Criptosphere #9 - Somos todos Heróis

Veja como a rede colaborativa das criptomoedas coloca todos no mesmo patamar

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Nota do editor: Helena Margarido apresentará a você de qual forma a rede colaborativa das criptomoedas iguala a importância de todos nós.         

Caro leitor(a),  

Em 1977, David Bowie vivia na Alemanha, sentado na primeira fileira da Guerra Fria. Nessa época, escreveu uma série de músicas relacionadas ao conflito entre EUA e URSS, sem muito sucesso na época.    

Então, dez anos depois, em 1987, ele canta a música “Heroes” na Alemanha Ocidental, com o muro literalmente funcionando como pano de fundo do palco.      

A letra conta a história de dois namorados, cada um deles em um dos lados do muro. Um dos trechos é mais ou menos assim:   

“Eu me lembro de estar parado
Encostado no muro       
As armas atiravam sobre nossas cabeças           
E nos beijávamos como se nada pudesse cair”  


Em entrevista algum tempo depois, Bowie disse que esse havia sido um dos momentos mais emocionantes de sua carreira. Pois havia um rumor de que algumas pessoas em Berlim Oriental estavam escutando – porém, ele não sabia que eram dezenas de milhares ouvindo.      

Dali para frente, aquela música, que ninguém tinha dado a mínima e passou quase uma década em verdadeiro ostracismo, virou um hino pela unificação da Alemanha – o que ocorreria dois anos depois do show de 1987.    

A própria história da música remete à chamada “saga / jornada do herói”, fórmula utilizada de maneira recorrente em diversos filmes e em praticamente todos os mangás japoneses.

Para quem não conhece, a Saga é dividida em 12 passos:            

1. Status quo: quando tudo começa. Existe uma pessoa inserida em uma situação nada favorável que, de repente, recebe um “chamado”;

2. Aventura: após o chamado, o herói deixa sua zona de conforto e começa sua jornada;            

3. Auxílio: o herói recebe ajuda de alguém mais velho e/ou experiente para ajudá-lo no seu caminho;

4. Partida: o herói cruza as fronteiras de seu mundo normal e do mundo especial da aventura;

5. Testes: o herói precisa se provar e enfrenta uma sorte de desafios, dos quais escapa;

6. Abordagem: o herói encara a maior provação – como o “chefão” dos jogos antigos de videogame;

7. Crise: hora obscura em que o herói tem sua fé colocada à prova;        

8. Recompensa: como prêmio por ter passado por tudo isso, o herói reivindica seu “tesouro”, ou seja, alguma recompensa por ter superado as etapas anteriores;       

9. Desfecho: é o momento em que se conhece o fim da história para todos que tiveram interação com o herói;

10. Retorno: após a aventura, o herói retorna ao seu ambiente normal;

11. Nova vida: a experiência mudou o herói, que se sobrepõe à vida anterior;   

12. Resolução: todas as tramas da história são finalmente resolvidas.    

Após, o herói retorna ao status quo original – porém, como uma nova pessoa geralmente disposta a começar tudo novamente.     

Acho irônico que a Jornada do Herói seja tão aplicável à música Heroes (“Heróis” em português). Afinal, de uma canção desacreditada fez-se um hino que marcou um dos mais importantes momentos de nossa história contemporânea.            

Também é curioso notar como algumas situações nas nossas vidas podem ser explicadas com a jornada do herói: minha história com criptomoedas, por exemplo, pode ser encaixada facilmente nesses 12 passos. E, por incrível que pareça, a de muitos amigos meus desse mercado também.

Mas como sabiamente me disse um deles: muita coincidência é evidência. Então, fui buscar a razão do porquê a jornada de tantos bitcoiners e criptomaníacos se encaixa tão bem nesse conceito.

Você pode achar que é obvio, já que muitos de nós vimos valorizações do mercado na casa dos milhões por cento. Mas não é verdade: os anos de duras correções de preços acontecidos especialmente entre 2014 e 2015, e novamente entre 2018 e 2019, foram duros testes para separar entusiastas de especuladores.

O motivo, portanto, não é esse.

A verdade, meus caros, é que o fato de Satoshi Nakamoto ser anônimo, apesar de causar estranheza para muitos, é uma das principais genialidades do Bitcoin. Porque não existe ninguém personificado a quem se possa glorificar nem culpar.

Já houve incontáveis tentativas de se encontrar a pessoa por detrás desse codinome, todas em vão.

Houve também algumas pessoas que se auto proclamam Satoshi Nakamoto: o mais famoso deles, Craig Wright, chegou até a criar um novo protocolo derivado do bitcoin original para implementar aquela que, segundo ele, era “a visão original” da tecnologia - o Bitcoin SV (abreviação de “Satoshi’s Vision”, ou “Visão do Satoshi”).      

Contudo, as supostas evidências de que seria ele o criador do bitcoin se provaram até agora todas infundadas e serviram apenas para divertir aqueles que, como eu, acredita que não passe de mais uma falácia.           

E por que não acredito?              

Bem, além das supostas evidências constituírem uma série de meias verdades, entendo que existe um motivo para Satoshi Nakamoto jamais ter se revelado. Explico.          

O desenvolvimento e melhorias na tecnologia do bitcoin são liderados por um grupo de desenvolvedores altamente especializados que fazem parte de uma fundação criada por entusiastas da tecnologia.

Além disso, todas as alterações propostas por esse time de desenvolvedores precisam de consenso (sim, nada de democracia: o 50%+1 não existe para fins de alterar o protocolo do bitcoin) e todos os pontos (nodes) que fazem parte da rede possuem “voto”.

Por consequência, tudo que existe hoje no bitcoin é mérito de todos os desenvolvedores, mineradores, entusiastas, stakeholders, curiosos... Enfim, de todos nós.   

E só seria possível criar esse efeito de engajamento e de pertencimento se, de fato, todos os participantes se sentissem igualmente “donos”, responsáveis pelo rumo da tecnologia.

Esse é o verdadeiro significado de uma rede distribuída: todos os participantes possuem igual relevância e são livres para se unir ou deixar a rede no momento em que quiserem. E essa, meus caros, era a visão original do Satoshi.             

Somos todos heróis.      

Somos todos Satoshi.    

(Exceto Craig Wright).   

Até a próxima! 

Helena Margarido

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