Começou o grande movimento. Você faz parte dele?

7 de janeiro de 2022
Um movimento tectônico como esse, cria imensas oportunidades e pode fazer com que o investidor americano olhe para alguns ativos brasileiros. Você os tem em sua carteira?

Começou o grande movimento. Você faz parte dele?

Por Rodrigo Natali


Em diversos relatórios passados, como esse, este outro ou ainda este, nós levantamos uma hipótese com um grande grau de confiança: a China estava sendo contracíclica de propósito desde fevereiro, e iria mudar a postura assim que o mundo começasse a entrar em contração simultânea, afetando muito positivamente os preços das commodities.

Com os fatos novos, podemos dizer que nossa hipótese virou realidade. A China já começou seu afrouxo monetário, que começou via expansão de crédito de bancos e quedas em algumas modalidades de juros. Além disso, a segunda economia do mundo, através de seu órgão máximo, veio publicamente se comprometer com essa postura cada vez mais expansionista esse ano.

Isso teve o impacto esperado e, não à toa, o minério de ferro, por exemplo, já subiu 42% em menos de dois meses. Nesse mesmo período, o FED declarava que finalmente ia começar o seu aperto monetário, que foi ficando ainda mais claro na ata da mais recente reunião, divulgada essa semana,  quando passou a tomar uma postura ainda mais contracionista que o esperado: podemos ver altas de juros no primeiro semestre.

Esses movimentos totalmente opostos estão apenas no começo. E o melhor: ao invés de ser o assunto mais comentado do mundo, dado que envolve diretamente as duas maiores economias, está passando despercebido. Noto que quase nenhuma casa de análise e jornal está falando ou escrevendo muitas matérias sobre o assunto.

Isso cria imensas oportunidades. Um movimento tectônico como esse, pode fazer com que o investidor americano, que ainda não está preocupado com diversificação global, venha em algum momento no futuro a procurar alguma forma de investir na China. Para isso, por exemplo, basta a bolsa deles deixar de ter a performance excelente que teve nos últimos anos.

Só que nessa hipótese, esse americano "do futuro" vai ter um problema: hoje é quase impossível investir em ações ou dívida chinesa. Durante todo o ano, o governo chinês deixou muito claro que não quer o capital de estrangeiros e fez isso de forma contundente, chegando ao ponto de proibir startups (duas semanas atrás) de captarem capital fora do país.

E reiterou essa porta fechada de forma prática, ao implodir empresas com participação de ETFs americanos, ao não pagar e dar calote especificamente em títulos estrangeiros, enquanto pagava aos investidores locais. Logo, como esse querido gringo faria para surfar essa onda?

A única coisa que a China não tem controle direto são os preços das commodities. E ela vai precisar disso para crescer. Logo, uma das últimas formas viáveis de ganhar dinheiro com a economia deles hoje é ter uma empresa que fornece insumos para a China. E a melhor parte da nossa bolsa, nossas maiores empresas, fazem justamente isso.

É possível que no futuro, o capital estrangeiro venha para cá não por causa do nosso mercado local, ou por uma mudança no panorama político, mas porque somos um dos poucos países que têm empresas com exposição direta à economia Chinesa.

Hoje nosso canal de comércio com o dragão é o dobro do que o Tio Sam. E sabemos que para a geração de caixa da Vale, por exemplo, o que está acontecendo por lá é muito mais importante do que o que acontece por aqui.

No final, poderemos ter um prêmio sendo pago para poder estar nessas ações brasileiras. Elas, da mesma forma que fintechs já operaram com múltiplos maiores por serem as ações da moda, poderão vir a ter múltiplos acima das médias históricas, por serem verdadeiros unicórnios num cenário tão raro e incomum. Mas, reforço novamente, por enquanto essa é uma boa hipótese. 

O que sabemos mesmo é que os movimentos monetários que estão sendo revertidos levaram anos para serem realizados. E é possível concluir que levará também muito tempo para que façam o contrário. E nesse novo realinhamento macroeconômico, estamos apenas no começo.

 

Nota do editor: Rodrigo Natali, nosso estrategista-chefe, que escreveu esse e os outros artigos sobre o tema, tem uma carteira posicionada exatamente para esse tipo de movimento, numa série que você pode conhecer e participar e que está, só hoje, em condições promocionais, bastando você clicar aqui e usar o cupom VOCEGESTOR30

Conheça o responsável por esta edição:

Rodrigo Natali

Diretor de Estratégia

Rodrigo Natali tem graduação e MBA pela FGV. É especialista em câmbio e macroeconomia, tem 25 anos de experiência no mercado financeiro, tendo passado por diversas instituições nacionais e internacionais, onde exerceu a profissão de trader e gestor de fundos de investimento multimercado.

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