Bridge the Cash #13 - A grande disputa

Antonyo Giannini Publicado em 13/11/2020
4 min
A dedicação necessária para tornar você um investidor melhor pode transformar a forma como você enxerga o mundo e trazer mais lucros para a sua carteira.

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A não ser que você more em uma caverna e tenha me dado a honra de ligar o computador apenas para ler esta newsletter, você provavelmente já sabe que a grande notícia da semana foi a eleição para presidente dos Estados Unidos. 

Com os votos contados indicando a vitória de Biden, havia a expectativa de que os mercados reagiriam mal, dada a possibilidade de aumento de impostos para promover um maior Estado de bem-estar social, mesmo com a judicialização da disputa por iniciativa de Trump.

Entretanto, os mercados americanos apresentaram uma forte alta, tendo em vista que os republicanos conseguiram maior número de assentos no Senado, enquanto os democratas serão maioria no Congresso, o que deve trazer um pouco mais de contrapeso em eventuais decisões do Executivo.

Ou seja, talvez esse aumento de impostos fique para uma outra hora.

Essa semana, de qualquer forma, circulou esta imagem que a Forbes publicou, mostrando o desempenho das bolsas americanas durante os mandatos de republicanos e democratas.

Valor de um dólar investido no S&P 500: Janeiro 1926 – Dezembro 2019. Fonte: Forbes


Como você pode ver, no longo prazo, a bolsa reflete realmente o desempenho das companhias, especialmente em uma economia liberal como a norte-americana. 

Ainda: com exceção de talvez um par deles, todos os presidentes dos Estados Unidos podem bater no peito e afirmar que, sob sua gestão, os índices de ações atingiram novos recordes.

Sempre é melhor tomar crédito daquilo que é seu por mérito, e não por destino.

TERRA BRASILIS

No Brasil, o quadro de histórico do Ibovespa mais completo que encontrei é o da Enfoque, também com todos os presidentes desde 1963.

Variação mensal do Ibovespa. Fonte: Enfoque.


Como você sabe, nós brasileiros jogamos sempre no modo difícil.

Fica claro que, por aqui, os impactos de um presidente podem persistir por anos, e não faltam exemplos de políticas desastrosas, cujas consequências serão sentidas por décadas a fio.

E mesmo assim, a tendência, no longo prazo, também é de crescimento. 
 

MIRE NO LONGO PRAZO

Como você sabe, por mais que o curto prazo apresente uma série de ruídos, desde o preço do petróleo até qual será o próximo presidente, o que realmente importa para quem compra empresas é o quanto ela pode gerar de caixa.

A partir daí, tudo o que resta é analisar o preço justo a se pagar.

Observe o comportamento ou entrevista dos maiores investidores de ações do mundo: eles pouco falam sobre política ou macroeconomia. 

Veja: não é que eles não entendam desses assuntos; é apenas que direcionam seu foco para o que faz uma grande companhia e, a partir daí, constroem um bom investimento. Sempre balizado pelo preço, a única variável que está sob nosso controle: você sempre pode decidir não pagar o que está sendo pedido.


“Os mais fortes de todos os guerreiros são estes dois: tempo e paciência”, como escreveu Tolstói.

O ângulo, sem dúvida, é diferente para quem investe em moedas ou juros, já que seus ativos de escolha são mais diretamente impactados pelas diferentes decisões políticas do governo.

Ou seja, apesar de toda a diversão proporcionada pela (lenta) contagem de votos nos Estados Unidos, o melhor que você pode fazer é aumentar seu tempo investido àqueles assuntos que são importantes para você.

A dedicação necessária para se tornar um melhor investidor pode transformar a forma como você enxerga o mundo e, certamente, trará maiores lucros: é impossível entender mais de modelos de negócios e ficar indiferente às várias ineficiências e consequentes oportunidades ao seu redor.

A grande disputa na qual você deve sempre se engajar é a de aumentar o seu conhecimento.

Um abraço,

Leonardo Pontes

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