pense que, ao investir em um FoF’s, você está contratando uma nova equipe de pessoas que vão observar e avaliar o que as primeiras equipes, as que estão gerindo o patrimônio diretamente, estão fazendo e como estão se comportando.  

Mais pessoas, maior vigilância, menos trabalho para você, porém maiores custos.

Vale ressaltar que, hoje, já existem FoF’s que conseguem realizar acordos comerciais e descontos nos fundos nos quais investem, acordos esses suficientes para mitigar o aumento de taxas. Normalmente, são fundos distribuídos apenas em suas próprias plataformas (corretoras/distribuidoras), onde conseguem mitigar parte dos custos.

Esperamos que tenha aproveitado este guia e que te ajude a investir em fundos de maneira segura e, claro, rentável!

São muitas as opções que você tem à disposição e muitas as oportunidades.

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Um abraço,

Felipe Paletta (@fepaletta).

Contribuiu para esta edição: Nícolas Merola (@NicolasMerola). 

 

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