Cesta & Fundos #32 - Promessas de fim de ano

Luiz Cesta Publicado em 20/12/2019
4 min
Muita gente promete começar uma atividade física, outras, conquistar um novo emprego. Mas poucos prometem ações que efetivamente melhorem suas condições como investidor. Tenho três sugestões.

Sunday Notes

Olá, leitor Cesta & Fundos!

Antes de iniciar o texto de hoje, gostaria de agradecer ao Luiz Celso, que me mandou um e-mail com comentários muito pertinentes sobre a última edição dessa newsletter.

Para quem não se lembra do contexto, eu estava um pouco preocupado com um eventual repique inflacionário em 2021, já que tal possibilidade, se confirmada, causaria aumento mais abrupto dos juros (a pesquisa Focus do BC já projeta juros mais altos).

Luiz Celso me deu uma aula sobre a questão dos núcleos de inflação, que são mais importantes no monitoramento da trajetória dos índices de preços e, de fato, são pois excluem choques como o que estamos vendo acontecer no preço das carnes.

Eu concordo em 100% com os argumentos, mas lembro que a meta do BC não é para os núcleos e sim ao IPCA cheio. O ideal seria mudar a meta oficial para alguma medida de núcleo, como já é feito por diversos países. Mas enquanto isso não acontece o BC fica com um calcanhar de Aquiles. Pode se orientar pelos núcleos, mas no final vale o IPCA cheio.

Caso o IPCA ultrapasse a meta, por mais comportados que estejam os núcleos, o presidente do BC terá que se apresentar ao Senado com explicações sobre o ocorrido, o que seria prato cheio para novas disputas políticas. Em ano pré-eleição? Parece-me meio perigoso.

Eu vou usar esta newsletter para sugerir algumas promessas que envolvem finanças para o ano de 2020.

Muita gente promete começar uma atividade física, outras, conquistar um novo emprego. Mas ainda poucos prometem ações que efetivamente melhorem suas condições como investidor.

Tenho três sugestões de promessa.

Primeira promessa: poupar um pouco mais em relação à sua renda.

Essa é uma promessa que se torna mais relevante se você ainda não tiver formado uma poupança significativa.

Imagine um profissional que ganha R$ 10 mil por mês, poupa 10% de sua renda mensalmente e já conseguiu juntar R$ 1 milhão. Esse aporte na poupança eleva, portanto, o seu patrimônio em 0,1%.

O que aconteceria se esse profissional aumentasse os aportes para um percentual mensal de 20%? Resultaria num acréscimo patrimonial de 0,2%. Algo pequeno, mas, de qualquer forma, importante quando comparado com investimentos em Bolsa e FIIs que esse indivíduo conseguiria fazer.

E o que acontece com quem está na mesma situação de renda, mas poupou somente R$ 10 mil até o momento? Neste caso, os mesmos 10% do salário representariam 10% a mais em sua poupança. Já 20% representariam astronômicos 20% adicionais de rentabilidade. E isso somente em um mês!

Aí eu pergunto. Para quem tem poupança, é mais fácil e menos arriscado poupar um pouco mais para aumentar seu patrimônio rápido ou buscar investimentos que retornem 20% ao mês?

Isso não exclui de forma alguma a necessidade de se investir nos corretos instrumentos financeiros, mas quero aqui evidenciar o quão importante é poupar, especialmente quando instrumentos de baixo risco estão com rentabilidades baixíssimas.

Segunda promessa: rever seu apetite ao risco.

Estamos vivendo momentos de euforia com ativos de risco, mas eu te pergunto: Você está conseguindo dormir sossegado? Essa é fácil responder quando o mercado inteiro sobe, mas o que você faria se acordasse no dia seguinte com 10% a menos de patrimônio? A história mostra que isso é possível dependendo dos ativos que cada um investe.

Se você estiver preparado para tamanha perda, não tem problema. No longo prazo, deve ser recompensado com mais retorno. Mas nem todos possuem estômago para a volatilidade e acho importante que cada um respeite seus limites.

De nada adianta investir de forma arriscada se, futuramente, você tiver que gastar tudo num tratamento de úlceras. Respeite-se. A Inversa possui diversas publicações que podem te ajudar a adequar seus investimentos ao seu apetite ao risco.

Terceira promessa: ler um pouco mais.

Essa promessa parece um pouco manjada, mas acho que não tem como deixar pra lá. Conhecimento é algo que engrandece e nos estimula a pensar sempre de forma crítica e a sermos melhores pessoas.

Deixo, então, três dicas de livro para quem ainda não os leu:

1º: Os Mercadores da Noite, de Ivan Sant’Anna;

2º: O Investidor Inteligente, de Benjamin Graham;

3º: Os Axiomas de Zurique, de Max Gunther.

Seu 2020 será melhor se você se comprometer com essas promessas e melhor ainda se efetivamente conseguir concretizá-las.

Um forte abraço e até mais!

Luiz Cesta (twitter: @luizcesta)

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