Bridge the Cash #22: Brasil, né?

Leonardo Pontes Publicado em 16/04/2021
15 min
O Brasil perdeu o último superciclo de commodities em 2008 e perderá o próximo superciclo de 2021. Mas você não precisa perder.

Olá.

Decidi vender a casa onde moro. Relatei a saga para um casal de amigos:

“Quando você decide vender a casa, você precisa averbar em cartório que ela não está mais alienada ao banco. Então não basta o extrato comprovando que todo o seu financiamento já foi pago: o cartório exige uma declaração do banco, em uma via física e com firma reconhecida (pode ser em outro cartório, ufa!). A assinatura não pode ser digital, mesmo que os cartórios estejam com funcionamento restrito em razão da pandemia. Depois, o(a) comprador(a) precisa ir novamente ao cartório, reconhecer firma e reiniciar o processo, além de pagar o ITBI”, expliquei.

“Brasil, né?”, concluí.

Pronto. Todos acenaram com a cabeça, solidários com a frase que une todos os que vivem pelas bandas de cá, aquilo que nos faz verdadeiramente brasileiros, irmãos na dificuldade tal qual soldados que lutam a mesma guerra. 

A identidade da nação é samba, futebol e Custo Brasil. 

O CUSTO BRASIL

Custo Brasil representa todas as dificuldades burocráticas, de infraestrutura, educacionais, fiscais, trabalhistas e econômicas que atrapalham a vida do cidadão, encarecendo o custo de produção e impedindo um crescimento mais vigoroso da economia.

Felizmente, o Brasil não é apenas samba e futebol, mas poderia ser muito mais: estima-se que o Custo Brasil remova mais de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Dá mais ou menos R$ 1,5 trilhão.

E como tudo por aqui é mais difícil, o ambiente de negócios fica bastante prejudicado: menos empresas, menos empregos, menos renda. 

Quem decide produzir, sofre com o alto custo logístico e com a mão de obra pouco qualificada, já que a educação do país também não é de grande ajuda.

Superando tudo isso, será necessário lidar com a alta carga tributária de uma legislação incompreensível. Ou você produz ou você descobre quanto tem de pagar de imposto. Ou gasta mais uma fortuna para não cair em alguma nova legislação que tenha surgido nas últimas 24 horas.

Toda essa burocracia, logicamente, prejudica aqueles que mais precisam: o Brasil ocupa a 84ª posição no ranking mundial do IDH.

CARNE DE PESCOÇO

Outra consequência nefasta do Custo Brasil é a baixa competitividade das empresas brasileiras no exterior: como punimos a inovação e os negociantes, temos pouquíssimos exemplos de empresas brasileiras líderes no mundo.

As exceções são aquelas exportadoras de commodities, onde o Brasil tem uma clara vantagem competitiva. “Em se plantando, tudo dá”, escreveu Caminha em 1500.

Felizmente, tudo indica que estamos mais uma vez em uma grande alta das commodities, o que poderia favorecer o país com uma forte entrada de recursos, pavimentando o caminho para mudanças mais estruturais.

Infelizmente, tudo indica que desperdiçaremos essa oportunidade mais uma vez. Um país dividido, no meio de uma pandemia com números piorando, não terá forças para realizar as reformas necessárias. E até sairmos dessa, o trem já deixou a estação.

Perdemos o último superciclo em 2008, perderemos o próximo superciclo de 2021. Mas você não precisa perder: invista em boas empresas exportadoras de commodities, fique com o filé mignon e fuja dessa carne de pescoço.

Apenas não esqueça de declarar para a Receita (sua alíquota vai depender do tempo pelo qual você ficar investido), com atenção para as canetadas nos impostos, já que o Leão está de olho nos seus dividendos... Brasil, né? 

Um abraço,

Leonardo Pontes 

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