A combinação vencedora: análises técnica e fundamentalista

José Castro há 2 anos
10 min
Saiba como essas estratégias podem se complementar e ajudar você a escolher as melhores oportunidades do mercado

Se você está comprando ações de empresas na Bolsa apenas por intuição ou “achismo”, saiba que não está investindo ou especulando: está apenas apostando cegamente.

Quando falamos em investir em ações precisamos conhecer técnicas de estudo para basear as nossas decisões e definir estratégias.

Não importa se você tem o objetivo de especular no curto prazo ou investir por um longo período. Para qualquer uma das duas estratégias há escolas de estudos que auxiliam na tomada de decisões.

Estou falando de estudos Fundamentalista e Técnica.

Algumas pessoas do mercado adoram criar polêmicas ao comparar as duas. Na minha opinião, isso é uma grande bobagem. Não existe melhor ou pior, existem estratégias e objetivos que se adequam melhor a uma ou a outra escola. E, em várias situações, são complementares.

No final das contas, a melhor escola de estudo será a que oferece os melhores resultados para você.

O objetivo aqui não é ensiná-lo a avaliar uma empresa sob aspectos fundamentalistas ou técnicos: já fazemos isso para você em nossas edições! Queremos ajudar você a entender alguns conceitos básicos e desta forma compreender melhor as fundamentações em nossas sugestões.

Estudo Fundamentalista

Como o próprio nome já diz, Estudo Fundamentalista faz uma estudo dos fundamentos financeiros de uma empresa – o que gera valor para o acionista, seja através do recebimento de proventos (dividendos, juros sobre capital próprio e bonificação) ou pelo ganho de capital com a valorização no preço das ações.

Analisa também perspectivas futuras em torno de resultados: faturamento/receita, geração de caixa, dívida/alavancagem e lucros/prejuízos tentando determinar com base nessas perspectivas o valor justo para as ações.

Por meio de um método chamado “fluxo de caixa descontado”, o especialista verifica se uma empresa está cara ou barata.

Os principais instrumentos para um especialista fundamentalista são os DRE (Demonstrativos de Resultados) e o Balanço Patrimonial da empresa, que também são cruzados com informações da indústria, projeções econômicas e julgamentos quantitativos/qualitativos decorrentes de suas interações com representantes da empresa, do setor, clientes e fornecedores.

O DRE registra as receitas, custos e despesas incorridas, mas não necessariamente desembolsadas/recebidas, pela companhia no período (regime de competência).

De forma simplificada, o DRE segue a seguinte sequência de lançamentos:

 

2017

(=) Receita Líquida

1.000.000,0

(-) CPV => Custo do Produto Vendido

300.000,0

(=) Lucro Bruto

700.000,0

Margem Bruta

70,0%

(-) Despesas Operacionais

200.000,0

(=) Resultado Operacional

500.000,0

Margem Operacional

50,0%

(+) Receitas Financeiras => juros de aplicações financeiras

25.000,0

(-) Despesa Financeira => juros e amortização de dívidas

75.000,0

(=) LAIR => Lucro antes do Imposto de Renda

450.000,0

(-) IR

153.000,0

(=) Lucro Líquido

 297.000,00

Margem Líquida

30%

 

A Receita Líquida é a venda/faturamento da companhia, livre de impostos, que na sequência sofre os descontos dos Custos (CPV) e Despesas Operacionais para executar as suas atividades.

Após deduzir os custos e despesas chegamos no Resultado Operacional, que é o lucro da companhia antes dos juros e impostos.   

O EBITDA (Lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortizações) é um indicativo utilizado pelo mercado similar ao Resultado Operacional, porém desconsiderando a incidência de determinadas despesas sem efeito caixa.   

O Lucro Líquido é o resultado econômico da empresa e base para apuração de dividendos, que é de grande interesse para os acionistas.  

As margens (bruta, operacional e líquida) são os percentuais dos respectivos valores em relação a Receita Líquida, ou seja, quanto maior a margem melhor! É sinal de que a companhia está aumentando as receitas ou reduzindo custos e despesas.

O Balanço patrimonial é um consolidado (retrato) de todos os bens que a empresa possui (ativos) e das suas obrigações (passivos).

O Patrimônio Líquido representa o capital social (dos próprios sócios) + lucros/prejuízos acumulados + reservas da companhia e é resultado da soma total dos ativos menos o total dos passivos (capital de terceiros).

Através do balanço conseguimos ver o valor patrimonial da empresa.  

Balanço - Ativo

2017

Caixa

100.000,0

Contas a Receber

35.000,0

Estoque

250.000,0

Imobilizado

200.000,0

Total do Ativo

585.000,0

Balanço - Passivo

2017

Contas a Pagar

50.000,0

Empréstimos e Financiamentos

200.000,0

Salários e Encargos a Pagar

35.000,0

Impostos a Pagar

20.000,0

Empréstimos e Financiamentos

150.000,0

Total do Passivo

472.839,7

Patrimônio Líquido

112.160,3

Indicadores Contábeis / Múltiplos: ajudam o especialista fundamentalista a medir o desempenho da empresa.

Os mais utilizados são:

Endividamento total

[(ativo total - patrimônio líquido) / ativo total]

Alavancagem

(dívida líquida / ebitda)

ROA

(lucro líquido / ativo total)

ROE

(lucro líquido / PL)

Margem Bruta

(resultado bruto / vendas líquidas)

Margem Operacional

(resultado operacional / vendas líquidas)

Margem Líquida

(lucro líquido / vendas líquidas)

P/L

(preço por ação / lucro líquido por ação )

Dividend Yield

(dividendo / preço da ação)

 

Com exceção do “Endividamento Total” e da “Alavancagem”, nos demais múltiplos, quanto maior foi o número melhor.

Estudo Técnica

A  Técnica é o estudo do histórico de preços no mercado, por meio do uso de gráficos, com o objetivo de prever as tendências futuras de preços.

Segundo John Murphy: “entender o futuro compreende o estudo do passado”.

A Estudo Gráfica está fundamentada em três pilares principais que ajudam a entender um pouco sobre esta escola de estudo.

  1. O preço desconta tudo: as diversas variáveis fundamentais, políticas, psicológicas ou de qualquer outra natureza estão precificando os ativos, ou seja, todos estes fatores podem influenciar no comportamento dos preços, levando a um movimento de alta ou de baixa.

Para o especialista técnico não importa o motivo, pois todos eles estarão descontados no preço.

  1. O preço se move em tendências: o mercado não se move aleatoriamente e os fluxos financeiros gerados pelos investidores criam tendências.

Um dos motivos de representar os históricos dos preços no gráfico é identificar uma tendência em seu estágio inicial e se posicionar a favor dela para obter lucros.

  1. A história se repete: na formação dos preços estão embutidos fatores psicológicos inatos ao ser humano.

Segundo estudos da psicologia social, os padrões comportamentais do homem variam muito pouco ou nada ao longo do tempo.

Se estes padrões de comportamento se repetem no passado, é considerado que deverão continuar a se repetir no futuro.

A Estudo Gráfica não teria sentido se a história não se repetisse.

Espero ter ajudado a esclarecer os principais pontos e diferenças entre as escolas de estudos.

Aproveito para reforçar que a melhor estratégia será a que você consegue enxergar melhor o mercado e converter isso em resultados positivos nos seus investimentos.

Abraço,
José Castro

Conteúdo protegido contra cópia