J.P. Morgan: lucro recorde do maior banco dos EUA

14 de janeiro de 2022
O J.P. Morgan soltou seu resultado anual de 2021, apresentando lucro recorde de 48,3 bilhões de dólares e um retorno sobre patrimônio (ROE) de 19%. Saiba mais sobre o maior banco dos EUA.

J.P. Morgan: lucro recorde do maior banco dos EUA

Por João Abdouni, CNPI e Pietro Tortoreli

 

O J.P. Morgan, maior banco dos EUA, soltou seu resultado anual de 2021 hoje, inaugurando a temporada de resultados nos EUA, apresentando lucro recorde de 48,3 bilhões de dólares e um retorno sobre patrimônio (ROE) de 19%, um belo resultado que deve ser acompanhado pelos grandes bancos brasileiros nos próximos dias.

 

Um pouco da história
Fundado em 1799, o maior banco dos Estados Unidos e um dos símbolos do capitalismo da maior potencial global, por John Pierpont Morgan Jr., o banco teve presença marcante em grande parte da história do país 

Conhecido por fazer negócio com quem pudesse pagar, cito uma passagem histórica: em 1925, liderado pelo filho do fundador Jack Morgan, realizou consórcio para investir 250 milhões de dólares no governo do então líder italiano Benito Mussolini. Quando questionado pela imprensa norte-americana por estar beneficiando o regime facista, o então presidente do J.P. Morgan disse: “Foi apenas um negócio, um bom negócio. Para isso estamos no mercado” (trecho retirado do livro 1929 de Ivan Sant’Anna).

Agora que você conhece um pouco da história do J.P. Morgan, vamos aos resultados operacionais da companhia em 2021.

 

Resultados
Hoje, 14 de janeiro de 2022, o banco divulgou seus resultados referentes ao quarto trimestre de 2021, fechando o seu resultado anual. O lucro líquido foi de 48,3 bilhões de dólares, um aumento de 66% quando comparado a 2020. Com isso, a empresa crescimento em todas suas linhas de negócios, sendo o mais relevante o de Consumer & Community Banking (CCB), segmento de operações de crédito da companhia, que cresceu 155%. O ROE registrado foi de 19%

Esse é um resultado sólido mostrando mais uma vez a resiliência de seu modelo de negócios que, embora  muitos achem que poderia sofrer com ataques de fintechs, vem crescendo continuamente e vendo sua ação se valorizar cada vez mais, hoje se encontrando em seus maiores patamares históricos como podemos observar no gráfico abaixo:

 

Semelhanças e diferenças entre o mercado no Brasil e EUA
No Brasil, a menor desvalorização dos grandes nomes do setor financeiro frente à desvalorização de até 70% das ações das fintechs nos últimos sete meses vem sendo atribuída somente à alta da taxa de juros local que saltou de  2% para 9,25%. No entanto, um fenômeno parecido vem ocorrendo nos EUA, mesmo sem as altas relevantes nos juros americanos. 

Lá isso está ocorrendo, em parte, porque os resultados de instituições como J.P. Morgan vêm sendo muito relevantes. Atualmente, as ações do banco nova-iorquino negocia próximo das máximas, enquanto, os papeis de instituições mais jovens, como Robinhood Markets Inc, sofreram quedas de até 70%.

Assim como nos EUA, os resultados dos grandes bancos brasileiros vêm sendo consistentes ao longo do tempo, sendo que as quatro grandes instituições financeiras de capital aberto no território nacional devem entregar retorno sobre o patrimônio líquido entre 15% e 20% no fechamento de 2021, e provavelmente isso também deve ocorrer em 2022.

É importante lembrar que os grandes bancos têm suas performances ligadas a taxa básica de juros no Brasil e nós vimos de 2016 a 2021 uma queda muito forte da Selic saindo de 14,25% e atingindo o menor patamar da história em 2021, chegando a 2%.

Essa situação colocou essas instituições financeiras em uma situação mais complicada, precisando reduzir custos e reorganizar linhas de negócios para manter suas elevadas rentabilidades e, apesar das dificuldades, elas acabaram por conseguir manter um bom retorno para o acionista.

No entanto, desde julho de 2021 esse cenário mudou e atualmente já caminhamos para juros acima de 10% ao ano no Brasil. Com esses patamares mais elevados, cria-se uma vantagem competitiva relevante, principalmente quando colocamos na equação a passagem do tempo. Um, dois ou três anos com juros altos não muda muito a vida de um bancão, mas essa diferença temporal pode ser a sentença de morte para uma fintech.

Nota do editor: será que temos bancões na carteira? Temos uma fintech? Quer descobrir esses segredos, clique aqui para o Ações Alpha.

Um abraço,
João Abdouni, CNPI. Colaborou Pietro Tortoreli, estagiário.
 

Conheça o responsável por esta edição:

Pietro Tortoreli

Especialista em investimentos

Graduando de engenharia de produção no Instituto Mauá de Tecnologia e apaixonado pelo mercado financeiro, Pietro passou a estudar sobre o assunto ainda no início da faculdade e desde 2021 integra o time de especialistas em investimentos da Inversa.

Conheça o responsável por esta edição:

João Abdouni

Analista CNPI

Graduado em Contabilidade e administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, João possui grande experiência em auditoria contábil, trabalhando por anos na Ernst & Young, famosa empresa inglesa de consultoria. Apaixonado pelo mercado financeiro, integra o time de especialistas em investimentos da Inversa e está à frente das séries Premium Caps, Ações Alpha dentre outras.

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