Criptosphere #19 - 21 milhões de motivos

Helena Margarido Publicado em 24/11/2020
1 min
O mundo como o conhecíamos antes da pandemia mudou. Em momentos de crise, investidores buscam formas de proteger seu patrimônio.

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Olá,

O ano é 2020. Ano da maior crise sanitária e econômica das últimas gerações. Um ano marcado por incontáveis dúvidas e apenas uma certeza: o mundo como o conhecíamos até o início deste ano mudou para sempre.

Olhando numa perspectiva “menor”, ou seja, o tempo que nós e quem conhecemos temos de vida, é assustador. Muitos estão sofrendo com crises de ansiedade ou pânico; travados sem conseguir tomar qualquer atitude ou vivendo um negacionismo sem precedentes. Mas, olhando nossa história, a história da humanidade como conhecemos, essa não é a primeira nem a mais grave crise pela qual passamos.

A inflação bate à porta e uma segunda onda de Covid também. A verdade é que não estávamos preparados para isso e ainda não temos a real dimensão dos efeitos que este ano atípico trará a médio e longo prazo. A ordem do dia, portanto, é utilizar o que aprendemos com os problemas dos nossos antepassados para nos protegermos – tanto nossa saúde quanto nosso patrimônio.

Dito isso, a ideia de que podemos usar determinados ativos para proteger nosso patrimônio em épocas mais conturbadas não é nova. Muitos das gerações de nossos pais e avós, que viveram épocas conturbadas em meio a guerras, tinham grande preocupação em proteger seu patrimônio, alocando-os em terras e joias, por exemplo.

Mas, para a primeira grande crise da chamada geração informacional, podemos ter outra alternativa.

Surgido em meio à crise econômica de 2008, o Bitcoin trouxe uma proposta que, para muitos, traduz um formato digital de um ativo antifrágil, ou seja, algo que cresce em meio a cenários de volatilidade, aleatoriedade, desordem e fatores de estresse.

Cogita-se, inclusive, que seus criadores teriam previsto o número máximo de 21 milhões de Bitcoins, a serem emitidos até 2041. Isso porque, quando foi criado, o estoque estimado de dinheiro (M1, o dinheiro em circulação na economia) disponível no mundo estaria na casa dos US$ 21 trilhões. E, considerando que o Bitcoin possui 8 casas decimais, se fôssemos indexar todo estoque de dinheiro da época em Bitcoins, teríamos US$ 0,01 (unidade mínima do dólar) = 0,00000001 BTC (unidade mínima do bitcoin).

Pensar em um cenário em que as reservas globais estivessem, de alguma forma, atreladas ao Bitcoin poderia parecer loucura em 2008. Mas, na semana passada, Rick Rieder, diretor chefe de investimentos da BlackRock, maior administradora de ativos do mundo, admitiu que o Bitcoin tomará o lugar do ouro em grande medida, pois é muito mais funcional do que comercializar uma barra de ouro. Segundo ele, as criptomoedas, incluindo o Bitcoin, vieram para ficar.

A notícia abaixo, veiculada pela CNN ontem, dia 23, corrobora com a afirmação de Rick.

Hoje valendo quase o dobro de sua cotação pré-Covid, há fortes indícios de que o Bitcoin seja, de fato, um ativo antifrágil que pode auxiliar em estratégias de proteção de patrimônio.

E com indicativos de peso como este, um cenário em que o ativo digital comece a ser utilizado para compor reservas já parece estar no radar dos grandes investidores mundiais.

Portanto, é bom estar preparado: só com o Bitcoin são pelo menos 21 milhões de motivos para se considerar criptoativos na composição de seu patrimônio.

Um abraço,

Helena Margarido

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