Financial Journey #10 - Que taxa é essa?!

Produtos abusivos cobram taxas de administração para estratégias passivas: veja aqui como você está sendo enganado por fundos de investimentos de grandes bancos.

Olá, bom dia!

Tudo bem com você? Seguimos na caminhada de nossa jornada financeira. Permanece tudo sob controle?

Esta semana estava procurando produtos para sugerir a você dentro de minha série Investidor Premium.

Ao pesquisar para você, me dei conta de como existem produtos ruins (ou muito caros). E aí fiquei pensando “uma pessoa que não é do mercado financeiro nem ia perceber”.

Vejo também que muitas pessoas ficam um pouco sem graça de pedir ajuda ou dedicar tempo para entender.

Você não, você é diferente. Você está lendo esta newsletter porque quer aprender como lidar com o dinheiro, de qual forma organizar melhor sua vida financeira.

Agora, quero que você preste muita atenção neste minuto pois pretendo fazer um alerta sobre abusos mais explicitos.

 

Taxas inócuas


Primeira coisa que reparei foram as taxas de administração dos produtos de investimento que são oferecidos pelos bancos.

Quando você investe em algum fundo, seja multimercado ou de ações, você pagará ao gestor uma taxa de administração e, em muitos casos, uma taxa de performance também.

Normal. Afinal de contas, o gestor deste tipo de fundo (ações ou mutimercado) trabalha para entregar um resultado positivo, tomando risco e administrando os ativos no portfólio. Por isso, o trabalho dele deve ser compensado.

Por outro lado, um fundo DI (que coloca seu dinheiro parado na conta corrente) é um produto considerado passivo, pois o gestor deste tipo de fundo não tem trabalho nenhum ao somente investir em títulos públicos pós-fixados (Tesouro Selic).

Este tipo de trabalho você mesmo pode realizar: investir em Tesouro Selic através do Tesouro Direto. Sozinho(a). Qual é a razão de pagar uma taxa para esse fundo?

Eu pesquisei detalhadamente e, por incrível que possa parecer, existem alguns bancos grandes cobrando taxa de administração de 1% para este fundo DI, o que considero muito abusivo.

Existem alguns bancos, em contrapartida, que não cobram nada. Preste muita atenção: você deve perguntar ao gerente da sua conta ou ao seu assessor de investimentos se está sendo cobrada uma taxa de administração no fundo DI antes de você investir nele.

Se o banco for lhe cobrar uma taxa, melhor você investir em um CDB com liquidez diária que pague 100% do CDI – mesmo efeito do fundo DI, só que sem a taxa de administração.

Ainda você pode investir no Tesouro Selic: vai depender de quanto você tem disponível para investir, o que você pode verificar neste relatório elaborado pelo Felipe Paletta.

Outro produto que eu acho abusivo é a venda de um produto com apenas uma ação dentro do portfólio.

Primeiramente, um produto com somente uma ação caminha em direção contrária à regra da diversificação.

Em linhas gerais, um fundo de ações tem investimentos em pelo menos 20 empresas distintas, o que pode ser considerado um portfólio diversificado.

Cerca de 10, 15 anos atrás, era comum seu banco oferecer um fundo de ações somente com ações da Petrobras. Um fundo apenas com ações da Vale.

Naquela época, talvez fazia sentido: não tínhamos a felicidade de abrir conta de forma tão fácil em uma corretora e investir sozinho, mas hoje é muito simples.

Outro produto deste tipo são fundos indexados ao índice Bovespa. Não faz sentido investir em um fundo deste quando simplesmente você pode comprar BOVA11.

Você está compreendendo o que acontece aqui? Os bancos estão vendendo produtos como se fossem algo muito diferente ou especial, quando na verdade não são.

Simplesmente eles pegaram uma ação, um índice, e empacotaram em um fundo, e cobram muito caro por isso, com uma taxa de administração de 2% a 2,5% ao ano – lembrando que a Selic, taxa básica da economia, está em 2,25% ao ano e deverá ser reduzida para 2% na quarta. Agora, quero que você preste muita atenção neste minuto pois pretendo fazer um alerta sobre abusos mais óbvios.
 

Dilema do trabalho incorrido


O dilema não é pagar ou não uma taxa, o cerne da questão é pagar uma taxa que corresponda ao trabalho incorrido.

Não sei se você sabe, mas um fundo chamado “ações Petrobras” só pode investir em ações da Petrobras.

O gestor não precisa olhar outras empresas com tanta intensidade porque pode investir só em Petrobras.

Em um típico fundo de ações, o gestor acompanha nada menos que 100 empresas, realizando análises profundas sobre 50 para finalmente ter um portfólio de investimento em 20 ações.

O gestor vive o mercado 24 horas por dia: faz pesquisa, análises das empresas para determinar qual é o momento certo de investir, aumentar a compra de ações de determinada empresa ou diminuir a proporção desta empresa dentre as mais de 20 que ele investe, sempre pensando em aumentar o retorno para quem investe no fundo.

Isso sim é um trabalho de um gestor. O que faz diariamente, de forma ininterrupta. Ou seja, há um mérito envolvido para a cobrança de uma taxa de administração de 2% ao ano.

É um produto que dá muito trabalho e não pode ser substituído facilmente por qualquer outro que é oferecido por bancos.

Todos os fundos de ações e multimercado tomam risco e, por isso, o gestor deve cobrar uma taxa de administração de 1,5% a 2% ao ano.

Para me despedir de você, vou deixar quatro dicas muito preciosas. Primeiro, não pague taxa quando você não precisa.

Segundo, entenda quais são os produtos que merecem ser cobrados. Como exemplo, não faz sentido um fundo DI ter uma taxa de administração.

Em terceiro, você deve retirar seus investimentos de fundos que só investem em uma ação e comprar as ações diretamente na corretora.

Por fim – e muito, mas muito importante: verifique com seu assessor, com seu gerente, quais são as taxas daquele produto.

Um grande abraço,

Ótima semana!

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