Financial Journey #15 - Três pré-requisitos e 5 ensinamentos pra ter sucesso como investidor

Devemos colocar em prática nossas falas: veja agora lições aprendidas pelos mais de 25 anos de experiência em quatro países

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Nota do editor: Dara Chapman apresentará para você lições valiosas de como investir cada dia melhor. Aproveito para anunciar que 50 vagas promocionais para o curso de investimentos para leigos da Dara estão abertas aqui.

Bom dia!

Tudo bem com você? Aproveitou o feriado? Descansou?

Pensei muito ao longo desse feriado sobre meu propósito e como posso ajudar você a ter mais independência financeira.

É muito importante poder ajudar você a começar a investir ou tomar melhores decisões sobre seus investimentos.

Seja no meu curso, ou através do meu Instagram, ainda aqui na minha newsletter Financial Journey. 

Neste nosso encontro semanal, compartilho minhas experiências, comento sobre a jornada dos investimentos e trago para você minha bagagem ao longo dessas décadas vividas em quatro países.

Falo muito sobre como funciona a mente e de qual maneira você deve ter um preparo antes de começar a investir.

Quando digo preparo, é fazer um planejamento, estabelecer metas em sua vida e criar planos para atingí-las.

Agora a pergunta que não quer calar: você colocou em prática o que vem aprendendo durante a nossa jornada?
 

Prática como aprendizagem 

A melhor ajuda é enfatizar a importância de começar a investir. 

Assistir aulas sobre investimentos, ver cartas dos gestores dos fundos, ler sobre economia e fazer pesquisas sobre as empresas listadas em bolsa.

Tudo isso vai lhe dar um preparo, um mapeamento de como proceder. Mas somente pondo em pratica que você realmente vai aprender.

Pense comigo: nos formamos em uma faculdade e depois fazemos o que? 

Buscamos um trabalho no ramo ou no setor em que fomos preparados.

Agora pare e pense: e com relação aos seus investimentos? 

Para começarmos, vou apresentar agora para você três pré-condições que contribuem para sua independência financeira.

Primeiro: você deve ter uma boa renda e sempre estar procurando aumentá-la de alguma forma. 

Segundo: você deve gastar menos do que você ganha e ter um orçamento responsável.

Terceiro: você deve investir o seu dinheiro, pois somente desta forma a sua riqueza crescerá ainda mais rápido. 

A velocidade com que você estabelece a sua independência vai depender do desempenho das três pré-condições.

Ou seja, ganhar bem e gastar tudo não permitirá você viver de seus investimentos no futuro. 
 

Trajetória

No meu caso, comecei trabalhar aos 15 anos. Sempre tive desejo de ser independente e não precisar de ninguém.

Sempre tive uma preocupação com gastos para acumular mais riqueza e ter dinheiro para investir. 

Na minha época, não havia tantas opções: ou você investia em renda fixa ou em ações.

Comecei investindo em renda fixa, comprando uma debênture de uma empresa. 

Mas não me apaixonei por esse tipo de investimento. 

Precisava ficar atenta à economia e ao que iria acontecer com os juros: quando esses caíam, o preço da debênture subia.

Tive maior interesse em comprar ações. Achei a dinâmica do mercado mais interessante, o que permitiu ganhar mais dinheiro - e de forma mais rápida.

Também assisti alguns filmes da época que tratavam do tema. 

No filme “Wall Street - Poder e Cobiça”, de Oliver Stone, o protagonista Gordon Gekko discursa sobre como “a ganância é boa”, no sentido positivo da palavra, sobre ter ambição.

A roupa que ele usava, chiquérrima, e os restaurantes que frequentava em Nova York, como Club 21 e o Le Cirque, despertaram minha atenção. 

Achei o máximo: lembre-se que, naquela época, eu morava em uma cidadezinha no interior da California. Não tinha acesso a esse mundo de Wall Street, só através dos filmes.

Comecei a investir em ações através de um corretor e lembro que o contato só era pessoal, pois nāo havia internet.

Isso atrapalhava meu desempenho ou a rapidez com a qual conseguia investir. 

Comprei ações de empresas de petróleo, mas foram investimentos em empresas com pouca liquidez, não tinha nenhum banco dando liquidez ao papel.

A ação não andava.  

Depois me mudei para Europa e não tive tanto acesso ao meu corretor. Foi em 1994, na época em que trabalhava em Paris na OCDE, que minha experiencia decolou.

Tive acesso a internet no local onde trabalhava. Isso me permitiu abrir uma conta online, num home broker.

Comecei num bull market, época das empresas dotcom (pontocom, termo utilizado para denominar as empresas de internet na década de 1990).

Durante esse período, de 1994 a 2000, vivenciei várias crises. Claro que, para mim, as crises fazem parte de uma vivência no mercado financeiro.

Foram nos momentos de queda que aprendi e tirei grandes lições. 
 

Cinco ensinamentos valiosos

Inicialmente, você não pode ter medo de cometer erros. Somente quem não faz nada não cometerá erro. 

Agora, uma pessoa que estiver fazendo algo vai errar e aprender com seus erros: faz parte de todo e qualquer processo de aprendizagem cometer desacertos. 

Podemos prosseguir com a primeira lição: o poder do discurso do Fed. A época, em 1996, Alan Greenspan era o presidente do banco central dos EUA.

Greenspan afirmou durante um discurso a famosa frase "irrational exuberance" (exuberância irracional), alertando que o mercado poderia ter uma correção.

Por ser o banco central da maior economia do planeta e ter poder sobre a moeda usada como de reserva de valor em todo o mundo, o Fed tem uma influência gigantesca sobre a mente dos investidores.

Caso indique que cortará os juros, normalmente a bolsa sobe. Caso contrário, se há indício de alta nos juros, o processo inverso ocorre e o mercado cai.

Os economistas analisam palavra por palavra do discurso para ver a direção dos juros futuros, que impactam direitamente o preço das empresas listadas em bolsa.

Segunda lição: o momento de investir é quando as ações estão baratas, com suas cotações lá embaixo. 

Desta forma, uma crise oferece oportunidades únicas de comprar ações. Você não deve ficar com medo durante uma crise. 

Invariavelmente os preços das empresas se recuperam. Eu mesma cometi o erro de, em vários momentos, não aumentar minhas posições durante as crises. 

Se você pretende continuar no mercado, focando na construção de patrimônio no longo prazo, o certo é aumentar seu portfólio.

No meu caso não foi uma questão de medo, porque eu não vendi. Foi uma questão de foco, de estar atenta. 

De colocar ordens automáticas de compra a serem executadas quando o tal preço mínimo for atendido, por exemplo.

Terceira lição: os mercados emergentes são muito mais voláteis. Mas o que eu quero dizer: só vivenciando uma experiência para entender.

Como exemplo, investi em uma empresa brasileira listada na bolsa de Nova York em dezembro de 1998. 

Nunca tinha visitado o Brasil.

Estava olhando as ADRs (empresas estrangeiras listadas na bolsa de Nova York) e investi em uma empresa de celulares chamada Telecentro Oeste. 

No mês seguinte, em janeiro de 1999, o real se desvalorizou frente ao dólar.

Meu investimento perdeu metade do seu valor em um só dia diante da forte desvalorização da moeda brasileira. 

Entretanto, mantive meu controle emocional e não vendi. Nada havia mudado com a empresa, apenas o valor da moeda mudou.

Essa foi minha primeira experiencia com volatilidade. 

Quarto ensinamento: as quedas em mercados emergentes são mais acentuadas.

Você já percebeu que, em março deste ano, a bolsa de Nova York caiu 28% e o mercado aqui no Brasil despencou 46%?

Em momentos de pânico, investidores estrangeiros tiram dinheiro do Brasil e aportam seus recursos em lugares mais seguros.

Por isso, sempre diversifique geograficamente seus investimentos para não concentrar o seu risco em uma só região.

Hoje em dia, o investidor brasileiro pode investir em BDRs (empresas estrangeiras listadas na bolsa aqui no Brasil).

Ou ainda investir com um gestor que tenha fundos investidos 100% no exterior.

Quinta lição: invista em empresas que você entende e conhece. 

Não coloque seus recusos em uma empresa que algúem falou por cima.

Quando vim para o Brasil nos anos 2000 participei de uma conferência na qual um analista do Goldman Sachs escreveu um relatório sobre uma empresa da Globo (hoje a NET) de televisão a cabo. 

O analista falou tão bem dessa empresa que me convenceu: não fiz nenhuma análise própria e comprei por impulso.

Foi um péssimo investimento: não somente o preço da ação caiu, mas uma outra empresa comprou, o grupo de Carlos Slim, e fechou o capital da NET.

Fui obrigada a vender minhas ações para a empresa do Carlos Slim. Só que perdi muito dinheiro, pois o preço de venda foi inferior ao que havia comprado. 

Desde então, sempre fico com um pé atrás ao ler um relatório de um banco. 

O banco tem interesse em escrever um relatório para agradar a empresa, na maioria das vezes recomendando comprar ou manter as ações da companhia. 

Raramente recomenda vender, porque normalmente outra área do banco será contratada por essa empresa.

Como exemplo, atuando em uma fusão ou aquisição, ou sendo coordenador em uma oferta de ações. 

E é aí que o banco ganha, não escrevendo um relatório bonitinho. Existem inúmeros conflitos de interesse.

Por isso a importância de empresas com análises independentes, como a Inversa.

Estou apresentando os meus erros porque foram lições valiosas que podem ajudar você em sua jornada.

Provavelmente você cometerá outros erros, mas o importante é aprender e não fazer o mesmo desacerto uma segunda vez.

Você só levará a sério e ficar atento quando você começar a investir. Aquela frase “put your money where your mouth is” (você deve sempre colocar em prática e não só falar da boca para fora).

Sem colocar o dinheiro para trabalhar, estaremos aprendendo pela metade. 

Agora vamos aprender de verdade, na pele?

Beijos e boa semana!

Dara Chapman

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