E se o IPO do Nubank for adiado?

30 de novembro de 2021
O Nubank pretende abrir capital na NASDAQ, em Nova York. No entanto, já é noticiado que o banco considera reduzir o preço da oferta inicial e ainda há o risco de adiar e até não ocorrer.

E se o IPO do Nubank for adiado?

Por João Abdouni e Nícolas Merola, CNPI

 

O Nubank pretende abrir capital e listar suas ações na bolsa de valores de Nova York (NASDAQ).  A ideia inicial é que a companhia vendesse suas ações a um valor de mercado maior que o do Itaú. Sendo assim, se tornaria o maior banco, em valor de mercado, de toda a América Latina. No entanto, já é noticiado que o banco considera reduzir o preço da oferta inicial de ações (IPO).

Com o cenário mudando nos últimos meses, o Banco Inter, que é uma empresa correlata, caiu 55% desde o mês de julho de 2021. Já com a Stone, que talvez seja um caso mais complicado, as ações vem sofrendo queda de cerca de 48% no seu valor de mercado, isso apenas desde o dia 16 de novembro de 2021, puxado principalmente por problemas na estratégia da distribuição do crédito e o aumento da concorrência no segmento de adquirência (máquinas de cartão). 

Essa realidade de certa maneira acendeu um sinal amarelo para o principal risco das fintechs brasileiras. Como elas farão para rentabilizar suas carteiras?

Como essas instituições têm disponibilizado serviços com  taxas praticamente zeradas para captar clientes, a expectativa é de que o retorno sobre o investimento, em tese, volte por meio da carteira de crédito.

No entanto, nosso país não tem o mercado de crédito concertado à toa, o Brasil é um grande cemitério de bancos, quem é mais velho certamente vai lembrar de bancos como Bamerindus, Banerj, Nacional, Econômico, HSBC entre outros.

A grande maioria desses bancos ou faliu ou foi vendida para os cinco grandes que conhecemos hoje, por problemas na gestão do crédito. Sim, o Brasil é um lugar difícil de conceder crédito, a questão é, quando forem fortemente capitalizadas, as fintechs terão que enfrentar essa batalha, mas dessa vez em grande escala.

O valuation inicial esperado no IPO do Nubank era de R$264 bilhões mas, como divulgado hoje, dia 30 de novembro, essa faixa indicativa foi reduzida para R$218 bilhões.

O banco Itaú, maior banco da América Latina, atualmente negocia por volta de R$210 bilhões e tem entregado há anos lucros na casa de R$26 bilhões, números que representam um longo caminho para os novos bancos alcançarem.

Dado o cenário de desvalorização dos seus pares, talvez o IPO do Nubank deva sair mais barato do que o esperado inicialmente e ainda corre o risco de ser adiado ou até de não ocorrer.

Em decorrência desse fato, podemos estar observando o final do ciclo de empresas brasileiras vestidas como empresas do NASDAQ e poderemos começar a observar o retorno do mercado a valorizar as empresas nacionais com características efetivamente brasileiras.

 

Conheça o responsável por esta edição:

Nícolas Merola

Ações e Fundos de Investimento

Formado em Engenharia Civil pela UVA (Universidade Veiga de Almeida - RJ) em 2017 e com MBA pelo IBEC/INPG em 2018. Nícolas começou a estudar sobre investimentos ainda no início de sua faculdade, quando se apaixonou pelo assunto. Depois de atuar por mais de três anos no mercado de renda variável, de forma autônoma, se juntou em 2019 ao time de especialistas da Inversa Publicações.

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João Abdouni

Analista CNPI

Graduado em Contabilidade e administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, João possui grande experiência em auditoria contábil, trabalhando por anos na Ernst & Young, famosa empresa inglesa de consultoria. Apaixonado pelo mercado financeiro, integra o time de especialistas em investimentos da Inversa e está à frente das séries Premium Caps, Ações Alpha dentre outras.

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Analista de Valores Mobiliários responsável (Resolução CVM n.º 20/2021): Nícolas Merola - CNPI Nº: EM-2240