Dólar: agora cai?

13 de janeiro de 2022
O fato é que temos um cenário no qual, com a combinação certa, podemos ver finalmente a nossa moeda voltando a performar bem novamente. Para isso, é essencial que confiemos em nosso país mais que o investidor estrangeiro.

Dólar: agora cai?

Por Rodrigo Natali

O brasileiro nunca foi tão comprado em dólar.

Quando olhamos o mercado de câmbio, podemos ver que várias medidas de estoque estão em patamares recordes. Atualmente, o mercado carrega 98,8 bilhões de dólares via swap cambial contra o Banco Central e essa proteção custa caro para carregar. 

Ou seja, usando como referência a curva de juros e a taxa de câmbio atual, se o dólar ficar parado durante um ano, o custo para o mercado será algo em torno de 60 bilhões de reais. Se a moeda norte-americana cair, são quase 10 bi a cada 10 centavos na nossa cotação. 

Além disso, nunca tivemos tanto dinheiro fora. O estoque de BDRs mais os ETFs de BDRs fechou o ano em 32 bilhões de reais. Isso é uma posição comprada em dólar, uma vez que a rentabilidade desses ativos vem da variação da ação objeto multiplicado pela cotação.

Outra posição cambial recorde é o mercado de criptoativos. É difícil calcular esse número pela natureza confidencial e sem jurisdição da classe, mas se pegarmos o último dado do Banco Central, que deve ser uma fração do número real, temos mais uma saída de 20 bilhões de reais.

Além disso, a maior parte das exportadoras deixou sua geração de caixa no exterior, esperando o momento de internar esses recursos. 

Some isso ao imenso volume de saídas de overhedge dos bancos, as posições compradas de especuladores pessoas físicas, fundos com posições pessimistas, o fluxo de saídas através de empresas como a Avenue e fica claro: nunca vivemos isso.

Tudo o que precisa para que comece uma repatriação de parte desses recursos é o dólar aqui dentro começar a cair. Normalmente, eu diria que isso só ocorreria com o retorno da confiança dos investidores, que hoje está ligado diretamente ao cenário político. 

Mas, talvez, uma variável nova pode pesar nessa equação. Um movimento que não via há anos aconteceu ontem - 13 de janeiro de 2022 -  e se repetiu hoje. Investidor estrangeiro vendendo dólar para prazos mais longos, também conhecido como carry trade

O Brasil tinha saído do mapa desse tipo de fluxo de capital e aparentemente voltou. Talvez pelos nossos juros altíssimos, baixa volatilidade recente e nível da moeda. Talvez porque o mercado americano tem operado de lado de um tempo para cá, fazendo com que o gringo busque novos investimentos.

O fato é que temos um cenário no qual, com a combinação certa, podemos ver finalmente a nossa moeda voltando a performar bem novamente. 

E, para isso, é essencial que confiemos em nosso país um pouco mais do que o investidor estrangeiro.

Importante: essa não é uma recomendação para comprar ou vender dólar. Nem quanto, nem como, nem quando. Quer saber mais sobre como investir ativos no exterior? Então, não deixe de assinar a série Você Gestor.

Um abraço,
Rodrigo Natali
 

Conheça o responsável por esta edição:

Rodrigo Natali

Diretor de Estratégia

Rodrigo Natali tem graduação e MBA pela FGV. É especialista em câmbio e macroeconomia, tem 25 anos de experiência no mercado financeiro, tendo passado por diversas instituições nacionais e internacionais, onde exerceu a profissão de trader e gestor de fundos de investimento multimercado.

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