Criptosphere #16 - O próximo Bitcoin

Helena Margarido Publicado em 03/11/2020
4 min
O White paper do Bitcoin completou 12 anos no dia 31 de outubro. Esse evento vem revolucionando o mundo e trazendo oportunidades disruptivas e lucrativas.

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Olá, caro leitor e leitora.

No dia 31/10 fez exatos 12 anos que o white paper do Bitcoin (documento que explica o funcionamento da criptomoeda) foi lançado por Satoshi Nakamoto.

E quando o assunto é investimento em criptoativos, uma das perguntas que mais recebo é: por que o Bitcoin vale tanto? E não seria possível criar uma outra criptomoeda que valesse igual ou mais que o Bitcoin?

Vou explicar, mas vamos por partes.

Em primeiro lugar, o Bitcoin foi o primeiro ativo digital não replicável já criado. Pense nos seus arquivos digitais: músicas, fotos, filmes... todos eles podem ser facilmente copiados, certo? Com o Bitcoin é o oposto: por ser uma espécie de arquivo digital criptografado com uma chave única de acesso, e que precisa ser validado por uma rede distribuída, ele não pode ser copiado.

Mas isso não é o que faz o Bitcoin único. Na verdade, isso inaugurou uma nova classe de ativos criptografados com exatamente essas características - os chamados criptoativos.

Existem outras questões, portanto, que fazem do Bitcoin um ativo único e, claro, intrinsicamente valioso.

Na minha opinião, a noção de valor pode ser encontrada em sua blockchain – em tradução livre, blockchain significa cadeia de blocos; cada transferência é registrada em um bloco, que se conecta ao bloco anterior, formando, assim, uma cadeia de blocos. 

E, como eu dizia, acredito que a noção de valor do Bitcoin pode ser encontrada em sua blockchain não apenas por ter sido precursor desse tipo de rede descentralizada de processamento de dados, mas sim pela quantidade de poder computacional empregado e pela confiabilidade do protocolo, que roda há quase 12 anos sem qualquer problema que ponha em risco sua reputação.

Portanto, para se replicar a confiabilidade da blockchain do Bitcoin, seria necessário recriar (i) a distribuição da rede, (ii) o poder computacional já investido no protocolo, (iii) o tempo em que isso tudo ocorreu, e (iv) os incentivos que alguém teria para tentar corromper a rede.

Explico:

A rede do Bitcoin é composta por mais de 100.000 nodes, isso é, pontos que possuem uma cópia exata e atualizada da blockchain. Exatamente por isso, é altamente improvável que a rede deixe de existir mesmo que haja um ataque hacker coordenado, já que qualquer outro node com a réplica exata poderia dar continuidade ao histórico de transações sem problemas.

Além disso, a quantidade de poder computacional já gasto para validar e revalidar todas as transações já ocorridas dificilmente pode ser replicável - mesmo se considerarmos o surgimento de computadores quânticos. 

O tempo, por sua vez, é absoluto: nem que se recriassem os dois primeiros pontos acima hoje, ainda assim estamos falando de um protocolo tecnológico que terá pelo menos 12 anos a mais de histórico e reputação sobre qualquer outro.

Por fim, o incentivo. Como se sabe, tudo na vida são incentivos - e, no caso do Bitcoin, existem ativos valorados hoje a mais de US$ 13 mil a unidade que “remunerariam” um hack bem-sucedido. Portanto, o ativo digital de um protocolo que sonhasse ser “o novo Bitcoin” deveria servir como um incentivo ao menos igual, ou seja, “remunerar” igualmente bem um hack bem-sucedido.

Portanto, meus caros, sou da opinião de que o Bitcoin continuará encabeçando o Market cap (capitalização de mercado) dos ativos digitais indefinidamente.

E, exatamente por ser tão difícil de ser replicado, isso confere a ele um caráter único enquanto ativo, que dá acesso à melhor e mais robusta base de dados já inventada. E na era do capitalismo 4.0, quando dados e informação possuem um valor que sequer sabemos ainda valorar, essa tecnologia sem dúvida possui valor. E MUITO valor.

Portanto, esqueçam “o próximo Bitcoin”, pois é muito provável que ele não exista. Mas aproveitem aquele que já existe, pois ele certamente ainda está longe de sua valorização máxima.

Um abraço,

Helena Margarido

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