Quem está mentindo, o preço ou os resultados?

Tivemos a divulgação de uma série de demonstrativos financeiros de empresas listadas na bolsa brasileira. De duas uma: ou os preços das ações estão errados ou seus lucros cairão significativamente.

Quem está mentindo, o preço ou os resultados?

Por João Abdouni e Nícolas Merola, CNPI
 


Nessa semana tivemos a divulgação de uma série de demonstrativos financeiros de empresas listadas na bolsa brasileira e os resultados vieram bastante animadores, normalmente acompanhados de resultados operacionais muito fortes. 

No entanto, o preço dessas mesmas ações, de maneira geral, vem sofrendo uma forte correção desde o mês de junho por uma série de fatores, sejam eles políticos, fiscais ou de condução da política monetária.

A taxa básica de juros, por exemplo, foi elevada na última quarta-feira, dia 27, para 7,75% ao ano, vindo de sua mínima que era de 2,0% ao ano. Isso, de imediato, já afeta o mercado de ações, pois o custo de se investir na bolsa ao invés do CDI aumenta.

E não é só a Selic que vem subindo. Na verdade, para a bolsa, o aumento das taxas longas é ainda mais prejudicial para a precificação das companhias e esses títulos,  como o título prefixado com vencimento em 2031, já negocia acima dos 12% ao ano. 

Todas essas pressões vêm tornando algumas das ações brasileiras muito baratas em relação aos resultados apresentados e a geração de caixa que as empresas estão conseguindo entregar.

Por isso, em nossa opinião, de duas uma: ou os preços das ações dessas empresas estão errados ou seus lucros cairão significativamente. 

Para ilustrar um pouco melhor esse cenário descrito, preparamos um quadro comparando da geração de caixa de seis empresas que divulgaram o resultado recentemente e os comparamos com seu valor de mercado atual.

Preste atenção como empresas consolidadas como Suzano, Klabin, Vale, Gerdau e Marfrig, se mantiverem seus resultados em patamares similares, conseguirão gerar caixa equivalente ao seu valor atual de mercado em 4, 3 ou até em 2 anos, em alguns casos. 

Ou seja, se por um lado os juros longos estão por volta dos 12% ao ano, o retorno implícito de um grupo de empresas com forte geração de caixa está com um retorno anualizado na casa de 35%. Claro, quando se trata de renda variável não temos certeza se esses resultados vão se manter ao longo do tempo.

Quadro comparativo:

Os fatos acima colocados nos remeteram à dúvida que gerou o título, uma vez que historicamente essa relação de retorno da geração de caixa sobre o preço é menor do que estamos observando atualmente. Quem está mentindo, essa forte geração de caixa ou preço das ações?

Certeza nós nunca teremos, mas o que podemos afirmar é que, contraintuitivamente, a melhor hora para se comprar empresas é quando os juros estão altos, e não baixos como todos falam. 

Apenas nesses momentos que conseguimos enxergar um cenário no qual seu valor intrínseco fica tão claro, sem a necessidade de projeções mirabolantes ou milagrosas para que a conta feche.

 

Conheça o responsável por esta edição:

Nícolas Merola

Ações e Fundos de Investimento

Formado em Engenharia Civil pela UVA (Universidade Veiga de Almeida - RJ) em 2017 e com MBA pelo IBEC/INPG em 2018. Nícolas começou a estudar sobre investimentos ainda no início de sua faculdade, quando se apaixonou pelo assunto. Depois de atuar por mais de três anos no mercado de renda variável, de forma autônoma, se juntou em 2019 ao time de especialistas da Inversa Publicações.

Conheça o responsável por esta edição:

João Abdouni

Analista CNPI

Graduado em Contabilidade e administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, João possui grande experiência em auditoria contábil, trabalhando por anos na Ernst & Young, famosa empresa inglesa de consultoria. Apaixonado pelo mercado financeiro, integra o time de especialistas em investimentos da Inversa e está à frente das séries Premium Caps, Ações Alpha dentre outras.

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Analista de Valores Mobiliários responsável (Resolução CVM n.º 20/2021): Nícolas Merola - CNPI Nº: EM-2240