Bridge the Cash #16 - Não siga sua paixão

Leonardo Pontes Publicado em 08/01/2021
4 min
Se você decidir ser um day trader, esteja preparado para um longo período de aperfeiçoamento e perdas.

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“Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança. – Mário Quintana

Ah, a virada de ano! Sempre nos enche de esperança, como bem lembrou Mário Quintana. É o momento em que decidimos que vamos fazer tudo o que não fizemos no ano que passou:

- Ano passado não deu tempo - dizemos para nós mesmos.

E assim, temos as infames resoluções de ano novo: mais exercícios físicos, perder peso, mais organização, parar de fumar, aprender um novo hobby, aproveitar mais a vida e, claro, guardar mais dinheiro.

A lista é extensa, o ano continuará tendo 365 dias e as pesquisas indicam que 80% das resoluções não chegam à Quarta-feira de Cinzas. Como diz o provérbio português: “Quem jura, mente”.

Mas talvez a pior decisão que alguém possa vir a tomar é escolher seguir sua paixão. E antes que você conclua que 2020 ainda mantém seus efeitos nefastos sobre meu humor (admito que pode ser verdade), explico-me.

No agradável livro “So Good They Can't Ignore You: Why Skills Trump Passion in the Quest for Work You Love” (“Tão Bom Que Eles Não Podem Ignorar Você: Porque as Habilidades Superam a Paixão na Busca por um Trabalho Que Você Ame”, em tradução livre), Cal Newport argumenta que você primeiro deve amar o que faz para poder fazer o que ama.

Segundo ele, tentar encontrar sua paixão antes mesmo de poder aperfeiçoar o seu ofício é uma abordagem ruim. Para conseguir uma carreira interessante, isto é, rara e valiosa, você também deve ser capaz de retribuir com um trabalho raro e valioso.

A questão é que um trabalho raro e valioso, por definição, é difícil de alcançar, sendo necessária uma forte dedicação por um longo período, o que ele chama de prática deliberada.

Assim, seguir sua paixão antes de ter as habilidades necessárias para tal é um péssimo conselho. Primeiramente, você deve se dedicar a refinar sua técnica em longas e, por vezes, dolorosas sessões, de forma que você possa oferecer um trabalho que seja valorizado por outras pessoas.

 

A OUTRA PONTA DO DAY TRADE

 

Algumas newsletters atrás, citei um estudo da FGV que indicava que apenas 1,1% dos day traders de mini-futuro do Ibovespa ganhavam mais que um salário mínimo, enquanto isso, 97% dos investidores que insistiram por mais de 300 dias nesse tipo de operação perderam dinheiro.

Tendo em vista que, para cada comprador, existe um vendedor e, portanto, se alguém perde, outro ganha, enxergo duas possibilidades aqui: a primeira é que os day traders talvez tenham ficado em um “perde-ganha” e decidiram que valia mais a pena investir seu tempo em outro projeto. 

E a segunda alternativa é que poucos estão ganhando muito dinheiro de todos esses que começam e logo desistem.

Em ambos os casos, a implicação é a mesma: se você decidir ser um day trader, esteja preparado para um longo período de aperfeiçoamento e perdas. A probabilidade de você ganhar menos que um salário mínimo é de 99%.

Felizmente, você tem como se aperfeiçoar bastante antes de seguir em uma carreira solo, seja em day trade, seja em outro sonho: simuladores, cursos, livros.

Inclusive, é sempre bom fazer esse teste: existe alguém disposto a pagar por aquilo que você diz ser sua paixão? 

E, no caso de day trade, você já está ganhando dinheiro suficiente e de forma consistente para abandonar a carreira atual que você tem? 

Você já deve ter lido por aí: é preciso 10 anos de estudo para ser médico, cinco anos para ser engenheiro, quatro anos para ser advogado. Mas, para ser trader, as pessoas fazem um curso de 12 horas. 

Existem bons traders, mas todos eles entendem que é necessário estudar, melhorar, refinar... 

Aliás, não é assim com tudo o que fazemos?

Ao final, acho que só existe uma resolução de ano novo válida: persistir.

Um abraço, 

Leonardo Pontes 

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